Morre aos 80 anos o escritor francês Pierre Guyotat

O escritor francês Pierre Guyotat, fotografado em Paris, 6 de novembro de 2018

O escritor francês Pierre Guyotat, contemplado com o prêmio Medicis em 2018, autor do polêmico livro "Éden, Éden, Éden", considerado "pornográfico" nos anos 1970, morreu na madrugada desta sexta-feira (7) aos 80 anos, informou sua família à AFP.

Embora com caráter discreto, Guyotat causou escândalo com o livro, no qual incluiu descrições detalhadas de atos sexuais. Conseguiu publicá-lo, mas na época proibiram qualquer publicidade e a venda para menores de idade, até a suspensão do veto nos anos 1981.

Mas Guyotat lavrou sua fama literária anos antes, com "Tombeau pour cinq cent mille soldats" (1967), no qual refletiu sua experiência como soldado na guerra da Argélia.

Guyotat nasceu em Lyon (leste) em 1940 e aos 18 anos, deixou a casa da família para se tornar poeta. Seu pai, um médico, contratou um detetive particular para localizá-lo e levá-lo de volta para casa, mas Guyotat se livrou da perseguição, chegando inclusive a dormir debaixo de pontes em Paris.

Em 1961, foi convocado. Sua experiência militar acabou em uma expulsão, após ter sido considerado culpado de "abalar o moral" do exército.

De volta a Paris, tornou-se jornalista e começou a publicar. "Éden, Éden, Éden" não conseguiu o Prêmio Medicis em 1971 por apenas um voto. Precisou esperar 48 anos até consegui-lo com "Idiotie", um livro autobiográfico, publicado em 2018. Além do Medicis, ganhou o prêmio especial do júri do Femina e o Prêmio da língua francesa pelo conjunto da obra.