Morre, aos 55 anos, o fotojornalista Marcelo Sayão

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Foto: DIEGO VARA / Agência O Globo

Morreu, nesta quinta-feira, o fotógrafo Marcelo Sayão, aos 55 anos. A informação foi confirmada pela Agência EFE, da qual ele era coordenador de fotografia. Em 2001, Sayão foi vencedor do Prêmio Rei de Espanha de Jornalismo com uma imagem publicada na capa do jornal O GLOBO.

Marcelo Sayão iniciou a carreira fotojornalística nos anos 80, no Rio Grande do Norte, onde passou parte da juventude. Anos depois, voltou ao Rio de Janeiro, onde nasceu, e trabalhou em Última Hora, O Dia, Jornal do Brasil e O GLOBO, antes de chegar à Efe. Ele foi responsável pela criação do serviço de fotografia da Efe no Brasil, do qual era coordenador desde 2003. Ao longo desses anos, registrou mais de 30 mil imagens no Brasil e no mundo.

Pela Efe, Sayão trabalhou nas Copas do Mundo de 2006, na Alemanha, e 2014, no Brasil, e também nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, Londres 2012 e Rio 2016.

Na América do Sul, cobriu, entre outros eventos, a posse de Evo Morales como presidente da Bolívia, em 2005, e várias edições da Copa América, de Jogos Pan-Americanos e Cúpulas Ibero-Americanas e do Mercosul.

Sayão fez nome internacionalmente ao ganhar o Prémio Rei de Espanha de Jornalismo na categoria de fotografia em 2001, por uma imagem publicada na capa de O GLOBO em 21 de outubro de 2000 que mostra um policial militar que estava em um orelhão sendo acuado por moradoras do morro da Providência, uma delas ameaçando arremessar um tijolo em sua direção. O episódio aconteceu em um dia de protestos contra uma operação policial na comunidade.

A sensibilidade social e o compromisso do fotógrafo com a informação verídica o levaram a realizar várias coberturas de alto risco, como a da ocupação do Complexo do Alemão por militares, em 2010.

Entre as últimas grandes coberturas que coordenou, destacam-se a ascensão ao poder de Jair Bolsonaro (2018), a tragédia de Brumadinho (2019), a Copa América de 2019, os incêndios na Amazónia naquele mesmo ano e a crise do coronavírus em 2020.

O corpo de Sayão, que era pai de três filhos, será cremado nesta sexta-feira no cemitério do Caju, no Rio de Janeiro.