Moro diz que entrevistas sobre independência da PF "eram verdadeiras, mas não são mais"

Sergio Moro questiona liberdade da polícia federal atualmente (Foto: Andre Coelho/Getty Images)

Sergio Moro rebateu apoiadores de Jair Bolsonaro (sem partido) que compartilharam entrevistas do agora ex-ministro da Justiça e Segurança Pública dizendo que o presidente não interferia na Polícia Federal, justificativa para o pedido de demissão do ex-juiz federal.

Ao jornal ‘O Globo’, Moro afirmou que as declarações sobre a independência da PF, como a dita durante sua participação no programa 'Roda Viva’ (TV Cultura), "eram verdadeiras, mas não são mais". O ex-ministro também afirmou ter impedido até onde pôde que Bolsonaro tentasse interferir no comando da Polícia Federal.

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"É fato notório, afirmado pelo próprio presidente da República, suas reiteradas tentativas de interferência na PF, com troca de superintendentes e do diretor-geral. Até minha demissão, não permiti que essas tentativas prosperassem. Então, as entrevistas de janeiro e março sobre o presidente não interferir na PF eram verdadeiras, mas não são mais", declarou Moro.

Moro deixou o Ministério da Justiça na última sexta-feira (24) acusando Bolsonaro de querer exonerar o diretor-geral da PF (Polícia Federal), Maurício Valeixo, para ter acesso às investigações, em clara interferência política. O presidente, horas depois, disse que o ex-ministro condicionou a saída de Valeixo a uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).

À noite, o "Jornal Nacional" exibiu uma troca de mensagens entre Moro e Bolsonaro que, segundo o ex-ministro, seriam a prova de que falava a verdade sobre a tentativa do presidente de interferir na PF. Na conversa por WhatsApp divulgada pela Globo, o chefe do Executivo enviou ao então ministro uma notícia do site "O Antagonista" intitulada "PF na cola de 10 a 12 deputados bolsonaristas". Em seguida, o presidente escreveu: "Mais um motivo para a troca".