Moradora processa prefeitura de Jundiaí por censura após críticas nas redes sociais

Juliana Gonçalves foi bloqueada nas páginas da prefeitura (Foto: Getty Creative)

Uma moradora de Jundiaí, no interior paulista, está processando a prefeitura da cidade após ser proibida de comentar nas redes sociais da municipalidade. Após fazer críticas, Juliana Gonçalves foi banida da página da prefeitura no Facebook. 

E nos siga no Google News:

Yahoo Notícias | Yahoo Finanças | Yahoo Esportes | Yahoo Vida e Estilo

A cidade tem 4.484 casos confirmados de coronavírus. Nas redes social, a prefeitura informa os números da pandemia aos moradores. O prefeito da cidade é Luiz Fernando Machado, do PSDB.

No dia 11 de junho, a prefeitura de Jundiaí publicou que a cidade testaria 5,2% da população e afirmou que “o percentual é superior à taxa de testagem de países europeus, como a Alemanha, que registra 2,5% de testes em sua população e é tida como referência no combate à pandemia”.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Moradora da cidade, a professora Juliana Gonçalves, 26 anos, considerou o post inapropriado, tanto pela desproporcionalidade em relação ao número de habitantes de Jundiaí e Alemanha, quanto pelo tipo de teste que está sendo feito na cidade.

Enquanto Jundiaí tem 418 mil habitantes, segundo o IBGE, a Alemanha tem 83 milhões.

“Já que vocês insistem tanto em se comparar Jundiaí com outros países, por que não comparam com o Uruguai? Jundiaí tem 1/8 da população de lá com 1.875 casos e 104 mortes. Uruguai tem mais de 3 milhões de pessoas com 847 casos e 23 mortes. Além disso, Alemanha e países europeus quando estavam em curva de crescimento, fizeram testes diagnósticos e não de anticorpos. Mas isso não convém com a narrativa que vocês estão tentando vender, não é?”, escreveu Juliana como resposta no post.

Depois de 30 minutos, a professora reparou que o comentário não estava mais no post. Juliana relata que esse e outras falas negativas foram apagadas e só sobraram comentários positivos sobre o trabalho da prefeitura.

Ela fez outras críticas no mesmo post, apagados outras duas vezes. No dia seguinte, ela notou que já não tinha mais acesso à página.

“Me senti completamente censurada, impotente e silenciada. Acho uma falta de respeito sem tamanho, porque na hora de receber impostos e o meu dinheiro, recebem de braços abertos. Quando tento expressar minha preocupação como cidadã, já não sou mais útil e se sentem no direito de me excluir como se não fosse importante escutar as vozes de quem não está parabenizando”, afirmou Juliana.

A professora fez os mesmos comentários na página do Instagram da prefeitura de Jundiaí e também foi bloqueada.

Leia também

A mãe de Juliana usou as redes para contestar a restrição de comentários negativos. Na resposta, a prefeitura assumiu que modera os comentários. “Nosso comprometimento com a expressão é uma prioridade por aqui, mas reconhecemos que a internet cria novas e muitas oportunidades de abuso. Por isso, quando limitamos a expressão, isso é feito com base em um ou mais dos nossos seguintes valores”, e citam autenticidade, com relação a perfis falsos e segurança.

“Críticas, reclamações são bem vindas, aliás, quando há uma crítica ou reclamação elas são analisadas, encaminhadas ao departamento responsável e respondidas. Obviamente, desde que não infrinja os valores acima”, responderam.

Na opinião do advogado responsável pelo caso, Flavio Grossi (Flavio Grossi | Advocacia Criminal e em Direitos Humanos), a resposta é uma confissão de inconstitucionalidade, já que os responsáveis limitam a expressão dos que se manifestam na página. Segundo o processo, estão sendo infringidos os direitos de liberdade de manifestação e também de liberdade de informação, que são direitos fundamentais. Além disso, classifica o cerceamento pelo poder público como inconstitucional.

O pedido liminar é que Juliana seja desbloqueada e, ao final, seja determinada que sua liberdade de expressão e informação não pode ser limitada, proibindo o bloqueio ou exclusão de comentários.

Questionada, a prefeitura afirmou que não foi notificada sobre a existência do processo e não tem informações que permitam verificação prévia. “No entanto, pretende apurar eventuais casos, tão logo sejam apresentados os elementos às esferas competentes.”

Siga o Yahoo Notícias no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube e aproveite para se logar e deixar aqui abaixo o seu comentário.