Modelo plus size coreana luta por aceitação no país: 'Odeiam gordas'

Taylor Tak (Foto: Reprodução/Instagram @beyoutiful_taylort)

“Para todos os tipos de corpos e sem Photoshop”. É assim que Taylor Tak se apresenta no Instagram. Esta modelo e ativista sul-coreana de 26 anos faz sucesso nas redes sociais pelo seu talento e pelo simples fato de existir: ser gorda e ter tamanho de roupas XG em um dos países onde mais se faz cirurgias plásticas no mundo é revolucionário.

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A jovem foge do padrão de beleza que é imposto às mulheres na Coreia do Sul. Acredite: pessoas com mais de 50 kg são consideradas gordas por lá. Absurdo! Taylor conta em entrevista ao site Mic que passava as férias da escola em centros de dieta. Na instituição em que começou a frequentar aos 10 anos (sim, você não leu errado), ela trabalhava e comia menos de 1000 calorias por dia durante meses para emagrecer.

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Atualmente morando na Austrália, a modelo também tem enfrentado dificuldade para conseguir trabalho e terá que voltar para seu país. “O mercado está aberto para as brancas, não para coreanas plus size”, afirma Taylor.

Taylor Tak (Foto: Reprodução/Instagram @beyoutiful_taylort)

A gordofobia é tão enraizada na Ásia que a modelo ouviu um comentário cruel da própria mãe quando contou para ela sobre um garoto. “‘Não confie nele. Ele deve querer algo de você. Nenhum homem aqui aprecia mulheres gordas por amor’. Esse foi o conselho dela. Mas eu não a culpo. Algumas pessoas aqui realmente odeiam gordas”, diz Taylor,

Ao contrário do Brasil, onde as mulheres são constantemente cobradas a serem curvilíneas — apesar da pressão pelo tal “corpo ideal” —, lá tudo é sobre ser magro. Mas as situações difíceis não impediram Taylor de correr atrás da carreira de modelo: ela conta ao Huffpost que foi notada pela primeira vez por um fotógrafo em Londres, que pediu para tirar fotos dela.

Taylor Tak (Foto: Reprodução/Instagram @beyoutiful_taylort)

Um ano depois, a jovem já estava posando para campanhas se tornou ativista do movimento body positivity, que luta para que cada vez mais pessoas aceitem seus corpos do jeito que ele é.

Taylor T., como também é conhecida, já posou para a revista Cosmopolitan sul-coreana e compartilha seus trabalhos com cerca de 42 mil seguidores do Instagram. Ela também tenta ganhar dinheiro fazendo posts patrocinados em sua conta. Girl boss, sim ou com certeza?

Cadê a representatividade?

Recentemente, a modelo se mudou para Sydney, na Austrália, pois arranjar trabalho na Coreia do Sul sempre foi difícil. Infelizmente, o cenário também não mudou muito quando ela chegou no novo país. Ela foi contratada por uma agência no começo deste ano, mas só conseguiu um trabalho remunerado por volta de abril. “Aqui tem mais oportunidades, mas não para o meu tipo. O mercado está aberto para as brancas, não para coreanas plus size”, desabafa em vídeo (em inglês) publicado em 9 de maio no seu canal do YouTube.

Dinheiro começou a ser um problema para Taylor: ganhando pouco como modelo e influenciadora, ela começou a dar aulas de coreano para conseguir comer, mas não o suficiente para se manter na Austrália. Por isso, decidiu que vai retornar para a Coreia. “Queria me fixar aqui, mas é melhor voltar. Deixo a cidade em outubro”, diz no vídeo.

Apesar de todas as dificuldades, Taylor ainda é referência para mulheres do mundo inteiro, que valorizam e se inspiram no seu trabalho. E ela sabe disso. “Encontre algo que te faça feliz ou faça alguém sorrir”, diz na legenda de uma foto poderosa no Instagram.

“Maravilhosa”, “eu comecei a me aceitar meu corpo por sua causa”, “eu queria ser como você” e “rainha” são algumas das mensagens que ela recebe frequentemente na rede social. Assinamos embaixo!

Taylor Tak (Foto: Reprodução/Instagram @beyoutiful_taylort)

“Às vezes sinto que estou gritando sozinha para a sociedade e tudo o que eu quero é que as mulheres plus size da Coreia se ergam e ousem a dizer que se aceitam”, diz Taylor.

Taylor Tak (Foto: Reprodução/Instagram @beyoutiful_taylort)