Modelo humilhada por cabeleireiro diz que vai à Justiça: "Racismo não é erro, é crime"

Giselle de Almeida
·3 minuto de leitura
A modelo Mariana Vassequi. Foto: reprodução/Instagram/marianavassequi
A modelo Mariana Vassequi. Foto: reprodução/Instagram/marianavassequi

Diante da situação constrangedora, a modelo Mariana Vassequi, que ouviu falas racistas reproduzidas pelo cabeleireiro Wilson Eliodorio em um evento de beleza, optou por manter a postura profissional. Dias depois do incidente, ela comentou o episódio que viralizou nas redes sociais e afirmou que pretende levar o caso para a Justiça.

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“O racismo não é um erro, é um crime. Gostaria que todas as pessoas que passaram por essa situação possam se conscientizar dos seus direitos. Muita luta e muita tristeza aconteceram para que o racismo fosse considerado um crime, para que as vítimas pudessem ser respaldadas, e a gente deve levar em consideração esse histórico”, disse, em entrevista à revista “Marie Claire”.

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A modelo, que ouviu frases como “Esse cabelo ou essa pessoa é um filhote de patrão, porque o patrão comeu uma escrava e gerou isso aqui”, afirmou que demorou a acreditar na situação.

“Em um primeiro momento, pensei ‘será que estou mesmo ouvindo isso?’. Você está exercendo seu trabalho, não espera que vá ser agredida verbalmente dessa forma. Até porque veio de uma pessoa que eu não imaginava que falaria tal coisa. Depois, veio uma paralisação, de medo. Se essa pessoa se sente confortável em falar isso e ninguém está falando nada, então é porque está todo mundo bem confortável também”, contou.

Apesar de se sentir acuada na hora, Mariana se sentiu acolhida com as manifestações de apoio, de anônimos e famosos como a atriz Taís Araújo, que trabalha com o cabeleireiro há bastante tempo.

“Uma modelo espera que um dia as pessoas reconheçam o trabalho dela pelo seu potencial, não por uma cena de humilhação. Contudo, os comentários de carinho me deram muita força. Não estou sozinha. Se, naquele momento, achei que estivesse em desvantagem, hoje me sinto em uma posição completamente diferente”, contou.

Profissional que cuida de celebridades como Elza Soares, Iza, Cris Vianna e Gaby Amarantos, Eliodorio publicou um vídeo em seu Instagram, em que se retrata com Mariana e Ruth Morgan, modelo que também participou do evento.

“Tenho muita culpa, muita vergonha, de ter dito o que disse. Principalmente pela dor que causei. Mas repito, ser preto não me faz imune da construção racista desse país. Estou em reeducação. Assim como tantos de nós. Desculpa. Desculpa, Mari, desculpa Ruth”, disse.