Moda plus size: consumidores impulsionam a inovação e a visibilidade do mercado

(Foto: Reprodução/ Instagram @delphinadesigns)

Por Thais Varela

Devido a uma mudança cultural ao redor do mundo, em busca da quebra dos padrões de beleza, o setor de moda plus size tem crescido em números e visibilidade. Boa parte graças ao surgimento de movimentos sociais que demandam atenção para o assunto, influenciadores que falam sobre o tema e, principalmente, pela exigência dos clientes.

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A população brasileira é formada por aproximadamente 209 milhões de pessoas. De acordo com dados da Associação Brasil Plus Size, estima-se que mais da metade desse número sejam potenciais consumidores de roupas em tamanhos grandes.

Natalia Clementin (Foto: Reprodução/ Instagram @nataliaclementin)

Com um aumento esperado de 10% ao ano até 2020 neste mercado, o consumidor de tamanhos grandes encontra hoje mais opções para aproveitar a moda e torna-se cada vez mais antenado e exigente sobre o produto que quer comprar.

"A mulher plus size observou que ela não é a minoria. Ela percebeu o crescimento do comércio segmentado e viu que muita gente veste mais do que 44. Com isso, ela entendeu que essa caixinha que as pessoas ditavam que ela estava fora, não existe. Então, ela passou a ter mais vontade de explorar o universo fashion", explica Natalia Clementin, jornalista e influenciadora do setor.

A evolução do mercado

Se hoje, apesar de ainda ter um longo caminho a percorrer, o setor oferece mais possibilidades ao cliente, no passado o cenário era muito carente. Não à toa, muitos dos profissionais que atuam no mercado decidiram empreender na área por sentirem na pele dificuldade para encontrar peças.

Uma delas é a empresária Flavia Duarte, que criou a feira Pop Plus, evento que reúne quatro vezes ao ano, em São Paulo, marcas com numerações grandes. "A partir do momento que eu engordei, eu não encontrava roupas para mim e eu percebi que o mundo não abraçava corpos diversos. Até então, a mulher que usava numerações estendidas era vista como uma pessoa que precisa se vestir para se esconder. E não, a gente começou um movimento demandando tendências, opções fashion e bonitas", contou Flavia.

A experiência da estilista Renata Amaral, criadora da Delphina Designs, foi similar e também a levou a abrir uma marca de moda feminina plus size. "Antigamente, era extremamente frustrante ir ao shopping. Ainda é hoje, mas começou a melhorar. Porém, no passado, eu ia em locais de comércio e muitas vezes voltava chateada, porque eu via roupas que eu queria, mas que não eram feitas para mim. Quando eu criei a Delphina, eu quis dar para as minhas clientes as opções que eu não tive. Eu estudei muito para trazer tecidos planos, que não eram usados no plus, e uma modelagem que tivesse um bom caimento. A ideia foi criar uma experiência completa, que não perdesse em nada para uma loja regular", revelou.

(Foto: Reprodução/ Instagram @flaminga)

Sylvia Sendacz, sócia do e-commerce multimarcas de tamanhos grandes Flaminga, criado em 2012, observou a evolução do mercado e como a demanda das consumidoras por mudanças foi a grande responsável pelos avanços do setor. "O público plus size ganhou voz com as redes sociais, foi se agrupando e exigindo inclusão. Isso fez com que os fabricantes e lojistas acordassem e oferecessem mais. Antes, a mulher que usava tamanhos grandes tinha que vestir o que servisse. Agora, esse consumidor está mais empoderado e exigente, o amadurecimento não foi só das marcas, mas do público também", explica Sylvia.

O que a consumidora busca?

Entre novas etiquetas surgindo e o olhar de marcas já consolidadas no mercado regular, como grandes varejistas, se voltando para o plus size, a busca da consumidora é uma só: opções iguais. "A cliente plus quer o mesmo que tem nas vitrines por aí. Ela não deseja nem mais e nem menos do que qualidade, modelagem e informação de moda", explica Flavia. "A atitude das consumidoras está mudando, elas estão se sentindo representadas e querendo explorar tudo o que antes a sociedade falava que elas não podiam. Estampa, branco, saia rodada, biquíni...", completa Renata.

(Foto: Reprodução/ Instagram @delphinadesigns)

Variedade também é uma demanda para o setor, que tem uma oferta limitada para estilos e ocasiões diferentes. "Seria muito bom poder achar novas marcas e peças para várias situações de maneira mais fácil. Um grande problema que eu tenho é que se aparecer um casamento, por exemplo, com pouco tempo de antecedência, eu não consigo comprar rapidamente no shopping um vestido para usar, porque não tem", diz Luciana Azevedo Pereira, professora de comunicação e consumidora.

Outra questão é a necessidade de ainda recorrer à costureiras ou marcas customizadas por falta de encontrar modelos prontos que vistam bem ou que tenham a ver com a cliente. "No final do ano, eu queria comprar biquínis. Precisei mandar fazer em um local no Nordeste, sendo que eu moro em São Paulo. Tem toda uma logística. Se eu perguntar para uma pessoa que usa tamanhos regulares se ela mandaria fazer uma roupa de banho, ela acharia estranha essa possibilidade", conta Giuliana de Cillos, advogada e consumidora.

(Foto: Reprodução/ Instagram @foralltypes)

As roupas vão muito além de apenas uma simples vestimenta e são uma forma de expressar a personalidade e exercer a criatividade. Por isso, ter opções para estilos e gostos diferentes é tão importante. "Minha intenção é dar o acesso às peças. É muito difícil gostar de você mesmo quando você não encontra nem uma calcinha que possa usar. Meuobjetivo é dar o que as pessoas precisam para que elas possam se explorar", explica Bianca Reis, criadora da marca de biquínis e lingeries For All Types.

Ainda é preciso melhorias no setor

Mesmo com o crescimento recente, o público que usa peças acima do 46 enfrenta vários problemas. A falta de produtos é uma realidade e, muitas vezes, é difícil encontrar itens necessários como jeans e peças básicas. Outras questões do setor são o preço elevado das roupas, que, muitas vezes, são feitas por pequenos produtores que têm um custo grande na produção, e as numerações oferecidas que chegam, em geral, até o número 60, o que limita as mulheres que usam mais do que esse tamanho.

(Foto: Reprodução/ Instagram @flaminga)

"É muito frustrante querer comprar uma roupa e simplesmente não encontrar. Recentemente, eu tinha um compromisso e eles me pediram para ir de camiseta branca. Eu não tinha nenhuma e precisei procurar em seis lojas diferentes até conseguir uma t-shirt simples. Quando eu achei, ela era caríssima. Você chega ao absurdo de ter o dinheiro e não ter a peça ou de achar um item simples, mas que custa muito caro", exemplifica Giuliana.

Se hoje a busca é por um mercado que atenda todas as mulheres plus size e suas demandas, para o futuro a consumidora quer inclusão sem a necessidade de uma separação por nichos. "Seria incrível ter um horizonte em as marcas que fazem roupa para tamanhos maiores serão simplesmente marcas, sem a segmentação, apenas vendendo algo para pessoas diversas, o que todos somos", conclui Luciana.