9 mitos e verdades sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais

(Foto: Getty Images)


Por Gislene Pereira

Com o nome de Maio Roxo, o quinto mês do ano é marcado pela conscientização sobre as doenças inflamatórias intestinais. Dia 19 é a data mundial para falar sobre as enfermidades que atingem aproximadamente 5 milhões de pessoas ao redor do globo.

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“Ao divulgar os sintomas e sinais e orientar a população a procurar atendimento médico, crescem as chances de diagnóstico precoce dessas doenças, impactando positivamente no resultado do tratamento e na qualidade de vida dos pacientes”, afirma José Capalbo, do Hospital 9 de Julho.

1. As Doenças Inflamatórias Intestinais são todas iguais.

MITO. A Retocolite Ulcerativa Inespecífica e a Doença de Crohn (ou ileíte) estão entre os principais males crônicos que inflamam o trato gastrointestinal, classificados como DII. Apesar de apresentarem semelhanças, elas também possuem características distintas: enquanto a retocolite atinge mais superficialmente a mucosa do intestino grosso (sobretudo reto e cólon), a Doença de Crohn pode se manifestar em qualquer parte do aparelho digestivo (da boca até o ânus), causar lesões graves em todas as camadas da mucosa e até deformar o intestino. “Em cerca de até 10% dos casos, não é possível classificar com certeza de qual dessas enfermidades o paciente é portador”, diz o cirurgião do aparelho digestivo e gastroenterologista José Capalbo, do Hospital 9 de Julho.


2. As causas da doença ainda não são bem definidas.

VERDADE. Ainda não se sabe ao certo o que desencadeia as Doenças Inflamatórias Intestinais. “A linha mais provável é que se trata de uma doença autoimune, na qual o organismo sofre alterações imunológicas e produz anticorpos contra ele mesmo”, diz a cirurgiã do aparelho digestivo Vanessa Prado, médica do Centro de Especialidades do Aparelho Digestivo do Hospital 9 de Julho. Há também um componente genético: “Sabemos que a enfermidade tem a tendência de se apresentar com mais frequência em pessoas com casos na família”, afirma a gastroenterologista Marta Brenner Machado presidente da Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn (ABCD).


3. As inflamações intestinais são de fácil diagnóstico.

MITO. Os sinais iniciais podem ser inespecíficos, como dor abdominal recorrente, diarreia, sangramento, muco e/ou pus nas fezes, constipação, mal-estar e perda de peso. “O sintoma mais grave pode ser a obstrução intestinal e, na Doença de Crohn, o acometimento de outros órgãos”, diz Vanessa. Alguns pacientes procuram auxílio médico após anos de evolução da doença e chegam ao consultório já com complicações e sequelas devido às múltiplas recorrências. Por isso, fica o alerta para procurar um especialista o quanto antes: “O uso de medicações por conta pode atenuar os sintomas, mas não trata a enfermidade”, diz Capalbo.


4. É possível prevenir as doenças inflamatórias intestinais.

MITO. Não existe uma forma específica de prevenção já que a origem do problema é multifatorial: está ligada a questões genéticas, como falado anteriormente, infecciosas, imunológicas e ambientais. Porém, é possível evitar alguns fatores de risco, como é o caso do fumo, das dietas ricas em gordura e carboidratos, da rotina estressante e do uso indiscriminado de anti-inflamatórios.

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5. A dieta é importante no tratamento da doença.

VERDADE. “A boa nutrição é essencial em qualquer enfermidade crônica, mas principalmente nas doenças que levam a quadros de redução do apetite, diarreia e má absorção de alimentos, fatores que prejudicam a assimilação de nutrientes, vitaminas e minerais pelo corpo”, diz Marta. Na fase ativa das doenças, as comidas leves interferem menos que as condimentadas ou ricas em gorduras. Por isso, no geral, os especialistas recomendam uma dieta saudável, livre de conservantes, transgênicos e alimentos industrializados. Nas crises de diarreia e cólica abdominal, o ideal é evitar alimentos ricos em fibras, frituras e fermentados.


6. As DII atingem a população mais idosa.

MITO. A maioria dos pacientes recebe o diagnóstico antes dos 30 anos e há indícios de maior prevalência da Doença Inflamatória Intestinal nos países desenvolvidos e em grandes centros urbanos. Outro indício apontado pelos especialistas: descendentes da população do norte europeu e de judeus são mais acometidos pela enfermidade.


7. As Doenças Inflamatórias Intestinais não têm cura.

VERDADE. “No momento não existe um medicamento que cure as DII, mas é possível conviver bem com elas”, afirma Capalbo. A evolução das enfermidades varia de paciente para paciente, que pode ter apenas uma crise ao longo da vida ou várias (de repetição). O tratamento visa manter a doença em remissão, como se ela estivesse adormecida – as medicações mais utilizadas são corticoides, imunossupressores e biológicos. A cirurgia também auxilia no tratamento, porém, em especial da Doença de Crohn, ela não é curativa: serve para tratar as lesões ou complicações (como uma obstrução intestinal). Só que, em longo prazo, as intervenções podem ser agressivas e levar a complicações como diarreia crônica e deficiência na absorção de nutrientes.


8. É possível ter uma vida normal mesmo com alguma Doença Inflamatória Intestinal.

VERDADE. Quase a totalidade das pessoas que sofrem dessas enfermidades crônicas mantém uma vida útil e produtiva – apesar de ser necessário fazer consultas e exames regulares e, nas fases de maior atividade da doença, até um período de internação. “Mas quando ela está controlada, a maioria dos pacientes sente-se bem e fica relativamente livre de sintomas, levando vida absolutamente normal”, afirma Marta. Duas recomendações para o dia a dia dos pacientes com Doença de Crohn: parar de fumar (caso seja tabagista) e evitar o uso de medicações anti-inflamatórias não hormonais (como aspirina e ibuprofeno) porque ambos aumentam a chance de recaída.


9. Quem tem DII corre um risco maior de desenvolver câncer de intestino.

MITO. Estudos já mostraram que pessoas que sofrem de Retocolite Ulcerativa Inespecífica em todo o cólon por períodos maiores que 10 anos correm um risco significativo de desenvolver câncer. “Porém, atualmente, acredita-se que com o controle rigoroso do processo inflamatório por meio de medicamentos que ‘curam’ a mucosa, o risco fica igual ao da população em geral”, comenta Marta.


Para saber ainda mais acesse: https://abcd.org.br