Mirante 9 de Julho fecha de vez após 18 meses parado e assalto na pandemia

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 23.08.2015 - Vista do Mirante da avenida 9 de Julho, na região central de São Paulo. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 23.08.2015 - Vista do Mirante da avenida 9 de Julho, na região central de São Paulo. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A cidade de São Paulo perdeu mais um espaço cultural na pandemia. Após passar 18 meses fechado, o Mirante 9 de Julho, localizado sobre a avenida Nove de Julho e aos fundos do Masp, anunciou na sexta (17) o encerramento definitivo.

O motivo, explica a administradora do Mira —nome pelo qual passou a ser chamado desde 2019— teria sido o fim de um termo entre o espaço cultural e a Prefeitura de São Paulo, proprietária do imóvel que o abrigava.

"A Prefeitura Regional da Sé tem outros planos para o espaço e encerrou a nossa parceria depois de nos fazer esperar e acreditar por 22 meses que iria renová-la", conta Dulce Santos, atual administradora do espaço.

Construído na década de 1910, o mirante foi concedido pela prefeitura a empresários para revitalização e abriu ao público em 2015. De lá para cá, foi administrado por três gestões diferentes —a última, em 2019.

No acordo, as empresas podiam utilizar parte do espaço comercialmente —desde que não cobrassem ingressos para eventos culturais— sem precisar pagar aluguel, mas arcavam com as despesas de manutenção, por exemplo.

O atual termo de cooperação para concessão do espaço tinha prazo para terminar em fevereiro de 2020. Santos, atual administradora, diz que ainda havia um acordo para fazer uma última exposição no local, o que permitiria a sua gestão até o fim daquele ano.

Com a chegada da pandemia, porém, o local fechou as portas em março e a mostra não ocorreu. O Mira teve um breve funcionamento, entre outubro de 2020 e março deste ano, quando abriu o salão do seu restaurante ao público —mas sem a agenda cultural de shows, exposições e festas.

Nesse período, Santos conta que optou por continuar fazendo a manutenção do espaço com a expectativa de que o projeto sairia do papel. "Ficamos tentando viabilizar o projeto nesse período e esperando chegar a fase verde da pandemia."

Ela diz, ainda, que manteve contato com a Subprefeitura da Sé, dona do imóvel, mas que, neste mês, recebeu um email em que diziam que não iriam mais seguir com o projeto e que o termo estava encerrado. "A gente vinha conversando, estava tudo encaminhando bem. Agora, só falaram para sair de lá. Não sei por qual motivo."

Durante esse tempo, Santos pagou por contas como água, luz e segurança do local, que sofreu um assalto em março deste ano e perdeu cabos de energia, quadros de força, caixas de som e equipamentos de cozinha.

Impossibilitado de abrir, o futuro do espaço ficou ainda mais incerto. Santos chegou a abrir uma vaquinha para tentar arrecadar R$ 91 mil, pagar uma reforma elétrica e quitar dívidas. As doações, porém, somaram apenas 1% da meta: R$ 920, e a reforma não foi para frente e, desde então, o Mira permanece parado.

A administradora disse que abriu um boletim de ocorrência e que entrou em contato com a Subprefeitura da Sé para tentar algum auxílio financeiro, mas que não obteve retorno.

"Eu podia simplesmente ter juntado tudo que era meu e ido embora, porque as contas estavam entregues assim que acabou o termo, em fevereiro de 2020. Fiquei pela parceria, porque aprovaram a nova exposição", diz.

Ela acrescenta: "Paguei por dois anos para cuidar de um espaço público e não vou ser ressarcida. É um retrocesso, na hora em que eu tirar os pés de lá, provavelmente vão destruir tudo".

Em nota, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Subprefeitura Sé, confirmou que o termo venceu e não foi prorrogado.

"As duas fontes localizadas na Avenida 9 de Julho fazem parte do conjunto arquitetônico tombado do local, e a empresa não mostrou interesse em assumir sua manutenção. A administração regional está ouvindo outros interessados e conduzindo os devidos estudos para o uso da área e, assim que forem concluídos, serão publicados no Diário Oficial do Município", diz o comunicado.

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