Minoria, prefeitos rejeitados nas urnas em SP culpam pandemia e falta de água

MARCELO TOLEDO
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RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Eles governaram por quase quatro anos e decidiram ir às urnas para tentar um segundo mandato consecutivo. Mas, no meio do caminho, havia vários obstáculos, como uma pandemia e fenômenos climáticos, que, segundo eles, contribuíram para impedir uma nova vitória. Os prefeitos não reeleitos, que são minoria entre as cidades com mais eleitores em São Paulo, foram barrados nas urnas e, em alguns casos, ficaram muito longe da reeleição. Entre as 50 cidades com mais eleitores em São Paulo, o governante que ficou mais distante de chegar à vitória foi Gilson de Souza (DEM), 65, de Franca (a 400 km de São Paulo), que não só não alcançou o segundo turno da eleição local como foi apenas o sexto colocado nas urnas. Depois de obter 90.817 votos no segundo turno há quatro anos, quando virou uma disputa que parecia perdida contra o ex-prefeito Sidnei Rocha (PSDB), Gilson obteve 9.664 votos no último dia 15, ou 6,73% do total. A eleição foi vencida no segundo turno pelo ex-prefeito Alexandre Ferreira (MDB), 53. "Acredito em um conjunto de fatores, mas a pandemia pode ter sido um dos principais. Sou um prefeito de uma característica de contato muito próximo com o povo, mas com a pandemia houve um distanciamento natural e fiquei impossibilitado de fazer campanha, para garantir a minha segurança e a da população, preservar a minha saúde e a do eleitorado", disse o prefeito. Dos 50 prefeitos, 29 foram reeleitos em primeiro ou segundo turnos, enquanto 10, que já estavam em segundo mandato, não poderiam disputar nova reeleição. Segundo Gilson, a perspectiva no início do ano era que a pandemia durasse menos tempo, mas, com seu prolongamento, a campanha foi prejudicada. "Mas sei que cumprimos a missão que nos foi dada nesses quatro anos, realizamos um bom trabalho, melhoramos muitos índices para Franca." Entre os 11 que perderam a disputa, outro que também não chegou ao segundo turno foi Clodoaldo Gazzetta (PSDB), 52, de Bauru (a 329 km de São Paulo). Terceiro mais votado no primeiro turno, com 14.264 votos, ele viu a disputa no turno final entre a jornalista Suéllen Rosim (Patriota), 32, que foi eleita, e o médico Raul Gonçalves Paula (DEM), 59. A transição já começou nesta terça-feira (1º). De acordo com Gazzetta, que tentou pela quinta vez ser prefeito (disputou todas as eleições desde 2004), faltou água num momento inadequado neste ano, em meio à pandemia, por conta da escassez hídrica no Centro-Sul do país, o que pode ter contribuído negativamente em sua campanha pela reeleição. "A seca impediu a produção de água do rio Batalha, que abastece 140 mil pessoas. Em 2014, maior seca até então, tinha chovido 140 milímetros entre setembro e novembro. Agora em 2020 choveu só 40", disse. Gazzetta afirmou que não fez um mandato populista e não usou o cargo para promoção pessoal. "Não fiz gestão vinculada à reeleição. Toquei o barco como tinha de tocar. Peguei os maiores problemas da história da cidade. Maior enchente em 2017, maior epidemia de dengue em 2019 e agora a pandemia." Também não teve bom desempenho nas urnas Nelson Bugalho (PSDB), 57, de Presidente Prudente, o quinto colocado no pleito com 8,41% dos votos válidos. A eleição foi vencida pelo deputado estadual Ed Thomas (PSB), 57. Em Ferraz de Vasconcellos, o prefeito Zé Biruta (Republicanos), 71, teve votação semelhante, 8,86%, e ficou na quarta colocação. A cidade será governada por Priscila Gambale (PSD), 35, que obteve 37,06% dos votos válidos. Entre os 11 prefeitos que tentaram a reeleição sem sucesso, ficaram em segundo lugar os atuais governantes de Mogi das Cruzes, Piracicaba, Sorocaba (todos no segundo turno) e Itapecerica da Serra. Gazzetta ainda disse que, mesmo com os indicadores positivos de sua gestão, o governo não conseguiu fazer uma comunicação consistente para que as pessoas "pudessem conhecer o que tinha sido feito". "Todas as cidades do mesmo porte investem R$ 3 milhões em publicidade. Se eu fizesse isso, deixaria de fazer a descentralização da pediatria. Preferi a pediatria do que gastar em publicidade." Conforme ele, a pandemia pode ter contribuído também no cenário local, já que a cidade ficou dividida entre os que queriam que o comércio fechasse e os que preferiam mantê-lo aberto. "Havia protestos quase todo dia, de um lado ou de outro. Mas todas as ações que tomei aqui foram as mais corretas possíveis. No enfrentamento, cumpri meu papel enquanto prefeito."