Ministro do Turismo publica mentira e sugere que cancelamento de Carnaval é castigo de Deus

Colaboradores Yahoo Notícias
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Brazil's Tourism Board President Gilson Machado Neto gestures as he delivers a speech during the commemoration of the 54th anniversary of the creation of Brazil's Tourism Board (EMBRATUR) at Planalto Palace in Brasilia, on November 17, 2020. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

O ministro do Turismo, Gilson Machado Neto, publicou uma montagem mentirosa para comentar o cancelamento do Carnaval em função da pandemia de coronavírus. Em suas redes sociais, o integrante do governo Bolsonaro manipulou imagens para chamar a folia de “blasfêmia” contra Jesus.

A montagem distorcida contém duas fotos: uma de um desfile em que um homem fantasiado de diabo arrasta Jesus Cristo, e outra do sambódromo do Anhembi, em São Paulo, vazio. A primeira imagem aparece com a data de 2020, enquanto a segunda é datada de 2021. A ideia da postagem é sugerir que o cancelamento do Carnaval é um “castigo” de Deus, e o próprio ministro escancarou essa interpretação.

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“Dá para entender quem manda? Ou tem que DESENHAR? Não sou contra o Carnaval, sou músico. Sou contra tripudiar e blasfemar o nosso Pai!”, escreveu Machado, empossado há dois meses em cerimônia com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Entretanto, a data da primeira foto foi alterada de propósito por cristãos fanáticos para criar uma falsa relação causa/efeito entre a “blasfêmia” contra Deus e o “castigo” do fim do Carnaval. A imagem do “diabo” arrastando Jesus é de um trecho do desfile da Gaviões da Fiel de 2019, em que o diabo acaba derrotado no final.

A Gaviões da Fiel rebateu a mentira do ministro: “O sambódromo vazio é sobre vacina, que algumas antas não entendem e o Carnaval nada tem a ver com isso. PS.: imagem do desfile 2019, não ‘viaje’ e deixe de compartilhar fake news. E não se esqueça: o bem sempre vence o mal! #basta”.

Desde a apresentação, a escola de samba vem sendo alvo de mentiras e notícias falsas, como a da morte do intérprete do demônio em um acidente automobilístico, inventada por fanáticos religiosos para induzir o leitor a acreditar que o rapaz foi “castigado”.

Machado Neto foi criticado por mentir e falar mal de uma das festas mais tradicionais e rentáveis do Brasil, que só em 2020 movimentou R$ 8 bilhões em atividades ligadas ao turismo e criou 25,4 mi empregos temporários, segundo estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).