Mineirão pode receber final da Libertadores em edição sem anfitriões

A última vez que o futebol mineiro não teve representante na Liberadores foi em 2012. Desde então o Cruzeiro disputou quatro vezes e o Atlético em seis oportunidades (Thomas Santos/AGIF)

Na próxima semana a Conmebol vai definir e divulgar o local da final da Copa Libertadores de 2020. Assim como nesta temporada, a edição de 2020 será definida em jogo único, com local previamente definido. Em 2019 a final está marcada para o fim de novembro, Santiago, no Chile. Para o ano que vem, alguns concorrentes estão no páreo, entre eles o Mineirão. O fato curioso é que após sete edições seguidas, dificilmente o futebol mineiro terá um representante na competição de 2020.

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A temporada 2019 não está sendo nada boa para Atlético e Cruzeiro. As duas equipes acumulam fracassos em campo e ambos estão entre os dez últimos colocados do Campeonato Brasileiro, que é a única via para que algum clube mineiro esteja na Libertadores do ano que bem. Entre 2013 e 2019, ao menos um mineiro esteve presente no torneio. As edições de 2014, 2015 e 2019 contou com a presença dos dois rivais.

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O Atlético aparece na 11ª colocação no Brasileiro, com 31 pontos. Sete pontos separam o time alvinegro do Internacional, na sexta colocação. Com futebol que não tem agradado e uma sequência de resultados assustadora, apenas sete pontos conquistados nos últimos 30 disputados, o Galo aparece com 5,8% de chance de se classificar para a próxima Libertadores, de acordo com departamento de matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Restando 15 rodadas para o término do Brasileirão, o Atlético precisaria fazer mais ou menos o que fez em 23 rodadas. O aproveitamento atleticano até o momento é de 45% dos pontos disputados. Para figurar no G-6 e disputar a Libertadores pela sétima vez nas últimas oito edições, o Galo precisa conquistar cerca de 65% dos pontos daqui para frente. Portanto, um desempenho maior do que o Santos, que ocupa a terceira colocação.

Certamente a última coisa que passa pela cabeça do torcedor do Cruzeiro neste momento é disputar alguma competição internacional em 2020. Com 20 pontos conquistados, a Raposa está muito mais preocupada em se manter na divisão de elite do futebol nacional. Ocupando a 18ª colocação, atrás do CSA, por exemplo, o time celeste tem somente 0,02% de chance de disputar a Libertadores do ano que vem.

Com apenas quatro triunfos em 23 rodadas, o Cruzeiro teria de fazer algo próximo de 100% de aproveitamento para jogar a Libertadores pela terceira vez consecutiva, a sexta nesta década. No momento, o número que mais tem atenção de todos na Toca da Raposa envolve a briga contra o rebaixamento. De acordo com o departamento de probabilidade da UFMG, a Raposa tem 63,4% de chance de jogar a Série B em 2020.

Mineirão disputa com nove estádios

São dez os estádios que concorrem para receber a final da próxima Copa Libertadores. Além do Mineirão, outros seis campos brasileiros estão na disputa. Maracanã, Morumbi, Arena Corinthians, Beira-Rio, Arena Grêmio e Mané Garrincha. Se juntam a eles mais três cidades estrangeiras. As argentinas La Plata e Córdoba e a peruana Lima.

Todos os dez candidatos receberam e já responderam um caderno de encargos elaborado pela Conmebol. A entidade faz uma série de exigências, como garantias de segurança e apoio dos órgãos públicos para que o estádio tenha condições de receber uma final continental. A definição acontece na próxima semana, no dia 17, em reunião que acontecerá no Equador.

Os estádios brasileiros são vistos como favoritos, pois com exceção do Morumbi, todos foram construídos ou reconstruídos nesta década.

Prós e contras do Mineirão

Apesar de a final no Brasil ser tratada como a hipótese mais provável, o Mineirão não figura entre os favoritos na disputa interna. Maracanã, Mané Garrincha e as opções paulistas são vistos como os mais fortes concorrentes entre os brasileiros. A oferta de voos para esses locais, especialmente para São Paulo, a rede hoteleira das respectivas cidades e a capacidade dos estádios são fatores que pesam na escolha.

Outro ponto que joga contra o Mineirão é a enorme possibilidade de nenhum representante do futebol local estar na disputa da próxima Libertadores.

Por outro lado, o Gigante da Pampulha tem seus trunfos. Entre eles está o apoio de Castellar Neto, ex-presidente da Federação Mineira de Futebol. O dirigente é vice-presidente da CBF e tem um cargo na Fifa, como integrante do comitê Players Status, que é responsável por monitorar a situação dos jogadores em relação às normas de registro e transferências, além de litígios envolvendo atletas e clubes.

O histórico recente do estádio é outro ponto que ajuda demais. Desde a sua reinauguração, em fevereiro de 2013, o Mineirão recebeu uma série de partidas decisivas, como a final da próxima Libertadores, em 2013. Também está na lista a Recopa de 2014, mais quatro finais de Copa do Brasil, jogos da Copa do Mundo de 2014, incluindo a semifinal entre Brasil e Alemanha. Tem também dois jogos da seleção brasileira contra a Argentina. Um nas Eliminatórias para Copa do Mundo de 2018 e outro na semifinal da Copa América de 2019.

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