Os millennials são uma geração perdida… e vão ser ainda mais daqui pra frente

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Young and timid woman with head in the cloud sitting on bench
A geração millennial lida com a sua segunda grande crise, sem saber muito bem para onde ir (Foto: Getty Images)

Neste texto, você encontra:

  • O que caracteriza a geração millennial;

  • As duas crises que os millennials já enfrentaram / enfrentam;

  • A perspectiva de futuro para essa geração.

A ansiedade com o desemprego é real. O apego ao celular, também. Sobre o trabalho, então, nem se fala. É capaz de você nem se lembrar quando foi a última vez que tirou férias. A segurança e a estabilidade que os seus pais tinham não existe mais e você sente que tem, mesmo, que matar um leão por dia. Comprar apartamento? Quem tem dinheiro pra isso? Nem carro eu quero... Ter filhos? A preferência é viajar. Relacionamentos longos? Talvez mais pra frente.

Se você se identificou, mesmo que um pouco, com o parágrafo acima, é bem possível que você seja parte da geração millennial. Caracterizada por aquelas pessoas que nasceram a partir de 1981 até 1994, mais ou menos, e engloba parte da população adulta de hoje - e que, provavelmente, será responsável por até 70% da força de trabalho mundial em 2025.

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Essa geração, hoje, tem sido conhecida também como a "geração perdida", ou, até mesmo, como a "geração que está perdida". Isso porque não satisfeita em experienciar uma grande mudança da humanidade, o surgimento da internet, precisa agora sobreviver também a uma pandemia e todos os efeitos que terá na vida social, profissional e, claro, econômica.

Não é simples ser millennial. A primeira geração considerada "nativa digital", isso é, que se vê totalmente inserida na internet e na tecnologia atual, pegou os últimos anos da vida 100% offline para entrar de cabeça no mundo mágico que é a internet e todas as mudanças que ela trouxe de lá pra cá - o surgimento de novas oportunidades, de novas frentes de trabalho, mas, também, de toda uma complexidade comportamental. Muito se fala, inclusive, sobre os efeitos das redes sociais na autoestima e na saúde mental dessas pessoas.

Os millennials começaram a trabalhar quando o mundo experienciava a crise de 2008, que explodiu primeiro nos Estados Unidos, e depois no por aqui, no Brasil. Isso, de cara, gerou problemas estruturais sérios, que vão de um início de carreira turbulento e mal-remunerado, até dívidas estudantis gigantescas, principalmente quando se fala no país norte-americano.

Agora, vive também uma pandemia e toda a insegurança que ela traz. Verdade seja dita, a geração mais ansiosa do mundo não é a millennial - esse título fica para os mais novos, membros da geração Z -, mas, também sem saber que caminho seguir, a nossa geração não se vê muito atrás em termos de ansiedade e depressão.

O problema do millennial é a quantidade infindável de opções que ele sempre teve, fruto de uma situação de vida muito mais confortável que seus pais, filhos da Segunda Grande Guerra, e que priorizavam a estabilidade e a segurança financeira depois que seus pais - ou seja, os avós dos millennials -, passaram por crises como a de 1930 e, claro, o boom de um conflito mundial.

Falamos também de um viés privilegiado. Privilégio, esse, que ficou muito mais latente nos últimos anos, ainda mais com a pandemia. Se, para os 10% mais ricos, a perda financeira ficou em torno de 3% desde 2020, para os mais 40% pobres, esse número é alarmante: 30% de queda na renda familiar, segundo a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio.

A falta de estabilidade se apresenta também de outro jeito: ao invés de querer comprar uma casa, como era o sonho dos seus pais, o millennial prefere viver de aluguel. Não só porque tem o costume de emendar um emprego no outro - e dizer adeus às férias -, como também por falta de recursos. Comprar um imóvel é, também, muito mais caro do que naquele tempo - com a alta do dólar e da procura pelos materiais de construção, acredita-se que o valor de imóveis cresça de 5% a 10% este ano.

Aliás, lidar com a vida adulta como um todo parece uma dificuldade - e esse é um dos motivos para a nossa geração ser considerada mimada. Ouvimos de nossos pais, muitas vezes, que podíamos fazer o que quiséssemos, quando quiséssemos, e as dificuldades de viver como "gente grande" muito depois de termos saído das casas dos pais é real.

De fato, somos uma geração resiliente e exploradora. Entramos na internet quando "tudo era mato", navegamos por muitas das mudanças que aconteceram aqui dentro e do lado de fora e, sim, buscamos uma vida ideal e com propósito - o que leva os nossos índices de depressão no céu.

Uma pesquisa da BlueCross divulgada em 2019 mostrava um aumento de 31% nos relatos de depressão entre jovens millennials nos Estados Unidos e de 29% quando o assunto é hiperatividade. No geral, esses números indicam um aumento da taxa de mortalidade de pessoas até 35 anos de até 40% naquele país. O mais impressionante é que, em teoria, não há um motivo específico para esse aumento como para as gerações anteriores, que lidavam com uma epidemia de AIDS ou com a Guerra do Vietnã, por exemplo.

E, sim, é fato que a pandemia de coronavírus têm um impacto nesses números, mas até então, ela nem mesmo fazia parte do radar do estudo.

Há vantagem em ser millennial, no fim das contas?

Talvez apenas uma: o senso de idealização. Típico dessa geração, que sonha alto e brinca com as possibilidades que têm, é ele que dita muitos dos trabalhos e empresas que, hoje, têm como ponto central um propósito claro, que tanto considera o contexto em que vive, quando o meio ambiente. Somos também uma geração mais mente aberta e adaptada às mudanças que nossos pais e avós e é possível ver como a criação de nossos filhos será bem diferente - no mínimo, com mais liberdade e menos apego às ideias do passado de feminino e masculino.

De fato, ser millennial não tem sido fácil e parece que vai continuar sendo muito complicado - ainda há de se ver o efeito real da pandemia no poder de compra dessas pessoas e até mesmo no impacto macro na economia mundial. Só podemos torcer que, pelo menos, não precisemos lidar com mais uma grande crise.

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