Fala-se tanto de violência contra mulher e os casos só pioram

Marcela De Mingo
Milena Bemfica (Foto: Instagram)
Milena Bemfica (Foto: Instagram)

Não foi um ano simples: em 2019 falamos muito sobre violência contra a mulher, mas os casos, infelizmente, continuam aparecendo - e cada vez piores. Na última terça-feira (17), Milena Bemfica, esposa do goleiro do São Paulo, Jean, publicou uma série de vídeos em sua página no Instagram explicando que tinha sido agredida por ele.

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Nas imagens, que você consegue ver abaixo, Milena diz que estava trancada no banheiro da casa em que estava em Orlando (EUA) e que o marido tinha a agredido fisicamente. É possível até mesmo ver uma parte da bochecha dela inchada e roxa.

"Eu quero Justiça!", diz ela em um trecho dos Stories, que já foram deletados da sua conta desde então. Ao que tudo indica, Jean foi detido pela polícia local e as investigações estão seguindo o curso. Também nos Stories, Milena colocou um novo vídeo dizendo que já estava em outro lugar com as filhas e que está bem, apesar de estar sem WhatsApp para se comunicar.

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É óbvio que o mais importante neste momento é que a polícia tome as devidas providências para saber exatamente o que aconteceu e manter Milena e os filhos em segurança.

Ao mesmo tempo, não podemos deixar de questionar porque casos de violência como esse continuam acontecendo em um momento em que a conversa sobre o assunto está tão presente. 2019, definitivamente, foi um ano em que o assunto entrou em pauta e a busca pelos direitos das mulheres e por igualdade de tratamento e combate à violência ganhou força.

Caso você tenha perdido o bonde, existe um motivo para que esse assunto esteja tão presente: vivemos um novo momento em que atos de violência têm cada vez menos justificativas e proteção do Estado e o movimento de empoderamento das mulheres têm mudado a forma como lidamos com essa realidade. Porque a violência contra a mulher é, sim, uma realidade.

Segundo um levantamento do Ministério da Saúde, a cada quatro minutos uma mulher é agredida por um homem e sobrevive para contar a história. Só em 2018, foram registrados um total de 145 mil casos de violência, que vão de agressões físicas a abusos sexuais ou psicológicos, e em que essas mulheres sobreviveram também.

Os dados mostram ainda que, nos últimos anos, o número de casos de violência contra a mulher que são reportados aumentaram - acredita-se que, em média, mais de 50% deles eram omitidos pelas vítimas. Não é possível mensurar, porém, se o número de casos aumentou porque as denúncias a esse respeito cresceram ou se a violência, em si, aumentou.

Outro ponto chocante das pesquisas é que, em 70% dos casos, a agressão acontece dentro de casa. Ou seja, a mulher é agredida por um marido, pai, irmão, padrasto, ex ou atual marido.

Aliás, no mundo inteiro a situação em torno da violência contra as mulheres é tão séria que, no ano passado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, chamou a questão de uma "pandemia global".

“No seu âmago, a violência contra as mulheres e meninas, em todas as suas formas, é a manifestação de uma profunda falta de respeito, o fracasso dos homens em reconhecer a igualdade e a dignidade inerentes às mulheres. É um problema de direitos humanos fundamentais”, disse ele, em um evento que aconteceu na sede da Organização, em Nova York.

Vale lembrar ainda que, em termos globais, aproximadamente 35% das mulheres do mundo já disseram ter sofrido algum tipo de violência, física ou sexual. E 38% dos feminicídios - isto é, do assassinato de mulheres - o assassino é o parceiro íntimo da vítima.

Mais agressões

Na última semana, a influencer Monick Camargo também usou as redes sociais para relatar o seu caso de violência contra o noivo. No relato, ela conta como ficou duas horas na delegacia esperando para fazer o boletim de ocorrência - porque havia por lá uma fila com outras mulheres esperando para fazer a mesma coisa. Monick se casaria no próximo fim de semana, mas avisou que a cerimônia, por motivos óbvios, estava cancelada.

Fato é: já existem muitas campanhas sobre o assunto, cada vez mais mulheres têm encontrado a coragem para contarem as suas histórias - Melissa Benoist foi outra recente -, e, com a cultura do cancelamento tão instaurada, é difícil esperar que mais casos como o de Milena passem despercebidos. Resta saber em que momento a sociedade vai encarar uma mudança de postura que entende que violência não é, nem nunca será, a solução para qualquer problema, e que as mulheres merecem, sim, o devido respeito.

Importante ressaltar que é possível denunciar casos de violência contra a mulher de forma anônima através do número 180.