Milícias dominam 57% do território no Rio (estudo)

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(Arquivo) O domínio das milícias atingiu 57,5% da área do Rio de Janeiro em 2019
(Arquivo) O domínio das milícias atingiu 57,5% da área do Rio de Janeiro em 2019

As milícias controlam mais da metade do território do Rio de Janeiro, implantando o terror nos bairros onde vivem cerca de 2,2 milhões de pessoas, aponta estudo publicado nesta segunda-feira (19). 

O domínio desses grupos criminosos, que usam a violência para extorquir os moradores, atingiu 57,5% da área da cidade em 2019, presente em 41 bairros nos quais vivem quase um terço da população (33,1%). 

O estudo inédito, uma colaboração entre duas universidades, duas plataformas digitais independentes e uma central pública de denúncias, mostra que, nos últimos anos, as milícias ganharam espaço frente aos traficantes de drogas no "Mapa dos grupos armados do Rio de Janeiro". 

Esses grupos, representados nesse mapa em azul no território do Rio, dominam grandes áreas da zona oeste, local onde surgiram, mas também estão presentes em vários bairros da zona norte, tradicionalmente dominados pelo tráfico.

"A extensão do domínio das milícias no Rio de Janeiro impressiona pelo fato que esses grupos passaram a se organizar no seu formato mais recente no início dos anos 2000, enquanto o Comando Vermelho se forma ainda no final dos anos 1970 e o Terceiro Comando e o Amigo dos Amigos nos anos 1990", explicam os autores da pesquisa em comunicado. 

Formadas em sua maioria por ex-policiais e agentes corruptos, inicialmente as milícias foram vistas pela população e pelas autoridades como um mal menor, ou mesmo como uma alternativa para combater os grupos do tráfico. 

Porém, desde seu surgimento, os grupos se sofisticaram a ponto de se tornar verdadeiras máfias, dominando bairros inteiros com práticas de extorsão, comércio ilegal de serviços básicos e disputas armadas. 

Recentemente, as autoridades desmontaram um grupo que se apropriava ilegalmente de terrenos para construir e vender casas sem as licenças necessárias na zona oeste do Rio. 

Dois prédios construídos desta forma desabaram em abril de 2019, causando mais de 20 mortes. 

O estudo foi realizado pelo Grupo de Estudos de Novas Ilegalidades (GENI) da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pelo Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da Universidade de São Paulo (USP), com a colaboração das plataformas Fogo Cruzado e Pista News. 

Os pesquisadores também usaram dados do Disque Denúncia, um serviço público para denunciar anonimamente atividades criminosas. 

Na semana passada, 12 supostos integrantes de uma milícia foram mortos pela polícia durante uma abordagem ocorrida na periferia do Rio. 

A operação foi comandada por um grupo policial criado recentemente para combater o avanço das milícias, depois que dois candidatos a vereadores nas eleições municipais de novembro foram assassinados nos subúrbios da Zona Norte da cidade.

lg/pt/cls/mel/bn