Miguel Falabella assina novas produções do Disney+ e lembra saída da Globo

ANA BEATRIZ GONÇALVES
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*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL, 12/03/2020 - o diretor Miguel Falabella. (Foto: Greg Salibian/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL, 12/03/2020 - o diretor Miguel Falabella. (Foto: Greg Salibian/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Miguel Falabella, 64, ainda não tem planos de voltar para a televisão aberta, mas também não descarta essa possibilidade. O ator, escritor e diretor que estava há 38 anos na Globo, onde realizou sucessos como "Toma Lá, Dá Cá" e "Sai de Baixo", afirma que a demissão da antiga casa não foi pessoal e não estremeceu sua relação com a emissora.

"Como eu posso guardar mágoas de um lugar em que passei a minha vida inteira? Fui muito bem tratado", diz em conversa ao telefone com o F5. "Não sou um 'coitadinho', aquilo não é uma ONG, é uma empresa. Não houve constrangimento, foi tranquilo e feito de uma maneira elegante", completa.

Falabella não foi pego de "calça curta", como gosta de dizer, e também não se surpreendeu com as demissões de outros artistas renomados, como José de Abreu, Malu Mader, Carolina Ferraz e Bianca Bin. Para ele, se trata de uma política já esperada. "Eles sabem o que fazem, assim como eu também".

A prova de que o artista sabe mesmo o que faz é agora sua parceria com a gigante de entretenimento, Disney. Em breve, ele começa a produzir dois novos projetos para a plataforma de streaming Disney+, que devem ser lançados em 2021 -sem contar a animação "Os Óculos Mágicos de Charllote", escrita por ele e Suppa, já lançada no canal Disney Júnior e também disponível no streaming.

"Vou fazer um papel menor só para dar o ar da graça, porque estou com saudades de atuar. Vai ser bem bonito, uma pegada meio 'Glee'", explica o artista. Além disso, o espetáculo "O Som e a Sílaba", escrito por ele e já conhecido pelo público, também vai virar uma minissérie.

Mesmo com tantos planos para os canais digitais -que incluem também um canal no YouTube-, Miguel Falabella não fecha as portas para a televisão aberta. "Não briguei com ninguém, muito pelo contrário, tenho amigos de uma vida inteira. Se for um convite que me interessa, faço com o maior prazer", ressalta. Algumas especulações até já foram feitas após a participação do artista no programa "Talentos" (Cultura), em agosto deste ano, mas, segundo ele, eram notícias falsas e que o incomodaram bastante. "Fiz uma participaçãozinha. O povo fica inventando, não tem o que falar. Brasileiro é muito irresponsável com notícia. Nem ganhei cachê para fazer o programa com o Jarbas."

Consagrado na dramaturgia e nos palcos de teatro, o ator chegou a se apresentar no início de novembro com a peça "A Mentira", em cartaz desde 2019, e que teve a agenda cancelada este ano devido à pandemia do novo coronavírus. Apesar de dizer que a experiência foi contagiante, foi nessa época que Falabella contraiu a Covid-19.

Hoje, após se recuperar da doença, que não lhe causou grandes sintomas, ele avalia a situação como um susto. "Sempre tomei todas as precauções, não saia, não estava exposto, só saí para fazer a peça. Lá no teatro, seguimos as medidas de segurança, mas mesmo assim... é difícil." O espetáculo aconteceu no Teatro Santander, em São Paulo.

Animado com a possibilidade da vacinação em breve, Falabella avalia como algo urgente e necessário para a vida voltar ao "ritmo normal". "Estou louco por essa vacina, acho que é fundamental para todos nós, estamos precisando."

Em seu período de isolamento social, vivido em seu apartamento no Jardins, região central da cidade de São Paulo, Falabella conta que a leitura e exercícios físicos foram os seus principais passatempos. "Uma vez, meu terapeuta disse: 'Descubra que você é uma excelente companhia para você mesmo'. E ele tinha razão, eu descobri mais uma vez nessa pandemia, que posso ser uma ótima companhia."

Quanto aos planos para as festas de fim de ano, Falabella conta que pretende passar o Réveillon com os filhos afetivos. "Não vai ser nada demais, mas vamos fazer alguma coisinha por aqui mesmo [em casa]", afirma ele, que é reservado em relação à vida pessoal e a dos filhos de criação.

POLÍTICA EM 2020

Em um ano com muitas manifestações de artistas sobre a política nacional, principalmente sobre o presidente Jair Bolsonaro e a curta nomeação da atriz Regina Duarte na Secretaria Especial da Cultura, Miguel Falabella prefere não "polemizar" sobre os assuntos,.

"Não me posiciono sobre essas coisas. É claro que jamais assinaria embaixo desse governo, não assino, ninguém em sã consciência assinaria... Uma pessoa completamente despreparada para ocupar o cargo, mas eu não vou usar as minhas páginas para isso", afirma. "O que eu escrevo, meu trabalho, mostra muito bem o que eu penso."

Falabella é dono de vários sucessos na televisão como "Salsa e Merengue" (1996), "A Lua Me Disse" (2005), "Negócio da China" (2008), "A Vida Alheia" (2010), e outros. Ele diz que o único lugar em que faz política é em seu universo dramatúrgico. "Eu faço a comédia de tolerância, meus personagens são completamente políticos", afirma ele, que chegou a receber cartas de ódio pelo casal lésbico em "Pé na Cova" (2013), interpretado por Luma Costa (Odete) e Mart'nália (Tamanco).

"Já sofri muita represália, mas não ligo. Se você realmente não incomoda ninguém é aí que tem algo de errado. Fazer o que... coitadas dessas pessoas. Mas é importante que elas vejam, que na maior televisão do país tem um pai casando a filha com outra mulher."