Mia Khalifa: atrizes pornôs não podem casar?

Por que atriz pornô não pode se casar? (Foto: Reprodução/Instagram)

Se você pensou "não" ao ler o título deste texto, talvez seja o momento de rever os seus conceitos. No começo dessa semana a ex-atriz pornô Mia Khalifa viralizou ao postar na sua página no Instagram um vídeo em que aparece experimentando um vestido de noiva. 

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Nas imagens, que você pode ver abaixo, a libanesa aparece na loja da estilista Vera Wang experimentando um vestido bufante, com ajustes a serem feitos nas costas, e complementa o look com uma coroa. Se esse vai mesmo ser o look de casamento da ex-atriz, não sabemos, mas o foco aqui é outro. 

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Mia ficou noiva do chef de cozinha Robert Sandberg no começo deste ano e, sim, vai se casar em breve - o casamento costuma ser o resultado de um noivado, via de regra. Porém, o que chamou a atenção foi a quantidade de comentários preconceituosos que surgiram nas redes sociais sobre o assunto. 

Se você não sabe, a atriz teve uma carreira de muito sucesso, porém bastante curta, na indústria pornográfica. Em 2014, aos 21 anos, ela decidiu entrar para o ramo depois de ser abordada por um homem na rua, que a convidou “para fazer um trabalho de modelo”. A fama foi meteórica, principalmente depois de aparecer em um filme usando um hijab, um tradicional véu islâmico - trabalho esse que lhe rendeu ameaças vindas do Estado Islâmico. A jovem se aposentou no ano seguinte e, hoje, trabalha como comentarista esportiva. 

Um dos comentários que mais chamou a atenção sobre o vídeo acima surgiu no Twitter: A Mia Khalifa vai casar e você com medo de assumir a tua mina aí". Ele é problemático por muitos motivos, mas o principal é porque deduz que mulheres que tiveram uma carreira como a de Mia não são dignas de casamento - ou de uma vida como qualquer outra. 

Mulheres que têm trabalhos relacionados ao sexo - como atrizes pornôs ou até prostitutas -, costumam ser julgadas e até excluídas de uma ideia de vida comum, com sonhos como o de qualquer pessoa. Casar, ter filhos ou ter uma aposentadoria, por exemplo, parece não se aplicar a elas. 

Porém, acredite, esses são trabalhos como quaisquer outros e, sim, Mia merece um casamento feliz se isso é o que ela deseja. No caso da atriz, é o seu sonho ter uma vida normal e deixar o passado no passado. 

Como já contou para à BBC, Mia explica que tem consciência que a decisão de entrara na indústria foi totalmente sua, mas que não esperava a repercussão que isso teria a longo prazo - para ela, os filmes seriam como um segredo só seu.

Agora, ela sente como se vivesse algum tipo de estresse pós-traumático: ela diz que não consegue andar na rua sem a sensação de que as pessoas estão vendo por baixo da sua roupa e que ela perdeu totalmente a privacidade - afinal, vídeos seus de conteúdo altamente explícito seus estão a um clique de distância, ainda gerando fortunas para os grandes produtores da pornografia. 

Na última semana, tivemos alguns casos que nos mostram também como o corpo feminino é objetificado - primeiro, com uma foto de Mel Maia de biquíni e, depois, com uma imagem de Isis Valverde amamentando o filho. Os corpos das mulheres sempre foram vistos como objetos sexuais ao longo da história, a objetificação só fica mais escancarada quando a própria mulher trabalha ou trabalhou usando o corpo como ferramenta.

É como se, simplesmente por ter trabalho na indústria do pornô, Mia fosse só um objeto cenográfico utilizado para alimentar uma indústria milionária e um ideal feminino que, claramente, não condiz com a realidade. Já é sabido que o pornô é um dos fomentadores de uma visão degradante das mulheres na sociedade, assim como um veículo de ensino perigoso sobre relações sexuais. Sempre com muita violência e agressividade, sabe-se que meninos acabam aprendendo que o sexo é um jogo de poder e refletem isso, depois, nos seus próprios relacionamentos.

De qualquer maneira, só podemos desejar que Mia seja feliz no seu casamento e que, de fato, consiga viver a vida que sempre sonhou.