Meu filho não desgruda do peito; como resolver?

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Meu filho não desgruda do peito; como resolver?Foto: Getty Images
Meu filho não desgruda do peito; como resolver? Foto: Getty Images

Após seis meses de idade, as crianças passam a não depender exclusivamente do peito e leite materno para manter seu organismo saudável e continuar o crescimento natural, e devem introduzidas às primeiras refeições de alimentos sólidos, como frutas, e verduras e outras escolhas necessariamente naturais. Se antes as mamadas aconteciam três vezes ao dia (ou mais, a depender dos costumes da família), depois de completar um ano, a recomendação comum é que o limite seja por volta de meio litro.

As mães podem seguir com a amamentação por hábito, mas embora não haja um limite pré-determinado de até quando os pequenos devem receber o leite, após deixar de ser uma necessidade nutricional, os especialistas aconselham não manter o ato por muito tempo, já que isso pode atrapalhar o desenvolvimento do pequeno, sobretudo no âmbito emocional.

Mas se mesmo seguindo a introdução alimentar de forma equilibrada, seu filho ainda pede para mamar constantemente e chora quando você o afasta do peito, especialistas consultados pelo Yahoo, apontam alguns fatores que merecem atenção:

Necessidade afetiva da mãe

Nos primeiros meses de vida, a criança ainda está aprendendo a viver do lado de fora. “No útero, não sente frio, calor, não tem evacuação, não sente fome... E ainda tem limites, a parede do útero da mãe. Depois, o colo é seu novo ninho, e ele pode passar a querer a presença materna o tempo todo”, avalia Sandi Sato, pediatra da Maternidade Brasília.

Mas se o fator é psicológico, como resolver? “O melhor jeito de conseguir tirar uma criança do seio é simplesmente fazendo-o”, opina Nelson Douglas Ejzenbaum, médico pediatra e neonatologista pós-graduado em alimentação infantil pela Nestlé Nutrition Internacional.

“A criança deve ser respeitada e acolhida, mas a separação, para ser efetiva, precisa de certa rigidez. Não se deve oferecer o peito somente em um determinado horário ou no outro, por exemplo, porque isso causa confusão mental”, afirma.

Além disso, assim como a criança pode ter necessidade afetiva extrema da mãe, o apego emocional também pode vir do outro lado, com as mães querendo manter a amamentação por mais tempo para ter os bebês por perto. Assim, um apoio psicológico – de rede de apoio familiar ou de um profissional qualificado – pode ser indicado para tratar a ansiedade de separação.

Demanda nutricional

Quando o bebê está se alimentando exclusivamente de leite materno, por ser mais facilmente digerido, o pequeno possui mais necessidades nutricionais e precisa mamar com mais frequência. No entanto, se a criança está perdendo peso (ou tem muita dificuldade em ganhar), outras possíveis causas devem ser investigadas com um pediatra.

Para as crianças maiores, o mais importante para que não haja deficiência nutricional é manter uma dieta equilibrada – deixando de lado os alimentos processados e contando com a ajuda de um pediatra ou nutricionista.

Disfunção oral

Alguns bebês podem apresentar distúrbios orais que o impedem de extrair a quantidade de leite necessária. Desta forma, como eles não conseguem mamar uma quantidade suficiente de leite, solicitam as mamas de forma mais intensa. No entanto, na maioria dos casos, as lesões são visíveis. O quadro exige um acompanhamento próximo de um médico para que o bebê possa se desenvolver bem.

Baixa produção de leite

“Se a mãe não está bem, o bebê também sente, e isso pode até refletir na produção do leite”, afirma Sato. Assim, a criança menor pode pedir para mamar com mais frequência se não consegue extrair a quantidade suficiente de leite.

A especialista afirma que cada quadro deve ser analisado individualmente, de acordo com a realidade de cada família, mas que ter uma rede de apoio forte pode ajudar. “São pessoas próximas que possam garantir, ao menos em determinados momentos, que a mãe não tenha outras atividades, minimizando a carga dela e proporcionando descanso.”