Meu filho está sofrendo bullying. O que devo fazer?

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O bullying pode ter várias formas e, quando seu filho diz que está sofrendo algum tipo de agressão, ou você suspeita disso, pode ser difícil saber o que realmente está acontecendo.

Seja algum tipo de rejeição ou uma "provocação" cruel no Snapchat, o bullying pode arruinar vidas. As escolas podem até dizer que não permitem esse tipo de comportamento, mas é praticamente impossível controlar o bullying nas redes sociais, a menos que as crianças confiem em um adulto.

Estamos na semana de combate ao bullying e, apesar da maior conscientização sobre os problemas de saúde mental, parece que nem todas as pessoas captaram a mensagem.

A rejeição faz parte do bullying e pode ser muito prejudicial. (Foto: Reprodução/ Getty Images)
A rejeição faz parte do bullying e pode ser muito prejudicial. (Foto: Reprodução/ Getty Images)

Uma pesquisa feita pela Anti-Bullying Alliance constatou que um em cada cinco (21%) estudantes na Inglaterra relataram sofrer bullying "com frequência ou sempre", sendo que 1 em cada 22 (4,6%), que equivale a mais de um por sala de aula, dizem que "apanham, são chutados ou empurrados" por outras crianças.

Enquanto isso, um em cada doze é "provocado com frequência", um em cada 14 diz que costuma ser xingado e um em cada 16 diz que é criticado por ser "diferente".

A crueldade na infância pode deixar cicatrizes mentais duradouras e tornar as memórias do tempo de escola um tormento. No passado, os professores faziam vista grossa, e os pais viam a situação como "apenas uma brincadeira", sem saber que qualquer forma de bullying pode ser prejudicial.

Embora as consequências agora sejam reconhecidas, pode ser mais difícil do que nunca conter as ofensas, pois muitas delas ocorrem online e fora do horário escolar. Portanto, o que fazer se você souber, ou tiver fortes suspeitas, de que seu filho está sendo alvo de bullying?

O bullying online pode ser difícil para os pais reconhecerem. (Foto: Reprodução/ Getty Images)
O bullying online pode ser difícil para os pais reconhecerem. (Foto: Reprodução/ Getty Images)

Em primeiro lugar, não entre em pânico, diz Tanith Carey, autora do livro The Friendship Maze: How to help your child navigate their way to positive, happier, friendships.

"Se seu filho disser que está sofrendo bullying, mantenha a calma. Por maior que seja a indignação, resista à tentação de defendê-lo e perder a cabeça. Nesse momento, o que ele mais precisa é de um ponto de apoio".

"Em seguida, verifique o que realmente está acontecendo", ela aconselha. "Lembre-se de que bullying não é sinônimo de maltrato. O bullying é um abuso repetitivo e intencional, com o objetivo de causar danos de propósito. Além disso, é praticado por uma criança socialmente mais influente do que a outra".

"Se dois ex-amigos que se desentenderam estão brigando, isso não é bullying. Mas seu filho pode precisar de ajuda para controlar o conflito".

Leve o problema a sério

Se você tem certeza de que é realmente bullying, leve a sério, aconselha Carey. "É fundamental apoiar seu filho, principalmente se ele estiver se sentindo vitimizado e desvalorizado. Veja álbuns de família antigos com ele para relembrar os tempos felizes. Diga que esse sentimento ruim é passageiro e que ele não vai se sentir assim para sempre", ela acrescenta. "Ajude seu filho a ser gentil consigo mesmo e incentive-o a fazer atividades para se sentir melhor, seja um exercício ou algum tipo de artesanato".

"Diga que você o ama e que ele não tem culpa dessa situação. Sugira que ele se encontre com amigos que não são da escola para se sentir querido e valorizado".

Explique porque o bullying acontece

Uma das piores coisas para as crianças que sofrem bullying é se perguntar por que isso acontece com elas, diz Carey. "Não deixe seu filho pensar 'Por que eu?'. Explique que ele não é um covarde ou um perdedor porque sofre agressões. As crianças escolhem o alvo por motivos pessoais complexos e, às vezes, porque se sentem ameaçadas".

O agressor pode se sentir vitimizado em casa ou se sentir ignorado e frágil. Ele pode estar tentando agradar as crianças mais populares. Explique ao seu filho que o bullying tem mais a ver com o agressor do que com o agredido.

Ajude seu filho a se sentir fortalecido, deixando-o saber que pode falar abertamente. (Foto: Reprodução / Getty Images)
Ajude seu filho a se sentir fortalecido, deixando-o saber que pode falar abertamente. (Foto: Reprodução / Getty Images)

Ajude-o a se sentir empoderado

"É importante que ele se sinta empoderado e não a vítima", diz Tanith Carey.

"Ajude-o a definir a melhor forma de responder. Independentemente dos motivos, as outras crianças sentirão que podem continuar com o bullying se acreditarem que ele está com medo de expressar o que está sentindo".

"É mais provável que elas recuem se seu filho se posicionar e disser que contará a um adulto, deixando claro que não é um alvo fácil".

"Mesmo que não consiga o resultado que espera, seu filho já sai do papel de vítima. Uma solução recomendada por educadores e orientadores é ensiná-lo a dizer imediatamente: 'Não gosto quando você diz/faz isso. Quero que você pare".

Anote tudo

Se esse tipo de comportamento persistir, ela recomenda fazer um registro com seu filho. "Se a prática de bullying continuar por um longo período, peça para o seu filho anotar o que aconteceu, quando aconteceu e quem estava envolvido. Se o bullying for online, guarde as provas: salve ou copie fotos, vídeos, textos, e-mails ou publicações em redes sociais. Faça capturas de tela de todas as mensagens".

Entre em contato com a escola

Ir ver o diretor ou um professor pode parecer um último recurso, mas pode acabar com o bullying. (Foto: Reprodução/ Getty Images)
Ir ver o diretor ou um professor pode parecer um último recurso, mas pode acabar com o bullying. (Foto: Reprodução/ Getty Images)

Se nada disso funcionar, você terá que ir até a escola. "Como pai ou mãe, tente lidar com a situação da forma mais prática possível para evitar maiores danos".

"Peça para os professores monitorarem a situação ao longo do tempo, prestarem atenção na dinâmica social e apoiarem o seu filho caso seja necessário".

A instituição beneficente Kidscape fez uma pesquisa para destacar a semana de combate ao bullying deste ano e o dia da amizade, em 19 de novembro.

Para a tranquilidade de todos, os dados da pesquisa revelaram que "as crianças relataram bons níveis de gentileza de outras crianças e funcionários nas escolas. A maioria dos alunos considera seus colegas e professores gentis e, de modo geral, se sentem à vontade para falar com os professores sobre qualquer problema ou preocupação".

Aproximadamente 78% das crianças concordam que podem falar com um professor se estiverem tristes, assustadas ou preocupadas, enquanto três quartos delas concordam que as pessoas na escola são gentis com elas.

Cerca de 94% das crianças afirmam ser gentis com outras pessoas na escola e 88% das crianças concordam que os professores  em sua escola são atenciosos.

Se você suspeita que seu filho está sofrendo bullying, mas não fala sobre o assunto, a Kidscape indica alguns sinais que devem ser observados:

  • Qualquer mudança de comportamento (agitação, silêncio, irritação, tristeza)

  • Medo de ir para a escola ou participar das atividades habituais

  • Indisposições estomacais e dores de cabeça inexplicáveis

  • Alterações no sono

  • Enurese noturna

  • Lesões

  • Ansiedade após usar telefones ou tablets

  • Pertences perdidos ou roubados

"É natural sentir raiva e ficar chateado se seu filho estiver sofrendo bullying", aconselham. "Mas descontar esses sentimentos na equipe da escola ou em outros pais não vai impedir o bullying. Mantenha a calma para conseguir a ajuda necessária para resolver a situação".

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