'Meter o dedo na energia': Diretora da Eletrobras pede explicações ao governo sobre fala de Bolsonaro

Redação Notícias
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Diante da ação inesperada do presidente, criou-se uma crise de confiabilidade nas políticas do governo. Só na segunda-feira (22), <a href="https://br.financas.yahoo.com/noticias/bolsonaro-agiu-e-economia-implodiu-entenda-a-segunda-feira-caotica-no-mercado-223825237.html" data-ylk="slk:ações da Petrobras desabaram mais de 20%;outcm:mb_qualified_link;_E:mb_qualified_link;ct:story;" class="link rapid-noclick-resp yahoo-link">ações da Petrobras desabaram mais de 20%</a> (Foto: Agência Brasil)
Diante da ação inesperada do presidente, criou-se uma crise de confiabilidade nas políticas do governo. Só na segunda-feira (22), ações da Petrobras desabaram mais de 20% (Foto: Agência Brasil)

A diretora da área financeira e de relação com investidores da Eletrobras, Elveira Cavalcanti, enviou nesta terça-feira (23) uma carta ao Ministério de Minas e Energia pedindo explicações sobre a declaração do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) onde prometeu “meter o dedo na energia”, interferindo no setor elétrico.

"Assim como eu dizia que queriam me derrubar na pandemia pela economia fechando tudo, agora resolveram me atacar na energia", disse Bolsonaro. "Vamos meter o dedo na energia elétrica que é outro problema também”, concluiu a apoiadores em Brasília no sábado (20).

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De acordo com o G1, a diretora da Eletrobras afirmou que seja comunicado à companhia informações que possam ser consideradas relevantes sobre a empresa.

"Solicitar que seja comunicado formalmente a esta companhia se as notícias em referência são verdadeiras e/ou se existem estudos ou informações ou aprovações internas e externas a respeito do processo que devem ser divulgadas ao mercado, por meio de Fato Relevante", diz trecho do documento.

Elveira ainda lembrou que a Eletrobras tem ações nas bolsas de valores de São Paulo, Nova York e Madri e que a divulgação de informações deve obedecer critérios de mercado.

"Esclarecemos que a Instrução 358/2002 da Comissão de Valores Mobiliários — CVM, e suas alterações, bem como a Política de Divulgação e Uso de Informações Relevantes das Empresas Eletrobras, estabelecem o dever de sigilo relativo a ato ou fato relevante aos quais determinadas pessoas tenham acesso privilegiado em razão do cargo ou posição que ocupam, até sua divulgação ao mercado", diz outro trecho da carta.

TROCA DE COMANDO DA PETROBRAS

Na sexta-feira (19), Bolsonaro usou sua conta no Facebook para divulgar uma nota assinada pelo Ministério de Minas e Energia indicando o nome do general Joaquim Silva e Luna para assumir os cargos de conselheiro e presidente da Petrobras após o encerramento do mandato do atual CEO da companhia, Roberto Castello Branco.

"Semana que vem deve ter mais mudança aí... E mudança comigo não é de bagrinho não, é tubarão", afirmou o presidente.

Mais cedo, durante evento em escola militar em Campinas (SP), o presidente já havia antecipado que na próxima semana deve vir uma nova substituição de autoridade.

Aos apoiadores em Brasília, Bolsonaro disse ainda que "parecia um exorcismo" quando anunciou que não prorrogaria o mandato de Castello Branco. Ao reafirmar que não estaria interferindo na Petrobras, disse que "estavam abusando" nos aumentos de preços dos combustíveis.

"Compromisso zero com o Brasil. Nunca ajudaram em nada... não é aumentando o preço de acordo com o petróleo lá fora ou o dólar aqui dentro, é mais do que isso. A preocupação é ganhar dinheiro em cima do povo", afirmou, acrescentando que não se justificaria um reajuste de 32% do óleo diesel neste ano.

Diante da ação inesperada do presidente, criou-se uma crise de confiabilidade nas políticas do governo. Só na segunda-feira (22), ações da Petrobras desabaram mais de 20%. A estatal perdeu R$ 74 bilhões em valor de mercado.

O Conselho de Administração da Petrobras está reunido nesta terça para confirmar ou não a indicação de Silva e Luna ao cargo.