Metade das mães de primeira viagem sente culpa por causa da amamentação, revela nova pesquisa

Uma nova pesquisa revelou que muitas mães sofrem de culpa por causa da amamentação [Foto: Getty]

A culpa é algo com o que muitas mães lutam, mas uma nova pesquisa revelou o quanto a amamentação contribui com essa culpa.

A pesquisa, encomendada pelo programa Woman’s Hour (Hora da Mulher) da BBC Radio 4 e pela BBC Radio Sheffield, revelou que metade das mães de primeira viagem sentiam que estavam prejudicando o bebê quando tinham dificuldade para amamentar.

Enquanto isso, mais de um terço das 1.162 entrevistadas admitiu sentir vergonhar por precisar alimentar seus bebês com leite de fórmula.

Ilustrando as diferentes experiências de amamentação que muitas mães passam, a pesquisa também descobriu que, enquanto dois terços das mulheres que amamentaram dizem que essa foi uma das melhores partes de ser mãe (66%), metade (49%) diz que foi uma das partes mais difíceis.

A pesquisa investigou os fatores que afetam o modo como as mulheres escolhem alimentar seus bebês, incluindo a pressão de outras pessoas ao redor, saúde psíquica e a aptidão em amamentar.

Outras descobertas da pesquisa revelam que um terço das mulheres que amamentaram sofreram pressão da sociedade para amamentar a criança (33%) e três a cada dez mulheres que deram fórmula ao bebê (de forma exclusiva ou em adição à amamentação) dizem que gostariam de ter amamentado, mas sentiam vergonha de fazê-lo em público (30%).

Isso ocorre talvez por causa da humilhação que algumas mães passaram por amamentar em público.

No ano passado, uma mulher foi humilhada por um shopping depois de escrever uma postagem no Facebook explicando que não conseguia encontrar um lugar para amamentar seu bebê nas instalações do shopping.

E em dezembro, uma mãe revelou que havia sido criticada por amamentar seu bebê na frente dos filhos mais velhos.

A Organização Mundial da Saúde recomenda a amamentação de forma exclusiva nos primeiros seis meses e que seja continuada a amamentação, depois desse período, juntamente com alimentos complementares apropriados até os dois anos de idade ou mais.

Mas em junho do ano passado, em 2018, a orientação do Colégio Real de Parteiras (RCM) publicou novas orientações para as mães, alegando que as mães não devem ser pressionadas a amamentar e que a escolha de alimentar usando mamadeira deve ser respeitada.

O novo conselho também enfatizou que as mães de primeira viagem deveriam receber apoio adequado se decidissem, após receberem todas as informações necessárias, utilizar a mamadeira.

A orientação marca uma mudança de posição em relação aos conselhos anteriores, enfatizando os “riscos” da alimentação com fórmula e, ao mesmo tempo, concentrando-se nos benefícios da amamentação.

Embora o novo conselho recomende que os bebês sejam amamentados somente no peito nos primeiros seis meses de vida, de acordo com o conselho da Organização Mundial da Saúde (OMS), o RCM reconheceu que algumas mães têm dificuldade para iniciar ou continuar a amamentação.

Enquanto a organização considerou o uso exclusivo do leite materno o “método mais apropriado de alimentação infantil” nos primeiros seis meses, fundamentalmente a decisão sobre como alimentar seu bebê é um direito da mulher.

Um terço das mães se sente culpada por não dar de mamar aos seus bebês [Foto: Getty]

A RCM também comentou sobre as últimas descobertas da pesquisa da BBC: “As mulheres não devem se sentir culpadas se estão com dificuldades para amamentar seu bebê ou se optam por não fazê-lo”, respondeu Clare Livingstone, assessora do Colégio Real de Parteiras (RCM).

“Embora as evidências mostrem claramente que a amamentação, de acordo com a orientação da OMS, traz excelentes benefícios para a saúde da mãe e do bebê, ela nem sempre é possível.”

“A realidade é que algumas mulheres, por diversas razões, lutam para conseguir iniciar ou manter a amamentação. Para algumas mulheres, mudar para o leite de fórmula é, na verdade, uma decisão, não uma escolha, pois elas precisam voltar ao trabalho, por exemplo, ou têm outros compromissos além do bebê.”

A organização diz que as mães que amamentam precisam ser apoiadas pelos serviços de saúde e respeitadas pela sociedade em geral, particularmente quando alimentam seus bebês em público.

“Esta pesquisa esclarece como é ser uma mãe no século XXI. A amamentação pode ser uma experiência muito positiva, mas há uma série de considerações nas vidas das mulheres que necessitam de atenção, apoio e compreensão.”

Sem dúvida, os resultados da nova pesquisa contribuirão para o debate em andamento sobre a melhor maneira de incentivar as mães a amamentar.

No ano passado, o departamento de Saúde Pública da Inglaterra desenvolveu uma nova ferramenta, oferecendo às mulheres ajuda para amamentar através da Alexa, secretária virtual da Amazon.

Se as mães fizerem perguntas específicas, Alexa pode dar conselhos sobre tópicos como por exemplo:  como fazer o bebê pegar o peito e a frequência de alimentação, e as respostas serão fornecidas sob medida para a idade do bebê.

A ferramenta foi criada após uma recente pesquisa com 1.000 mães que revelou que aproximadamente dois terços delas acreditam que o acesso a um apoio 24 horas por dia, 7 dias por semana, as tornariam mais propensas a ter uma experiência positiva de amamentação.

Enquanto isso, outro grupo profissional anunciou que acreditava que a importância da amamentação deveria ser ensinada às crianças a partir dos 11 anos.

O Colégio Real de Pediatria e Saúde Infantil (RCPCH) pediu que as escolas ensinem as crianças sobre os benefícios do aleitamento materno como parte das lições obrigatórias de educação pessoal, social e de saúde, que são ensinadas na escola.

Um novo documento de posicionamento sobre a amamentação também instou o governo a trazer uma regulamentação que assegure que os patrões apoiem a amamentação por meio de licença maternidade, pausas para a mãe amamentar e instalações adequadas para que as mães realizem a retirada do leite ou mesmo a amamentação.

Marie Claire Dorking