Mesmo vencedor, Arthur Aguiar se revolta contra inimigo que não existe no "BBB22"

Arthur Aguiar na reunião do
Arthur Aguiar na reunião do "BBB22" (Reprodução Globoplay)

O Dia 101 do "BBB22" foi uma experiência estranha tanto para os brothers quanto para o público que acompanhou o "climão" desnecessário que permeou a reunião após a final. Enquanto todos os confinados se divertiram ao voltar para casa, rever os colegas e discutir momentos chave da edição com Tadeu Schmidt, Arthur Aguiar entrou com cara de poucos amigos, se recusou a interagir com os colegas além de abraços protocolares e cumprimentos e rapidamente se isolou, com a desculpa de que "não queria falsidade".

A cena culminou em um momento inédito na história do BBB: mesmo vencedor do programa, milionário e com motivos de sobra para comemorar, Arthur se escondeu no quarto grunge e afirmou que preferia dormir do que participar das dinâmicas propostas pela Globo. "Vou tirar um cochilo e descansar, não reclamavam que eu só dormia aqui dentro? Então vou dormir mesmo porque estou cheio de compromissos", ironizou. Tiago Abravanel tentou buscar o amigo, mas não teve sucesso.

O que foi feito de tão cruel ou absurdo com Arthur para ele se recusar a interagir com os demais brothers? Ao assinar o contrato para participar do "BBB22", Arthur aceitou e se comprometeu a participar de um jogo fundamentalmente combativo, no qual nem todo mundo teria a mesma opinião que ele e um certo nível de stress, competitividade e discussões era esperado. Em papo com Ana Maria Braga, Arthur afirmou que entrou na casa para jogar, e foi fazendo suas estratégias a partir das narrativas que se desenrolaram aos poucos em seu convívio. Se o brother se colocou desde o princípio como um jogador, por que para ele é tão insuportável jogar o jogo? Qual a grande dor de ver pessoas discordando do seu ponto de vista? O que foi tão insuportável na casa que justifique a falta de espírito esportivo?

Para justificar seu silêncio, Arthur afirmou a Tadeu que estava emocionalmente esgotado, e que não gostou dos comentários dos brothers a seu respeito que viu quando saiu do confinamento. Embora Arthur tenha de fato sido criticado por quase todos os brothers eliminados, nenhum deles faltou com o respeito, xingou o brother, falou mal de sua família ou de seu caráter. Jade Picon, Gustavo e Laís, brothers que saíram da casa após brigas com Arthur, em momento algum ofenderam ou questionaram seu caráter e sua índole. As críticas que o ator recebeu são comuns a qualquer pessoa que passou pelo "BBB", e se para Arthur é intolerável qualquer tipo de opinião contrária, por que ele se inscreveu em um reality de convivência?

O caso de Juliette Freire é emblemático para mostrar a diferença do que aconteceu entre o Dia 101 do "BBB21" e do "BBB22". Perseguida dentro do jogo, vítima de xenofobia e sozinha durante grande parte do confinamento, Juliette entrou na casa na reunião sabendo que muito do que ocorreu durante o jogo fazia parte de um reality de convivência no qual todas as dinâmicas são feitas para estressar os confinados. Xenofobia é crime e não pode ser desfeita por um simples pedido de desculpas, mas os demais desentendimentos entre Juliette e os brothers foram conversados aos poucos sem grandes problemas, discursos inflamados e climão.

Juliette foi infinitamente mais perseguida do que Arthur, e chegou no dia da reunião feliz com sua vitória, com o afeto do público e disposta a ver o "BBB22" como uma experiência que tinha terminado. Arthur entrou na casa como se estivesse em um jogo da discórdia, se recusando a participar, fazendo VT no quarto e insistindo na narrativa de que foi vítima de injustiças inomináveis dentro da casa. Outro problema é que Arthur insistiu em ser vago em sua declaração, não explicando qual vídeo e qual declaração o machucou tanto. Desta forma, ficou impossível para Tadeu ou qualquer participante tentar entender um inimigo que não foi nomeado.

Gustavo e Jessi foram dois dos brothers que se posicionaram de forma incisiva ao dizer que não gostaram da vitória de Arthur. Articulada e concisa, a professora explicou que outras pessoas mereceram mais chegar até a final, e que várias trajetórias foram mais interessantes do que a narrativa vitimista do ator. Jessi também levantou um ponto crucial e pouquíssimo falado: que é sintomático que, em uma final com dois homens pretos, justamente o homem branco padrão foi o vencedor do reality. Em vez de rebater, conversar ou tentar entender os pontos de Jessi, todos justos, Arthur se recusou a se posicionar, dizendo apenas que "era a opinião dela". Calar também é uma escolha ideológica, e a postura de condescendência de Arthur diante de Jessi mostra que homens brancos preferem não discutir estruturas que os beneficiam.

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