Mês do nascimento pode influenciar o risco de doença cardíaca

Newborn baby boy, wrapped in knitted wrap looking curiously at camera

O mês de nascimento pode influenciar o risco de doença cardíaca, segundo um estudo publicado no British Medical Journal.

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O estudo usou dados do Nurses’ Health Study (pesquisa que acompanhou mais de 100 mil enfermeiras americanas desde 1976), e analisou associações entre morte por doença cardiovascular e o mês de nascimento e a estação do ano. Os pesquisadores descobriram que mulheres nascidas na primavera e no verão têm um “maior índice de mortalidade por doença cardiovascular” que as nascidas no outono.

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Mais especificamente, foram encontrados maiores índices de morte por doença cardiovascular em mulheres nascidas entre março e julho se comparados às mulheres nascidas em novembro. Os pesquisadores ainda concluíram que as mulheres nascidas em abril apresentam as maiores taxas de mortalidade por essa doença; já as nascidas em dezembro, as menores.

É preciso fazer mais pesquisas para entender como o mês e a estação de nascimento podem influenciar a saúde de uma pessoa, mas esse fenômeno integra o que conhecemos como “hipóteses da origem fetal” — em essência, “como as exposições pré-natais podem afetar os bebês e se manifestar na fase adulta”, contou Michael Cackovic, obstetra e ginecologista especializado em gravidez de alto risco no Centro Médico Wexner da Universidade do Estado de Ohio, ao Yahoo Vida e Estilo. 

“Outros estudos anteriores sugeriram que os fatores que causam esse fenômeno podem ser oscilações sazonais na disponibilidade de nutrientes, infecções e inflamações, temperatura climática e nível de poluição do ar ou exposição à luz do sol — ciclos solares e níveis de vitamina D durante a gravidez — além de aspectos socioeconômicos e familiares próximos ao momento do nascimento”, afirmou ao Yahoo Vida e Estilo a coautora do estudo do Brigham and Women's Hospital, a médica Eva Schernhammer.

A exposição ao sol durante a gravidez, que afeta os níveis de vitamina D no corpo, parece ter importância considerável, pelo menos quando se trata da saúde cardíaca do bebê no futuro. “A condição maternal em termos de vitamina D durante a gravidez, correlacionada à estação e ao mês de nascimento da pessoa, é vista como um fator indicativo ou até provável para o risco de doença cardiovascular da pessoa na fase adulta”, explica Schernhammer ao Yahoo Vida e Estilo.

Este não é o primeiro estudo a analisar a influência que o mês de nascimento tem sobre a saúde das pessoas. Os autores destacaram que uma pesquisa britânica (um estudo que vinculou o nascimento em meses de clima frio com o aumento das taxas de doenças arteriais coronarianas e da resistência à insulina) e uma canadense encontraram associações parecidas. Um estudo canadense de 2016, feito com mais de 8.300 pessoas, analisou as relações entre o mês de nascimento e a saúde cardíaca, e descobriu que a hipertensão e a doença arterial coronariana “estavam mais presentes em pessoas nascidas em janeiro e abril”.

Cackovic conta que outras pesquisas também demonstraram um vínculo entre o nascimento em outubro e novembro no hemisfério norte e um “risco de problemas respiratórios (como bronquite aguda), reprodutivos e neurológicos”. Ele acrescenta que “este estudo em especial ainda embasa estudos anteriores que afirmam que os meses da primavera e verão, especialmente de janeiro a junho, geram maior risco de ocorrência de doença cardiovascular”.

Ele ainda acrescenta: “esta é uma área de estudo fascinante, nova e pioneira, por isso, ainda não sabemos qual rumo vamos tomar nem como as novas descobertas podem mudar a medicina preventiva”.