'Outubro Rosa': 15 coisas que as sobreviventes querem que você saiba

Um diagnóstico de câncer de mama não precisa ser uma sentença de morte [Foto: Getty]

Este é o mês de conscientização sobre o câncer de mama, o que significa que as mulheres em todo o mundo estão sendo lembradas de verificar seus seios em busca de sinais de nódulos ou anormalidades, e um grande número de iniciativas de captação de recursos está ocorrendo para gerar mais dinheiro para o tratamento da doença.

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E isso é importante porque as estatísticas continuam preocupantes. De acordo com o Breast Cancer Now, uma em cada sete mulheres no Reino Unido desenvolverá câncer de mama durante a vida, e cerca de 55.000 mulheres e 370 homens são diagnosticados com câncer de mama todos os anos no Reino Unido.

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Isso equivale a uma mulher sendo diagnosticada com câncer de mama a cada 10 minutos. Mas, apesar de uma crescente conscientização sobre a doença e seus sinais e sintomas, há muita coisa que não conseguimos realmente entender, a menos que tenhamos passado por isso.

Na verdade, receber esse diagnóstico e passar pelo tratamento alertam para certas experiências que você nunca imaginaria e, a menos que você seja uma sobrevivente de câncer de mama, há aspectos da doença para os quais você simplesmente não tem como se preparar.

Com isso em mente, conversamos com quem enfrentou o câncer de mama sobre etapas da jornada que essas pessoas realmente querem que você saiba sobre.

Familiarize-se com os seus seios desde cedo

“As mulheres jovens são lembradas o tempo todo de que o seio é algo sexualizado e quanto mais eu falo com essas jovens, mais parece que elas se sentem quase desconectadas de seus corpos”, diz Clare O'Neill, que foi diagnosticada com câncer de mama há dois anos e é a coordenadora de assistência médica da CoppaFeel!

“Como Boobette (integrante do CoppaFeel), eu lembro às garotas que seus corpos são delas, de mais ninguém, e que elas não devem ter medo ou vergonha, elas devem amar seus corpos e cuidar deles.”

“As mulheres conhecem seus seios melhor do que qualquer outra pessoa e não somos rotineiramente examinadas para detectar câncer de mama, então a triagem começa conosco mesmas. Deveríamos checar nossos seios regularmente para saber o que é o normal para nós.”

O câncer de mama também afeta as mulheres jovens

“Fui diagnosticada com câncer de mama aos 31 anos, um nódulo cancerígeno de grau 3, de 2,8cm na minha mama direita”, diz Lauren Mahon, sobrevivente do câncer de mama e fundadora da Girl Vs Cancer e co-apresentadora do You, Me and the Big C.

“Eu sabia que o câncer de mama afetava muitas mulheres, mas não fazia ideia de que afetava mulheres na faixa dos 20 ou 30 anos. Desde então, soube que este é o segundo câncer mais comum e afeta uma ampla gama de pessoas, independentemente de idade, sexo, raça, etnia, status socioeconômico ou estilo de vida.”

"Precisamos aumentar a conscientização e incentivar as mulheres de todas as idades a estarem atentas à saúde da mama".

Passar pelo exame não é constrangedor

Mas as pessoas ainda pensam assim. Uma nova pesquisa da Estée Lauder do Reino Unido e da Irlanda revelou que 22% das mulheres ainda consideram o exame de mama um assunto constrangedor para se falar. Além disso, mais de uma em cada três (37%) mulheres afirmam nunca ter falado com ninguém sobre o exame da mama.

E isso está afetando o número de mulheres que fazem o autoexame já que uma em cada cinco mulheres do Reino Unido com menos de 40 anos de idade admite nunca ter examinado seus seios em busca de sinais de câncer.

Zoe Williams, que apresentará uma rotina de auto avaliação ao vivo em seu canal no IGTV (@DrZoeWilliams) nesta quinta-feira (3 de outubro), surpreende-se com o fato de tantas mulheres não se sentirem confiantes em procurar sinais de câncer de mama ou se sentirem envergonhadas de falar sobre isso.

"Precisamos mudar isso e fazer da conversa a norma", diz ela. “As mulheres devem incentivar outras mulheres a falar mais abertamente sobre seus seios entre gerações em sua comunidade, incluindo mãe, avó, tia, irmã ou amiga, para realmente inspirar conversas sobre a importância da saúde da mama, auto avaliação e apoiar aqueles que talvez não saibam o que procurar. Quaisquer alterações encontradas devem ser apresentadas ao seu médico. Embora seja provável que não seja algo sério, o diagnóstico e o tratamento precoces aumentarão as chances de sobrevivência.”

“Chegou a hora de removermos o constrangimento e a incerteza persistentes e normalizarmos o autoexame”, acrescenta Lauren. "Podemos fazer mudanças ao lembrar às mulheres em nossas vidas sobre a importância da saúde da mama, para que possamos identificar o câncer mais cedo".

Os homens também têm câncer de mama

Segundo Clare, qualquer pessoa com tecido mamário pode ter câncer de mama, e isso inclui homens. Embora o câncer de mama em homens não seja muito comum - o NHS sugere que entre 350 e 400 casos ocorram em homens a cada ano - aumentar a conscientização é crucial para salvar vidas.

"Embora as mulheres tenham uma probabilidade significativamente maior de sofrer de câncer de mama, é um problema que também pode afetar os homens", explica Jan Schaefer, diretor médico da MEDIGO. "De fato, os homens têm uma chance de 1 em 1.000 de ter a doença e, embora os riscos sejam bem maiores nas mulheres, os homens também devem estar cientes de quaisquer sinais de alerta em potencial".

Schaefer sugere que os homens chequem os seios regularmente. “Pressione os dedos contra o peito (mão direita para o peitoral esquerdo e mão esquerda no direito) e mova os dedos no sentido horário”, aconselha. “Verifique toda a área, começando do lado de fora e movendo-se em direção ao mamilo, procurando qualquer inchaço ou caroço incomum. Um nódulo incomum geralmente é duro, não é doloroso e não se move."

Depois de fazer isso, verifique seus mamilos, procurando qualquer coisa que pareça diferente, apertando suavemente um por vez.

"Você também deve verificar sinais visuais, como retração do mamilo, uma ferida ou erupção cutânea ao redor dele ou a pele à volta se tornando dura, avermelhada ou com bolhas", acrescenta.

Você pode se sentir sozinha, mas não está

“Quando fui diagnosticada com câncer de mama, me senti sozinha e isolada, mas não estava”, explica Lauren. “Os que importam - seus amigos e sua família – lhe darão apoio, e você precisa permitir isso. “

“Também é importante reunir seus ‘amigos de câncer', aqueles que foram afetados pelo câncer de mama. Eles sabem muito sobre o assunto e vão entender quando você sentir que ninguém mais entende”.

O câncer de mama é diferente para cada pessoa

É uma doença muito ampla e não há duas pessoas com câncer de mama iguais, diz Clare. "O diagnóstico, estágio, grau, tratamento e recuperação podem mudar de pessoa para pessoa", acrescenta ela.

As mulheres precisam conhecer os seus seios desde cedo [Foto: Getty]

Não existe um tratamento unificado para o câncer de mama

"Como existem tipos diferentes de câncer de mama, existem tratamentos diferentes", explica Sara Liyanage, autora de 'Ticking Off Breast Cancer' (Hashtag Press, R$66). Sara foi diagnosticada com câncer de mama primário HER2 positivo e estrogênio positivo em outubro de 2016, aos 42 anos de idade.

“Algumas pessoas vão passar por uma tumorectomia (cirurgia para remover um tumor na mama) e outras por uma mastectomia (cirurgia para remover uma ou ambas as mamas). Algumas pessoas terão os linfonodos removidos. Algumas pessoas precisarão de radioterapia no seio. Algumas pessoas precisarão de quimioterapia.

"Para quem faz quimioterapia, existem vários tipos de tratamentos de diferentes, dependendo do tipo de câncer de mama", acrescenta.

“Algumas pessoas receberão terapia hormonal (se o câncer de mama for positivo para hormônios) e outras podem receber bioterapia ou imunoterapia. O tipo de tratamento para cada pessoa é diferente.”

Reabilitação é uma maratona, não uma corrida

Segundo Clare, o tratamento é punitivo e o processo de recuperação é frustrante. "Requer paciência e bondade", diz ela.

“A recuperação/reabilitação é diferente de como acontece no caso de outras doenças, porque mesmo quando você está 'estável' ou mesmo 'curado', sob o ponto de vista médico, pode se sentir pior do que nunca”, acrescenta ela.

Não existe "tudo limpo"

Ao contrário do que você possa acreditar, o médico não lhe diz que você está 'totalmente livre da doença’, alerta Sara. “Em vez disso, a equipe médica verifica a área onde o tumor se originou e, com sua ausência contínua (ou seja, se não voltou a crescer), pode declarar que você não tem ‘nenhuma evidência de doença’ (você é 'NED')”.

"E você faz exames por vários anos para verificar se o câncer não voltou", acrescenta ela.

Este é o mês de conscientização do câncer de mama [Foto: Getty]

O câncer de mama não é uma sentença de morte

Ao contrário da crença, a maioria dos cânceres de mama é curável. "As pessoas também vivem com câncer de mama", acrescenta Clare. "Algumas pessoas com câncer de mama secundário são incrivelmente saudáveis."

O impacto do câncer de mama não termina quando o tratamento se encerra

“Quando você se torna um NED, vive constantemente com medo de que o câncer volte - como uma recorrência local (que é onde um tumor cresce novamente, em um local semelhante ao tumor original) ou que ele fez metástases (o que significa que as células cancerígenas se espalharam para outras partes do corpo e se tornam um câncer de mama secundário incurável)”, explica Sara. "Esse medo pode ser incapacitante para algumas pessoas."

Encontre o seu novo normal

Clare diz que é importante que pacientes, profissionais de saúde, familiares e amigos, empregadores, colegas de trabalho e todos os demais entendam que o câncer é único, na maneira como afeta as pessoas.

"Estamos nos sentindo bem quando somos diagnosticados e depois nos sentimos piores com o tratamento", explica ela. “Nesse sentido, ele é único, em comparação com outras doenças.”

“Na minha perspectiva pessoal, minha prioridade era não ter câncer, mas quando fui curada me senti péssima”, continua ela.

“Como muitos pacientes com câncer, o tratamento teve danos permanentes e meu tratamento não foi tão agressivo quanto o tratamento de outras pessoas.”

“Parece clichê, mas acho importante que as pessoas entendam que quem tem câncer precisa encontrar seu novo normal, e isso pode ser uma mudança pequena ou grande, boa ou ruim, mas haverá uma mudança.”

"Demorou um pouco para eu perceber que nunca ‘voltaria ao normal’, mas faz dois anos que recebi o diagnóstico e estou feliz com o meu novo normal."

Mulheres grávidas também podem ter câncer de mama

Cerca de 200 mulheres por ano no Reino Unido sofrem de câncer de mama durante a gravidez. "As mulheres não devem ignorar os sintomas apenas porque estão grávidas", aconselha Clare. “Não faz mal dar uma checada! O seu médico deve lhe encaminhar para um ultrassom em caso de quaisquer sintomas inexplicáveis ​​de câncer de mama. A gravidez nem sempre é uma explicação para um novo sintoma.”

O tratamento do câncer de mama pode causar a menopausa

Independentemente da sua idade, quando você tem câncer de mama, a cirurgia, a quimioterapia e a terapia hormonal podem (frequentemente, mas nem sempre) induzir a menopausa. "E como é uma menopausa induzida por medicação, e não natural, ela pode causar sintomas intensos por anos após o término do tratamento do câncer", explica Sara. "Por exemplo, ondas de calor, suores noturnos, ansiedade, confusão mental, fadiga, perda de libido, ganho de peso e infertilidade."

Não é apenas um caroço!

“Quando descobri meu sintoma, vi uma covinha no meu peito antes de encontrar um nódulo”, diz Clare. “Eu poderia facilmente ignorá-la, mas sabia que não era normal para mim, então, felizmente, fui verificar melhor.”

“Fui diagnosticada precocemente e agora estou em remissão. Todos nós devemos olhar e apalpar nossos seios regularmente, para que, se tivermos algum sintoma, possamos identificá-lo no começo.”

Marie Claire Dorking