'Mergulhada na história dela', diz Isis Valverde sobre Ângela Diniz, sua personagem em filme

*ARQUIVO*  23/02/2020 -  RIO DE JANEIRO - RJ - Carnaval Rio 2020 - Cobertura dos Camarotes na Marquês de Sapucaí. Na foto, Isis Valverde. (Foto Marlene Bergamo/Folhapress)
*ARQUIVO* 23/02/2020 - RIO DE JANEIRO - RJ - Carnaval Rio 2020 - Cobertura dos Camarotes na Marquês de Sapucaí. Na foto, Isis Valverde. (Foto Marlene Bergamo/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Isis Valverde usou suas redes sociais nesta quinta-feira (15) para falar sobre Ângela Diniz, a socialite mineira assassinada pelo marido em dezembro de 1976, em Búzios (RJ). Ela tinha 32 anos e foi morta com quatro tiros no rosto pelo marido, o playboy Raul Fernando do Amaral Street, o Doca Street.

Isis, 36, vai interpretar Ângela no cinema, em filme dirigido por Hugo Prata, de "Elis". Em seu post, a atriz discorreu sobre o feminicídio, qualificado como crime apenas em 2015. "Isso não quer dizer que antes as mulheres não eram assassinadas pelo fato de serem mulheres", escreveu, lembrando que o caso de Ângela foi um dos mais emblemáticos do país.

Na época, o advogado de Doca, Evandro Lins e Silva, alegou que seu cliente teria matado "por amor" e agido em "legítima defesa da honra": Ângela seria uma "Vênus lasciva" que convidava "outros e outras" para a cama do casal, enquanto o playboy era um "mancebo bonito e trabalhador".

Com esta tese da "legítima defesa da honra", Doca foi condenado a dois anos de prisão no primeiro julgamento. Réu primário, cumpriu a pena em liberdade. O argumento machista e a estratégia da defesa de culpar Ângela por seu próprio assassinato geraram polêmica e indignação, dando início a um movimento feminista que tinha como slogan "Quem ama não mata".

Sobre este contexto, Isis, a Ângela Diniz das telas, escreveu agora: "O resultado do primeiro julgamento foi que ele era inocente e tinha agido para defender a própria honra. Os argumentos não mudam muito, mesmo 45 anos depois. Se somos agredidas ou mortas, sempre querem nos culpar: nós, as vítimas".

O podcast "Praia dos Ossos", da Rádio Novelo, reconstituiu recentemente a trajetória da socialite, famosa pelo apelido "Pantera de Minas", e contou, em oito episódios, toda a história do crime que chocou o país e tornou-se um marco no movimento feminista brasileiro.