“Menstrual care”: famosas normalizam ciclo menstrual com discurso do autocuidado

·4 min de leitura
A atriz Letícia Colin e a modelo, bailarina Aline Riscado (Foto: Reprodução/Instagram)
A atriz Letícia Colin e a modelo, bailarina Aline Riscado (Foto: Reprodução/Instagram)

Para trazer mais conforto e praticidade, cresce a procura por novas formas de levar o período menstrual com mais leveza e naturalidade (como tem que ser). Coletores menstruais, calcinhas absorventes laváveis, novos tipos de absorventes, almofadas térmicas e até roupas fitness foram elaborados para melhorar a qualidade daqueles dias.

O que antes era questão de impureza e toxicidade é visto com mais naturalidade. "Após avanços na sociedade, a menstruação passou a ser tratada como um autocuidado. Hoje, a mulher escolhe se quer menstruar ou não, como vai fazer os seus cuidados durante o ciclo", afirma a médica Paula Fettback.

Leia também:

A ginecologia comenta que compreender a fase ovulatória e menstrual como autoconhecimento é a chave para lidar com o período da melhor forma. "Nós somos regidas por um ciclo muito variável, passamos mensalmente por fases que fazem com que nosso organismo e o lado emocional oscile durante o ciclo. A mulher que conhece, se descobre, realmente adquire um poder maior sobre seu corpo e suas escolhas".

Precisamos falar para normalizar

Recentemente, a atriz Letícia Colin incentivou o uso do coletor menstrual com uma foto nas redes sociais. "Atenção, atenção: sei que parece difícil aceitar, mas não é publicação paga. Eu amo meu coletor menstrual! E você? Conhece? Já usa? Meu amigo definiu: sexy com coletor", escreveu ela sobre o assunto que antes era considerado um tabu.

Petra Mattar, filha de Maurício Mattar, também normalizou o acessório ao mostrá-lo em um vídeo para seu pai. “Isso aí você lava e reutiliza", comentou a influencer para mais de seus 230 mil seguidores.

Durante uma live, Aline Riscado menstruou e sujou sua calça branca de sangue. Na ocasião, ela exaltou o “sagrado feminino”. "Durante a aula, eu me sujei. Sim, a coisa mais normal da vida, e que pode acontecer com todas nós! Eu não me troquei e, daqui pra frente, nunca mais me trocarei quando isso acontecer de novo! Vocês não fazem ideia de como eu estou me sentindo liberta nesse momento", desabafou.

No mercado

A Yuper, marca de coletores 100% nacional, prioriza o conforto do ciclo inclusive durante a relação sexual. O disco menstrual pode ser usando nos momentos de prazer, permitindo a penetração sem o contato com o sangue. Afinal de contas, suprir o aumento de libido durante o ciclo também é uma questão.

Outra alternativa para quem quer fugir dos absorventes convencionais são as calcinhas absorventes, como, por exemplo, as da Pantys. As peças duram em média 50 lavagens, em média dois anos dependendo da quantidade de peças que tem para revezar. Outro ponto interessante é que o vestuário prioriza a sustentabilidade, já que diminui a produção de lixo causado pelos absorventes comuns.

A fim de estimular o amor próprio e o cuidado emocional, o Green Water Self Love da Simple Organic possui forte conexão com o sagrado feminino. Indicado para todos os tipos de pele, o produto atua como revitalizante e ajuda a reestruturar o equilíbrio cutâneo.

Vida normal sempre

Para não parar a vida das mulheres, a Adidas criou a coleção Stay in Play, que apresenta para as consumidoras uma legging e um shorts de compressão absorventes desenvolvidos com a tecnologia Flow Shield, que conta com um conjunto de três camadas que funcionam para proteger contra vazamentos menstruais. As peças são pensadas para serem usadas como uma proteção extra e devem ser utilizada em conjunto com outros métodos absorventes.

Para a doutora, essa amplitude de produtos é muito benéfica: "Temos que se acostumar com eles já que cada mulher tem uma forma de menstruar, estilo de vida e preferência."

Nem tudo conforme o ideal

Infelizmente, nem tudo são flores. Em algumas religiões, países e classes sociais, a menstruação ainda é um tabu. "Nestes casos, a mulher não possui autonomia. Algumas delas ainda possuem vergonha, outras não possuem tantas informações, verba, ou não buscam dicas no local correto", comenta Paula.

Outra questão é a pobreza menstrual, que aproximadamente atinge 4 milhões de meninas, segundo relatório elaborado pela UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) publicado em maio de 2021.

Essas jovens não possuem acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas instituições escolares, quem dera optar pelo método higiênico favorito durante o período menstrual. Nas últimas semanas, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou a lei 14.214/21, que instituiu o "Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual". A sanção vetou a oferta gratuita de absorventes higiênicos para estudantes e mulheres de baixa renda.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos