3 mensagens aprovadas por especialistas para mandar para um amigo que sumiu

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Se você se sente "sem amigos", calma: retomar o contato está a uma mensagem de distância, exige um exercício de empatia e paciência (Foto: "Getty Images")
Se você se sente "sem amigos", calma: retomar o contato está a uma mensagem de distância, exige um exercício de empatia e paciência (Foto: "Getty Images")

A pandemia de coronavírus mexeu com muitas pessoas de várias maneiras. Mas uma queixa comum é sobre o distanciamento: amigos que se viam sempre, hoje nem se falam. Uma mensagem do WhatsApp que era respondida na hora, agora leva dias - senão semanas -, para ser respondida. Parece que a amizade "esfriou" e, muitas vezes, a mente se enche de pensamentos do tipo "Mas será que a gente era amigo mesmo?".

Por mais que o questionamento seja válido, uma coisa é certa: estamos vivendo algo inimaginável e é difícil prever como as pessoas vão lidar com as suas próprias pandemias internas. O medo, a insegurança, o luto (seja pela perda de alguém querido, seja pela perda de um emprego), e até a instabilidade e a polaridade políticas podem fazer com que as pessoas se fechem em si mesmas, numa tentativa de autopreservação.

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"Vem se percebendo que o maior impacto [da pandemia] são as doenças mentais que causam medos, delírios, confusões mentais", explica a psicóloga Débora Manhães Benício. "Além desses, muitas pessoas não possuem afinidade com a tecnologia o que também, pode dificultar o processo da relação social."

Vale ainda jogar nesse mix o cansaço generalizado que afastou muita gente da internet, mesmo com um vasto conhecimento dos seus benefícios. O excesso de informação, de lives, de reuniões online e de trabalho como um todo gerou um movimento de distanciamento dessas pessoas do que antes era um vício pouco calculado - isto é, passar tantas horas no Instagram já perdeu um pouco a graça e gera até certa ansiedade.

A solidão foi um resultado quase inevitável de todo esse período. Além do tempo de isolamento social, o distanciamento resultante de todo esse cenário fez com que as pessoas se sentissem mais sozinhas e menos acolhidas nas suas dores. Mas, em momentos que ela bate com força, vale a pena dar um passo para trás - muitas vezes com a ajuda de um profissional de saúde mental -, para saber diferenciar o que é um afastamento momentâneo de uma quebra completa na relação.

"O distanciamento para amizades mais profundas não afasta", diz a psiquiatra Maria Francisca Mauro. "As sensações de saudade ou falta precisam ser cuidadas com tentativas de contato, ou mesmo aproximação virtual. Se tiver impasses, ou opiniões diferentes, o primeiro passo é conversar. Numa amizade que não cabe diálogo ou sinceridade, aí é preciso se questionar a validade desta relação. Somente resta para lidar com estas sensações o diálogo, a exposição de ideias e a compreensão. Certo e errado existem em algumas dimensões, mas antes de julgar ou simplesmente se isolar, precisa-se cuidar. Cuide das suas sensações, do seu mal-estar, da saudade através do diálogo."

Ainda assim, se você tem dúvidas de como retomar a conversa com aquela pessoa que você gosta de ter por perto, mas que se distanciou desde que a pandemia começou, a gente ajuda. Veja algumas opções de mensagens que você pode enviar, aprovadas por especialistas de saúde mental:

1."Tô passando aqui para dizer que você pode contar comigo, tá?"

Segundo Débora, a empatia precisa ser o primeiro ponto na hora de conversar com qualquer pessoa em qualquer momento da história - mas ainda mais agora. "Se colocar no lugar do outro a partir do lugar que ele está, não é tarefa fácil. Mas na maioria das vezes o que uma pessoa em sofrimento espera não são respostas, mas, sim, o acolhimento, no sentido de 'dar um colo' e saber que tem alguém ali com quem ele possa contar", diz ela.

Por isso, a sugestão da psicóloga é retomar a conversa demonstrando essa possibilidade de apoio e acolhimento: "Olá, estou passando aqui para dizer que você pode contar comigo, tá? Quer marcar um bate-papo? Estou sentindo sua falta!". Outra ideia, segundo ela, é resgatar momentos que foram prazerosos entre vocês, de maneira afetiva, e que possibilitem o resgate desse vínculo. Por exemplo, tem um filme que vocês viram juntos e que você gostaria de rever? Uma lembrança de uma viagem em grupo? Uma memória engraçada dos tempos de faculdade? Tudo isso vale como gancho para reacender esse diálogo.

2."Tô com saudades de você! As nossas conversas têm feito falta!"

Para a psiquiatra Maria Francisca Mauro, ser direto é o mais indicado, principalmente se vocês são amigos próximos. "Entre amigos não pode ter cerimônia. Mande logo aquela mensagem que os conecta. Sempre se tem um motivo para ter iniciado uma amizade. Agora, se for um conhecido, ou colega, aí você precisa analisar se está querendo de forma 'desesperada' por alguma companhia", diz ela.

No primeiro caso, a mensagem para retomar o vínculo pode ser simples: "Estou com saudades de você! Tem feito falta as nossas conversas!". Mas sempre considerando o universo de troca em vocês. "Aos mais analógicos, ou mesmo mais corajosos, nada como um bom telefonema. Aquele em tempo real!", conclui a especialista.

3."Oi, vamos conversar um pouquinho por vídeo?"

Sim, é verdade que todo mundo anda bem cansado das videoconferências, mas em um período no qual as pessoas têm sentido tanto medo, às vezes vale a pena uma sugestão como essa para demonstrar que você se importa com aquela pessoa e faz questão da presença dela na sua vida.

"Acredito que muitas pessoas estão com muito medo e, por isso, isoladas não só fisicamente, mas mentalmente. Acredito que você pode mandar uma mensagem sugerindo uma conversa online, um happy hour virtual, o aniversario de alguém próximo pela internet, algo que não atrapalhe seu sentimento de segurança, mas mostre a essa pessoa querida a importância de se sentir acolhido e vivendo em sociedade. Somos seres sociáveis e manter a convivência mesmo que virtualmente ou contando com máscaras, já nos traz o bem-estar que precisamos para seguir", diz a psicóloga Fabiane de Faria.

Lembre-se: às vezes amizades acabam

Por mais que você tenha certa proximidade com alguém, muitos motivos que não só a pandemia fazem com que as pessoas se distanciem. Muitas vezes, uma relação só deixa de fazer sentido porque os dois lados escolheram por metas de vidas diferentes e isso as levou em direções opostas. Esse pode, mesmo, ser o caso, por isso, o psicólogo Ronaldo Coelho explica que o primeiro passo é fazer uma pergunta (ou mandar uma mensagem!) para si mesmo: o que gerou esse distanciamento?

"Há uma infinidade de motivos possíveis e, por vezes, a pandemia pode não ser realmente o principal deles", explica o psicólogo. "A dificuldade pode, sim, estar no distanciamento desses amigos de segundo escalão que antes eram possíveis manter pelos espaços que se compartilhava. Mas, de modo igualmente possível, a pandemia pode ter sido apenas uma ocasião em que se sentiu que aquela relação não fazia mais sentido, de ambos os lados, para o momento atual. Podemos dizer que essas relações de segundo escalão dependem muito das condições externas à relação para a manutenção da mesma".

Por "relações de segundo escalão", pense naquelas amizades de bar, com quem você sempre encontrava no boteco pós-expediente ou na balada de fim de semana. As amizades de trabalho, muito pautadas na convivência diária, também podem entrar aqui, assim como outras relações que dependem de um contexto específico, como colegas de faculdade. Isso não significa que essas relações são desimportantes, mas que dependiam de fatores que mudaram e, por isso, a energia investida nelas agora pode ser redirecionada para laços mais profundos.

Essas conexões aprofundadas (dizem que conseguimos manter apenas 5 relações muito próximas na vida adulta) talvez sejam ainda mais importantes do que um grande número de amigos, porque constituem a sua rede de apoio, essencial para lidar com momentos de crise ou dificuldade. Ou seja, pensar o porquê de um distanciamento pode trazer perspectiva sobre quais pessoas você quer de fato ter por perto e quais você acredita que já cumpriram o seu papel na sua vida e agora podem seguir os seus próprios caminhos.

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