Menor apreendido por esfaquear ucraniana havia saído do Degase dois dias antes do crime

A Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat) apreendeu, nesta segunda-feira, um adolescente de 16 anos apontado como o responsável por assaltar e esfaquear uma turista ucraniana no Aterro do Flamengo, na Zona Sul do Rio. De acordo com a polícia, ele já figurava em oito registros de ocorrência como autor de crimes análogos a roubo, furto e lesão corporal. A última passagem do menor pelo Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase) encerrou-se em 10 de maio, apenas dois dias antes da abordagem à turista ucraniana.

O suspeito foi localizado em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Embora as passagens anteriores por delegacias correspondessem a fatos ocorridos em outras regiões, como a própria Baixada, a Zona Norte da capital e até no interior do estado, o adolescente afirmou informalmente aos agentes que vinha "roubando muitos celulares" na Zona Sul, em especial nas redondezas do Aterro. Por protocolo, ele será encaminhado à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

— A vítima reconheceu o suspeito presencialmente, de modo inequívoco e com total segurança. Ela inclusive ficou muito emocionada e chegou a chorar ao vê-lo — relata a delegada Patricia Alemany, titular da Deat.

No momento em que foi abordada, Yulya Golovko, de 26 anos, passeava de bicicleta com o namorado, Kostiantyn Miska, de 33 anos, também ucraniano. Os dois alugaram o equipamento no Aeroporto Santos Dumont e seguiam em direção à Zona Sul. O ataque aconteceu na altura do Instituto Fernandes Figueira, próximo ao Momumento a Estácio de Sá. Kostiantyn, que pedalava um pouco à frente da companheira, sequer pôde reagir ou acompanhar a cena, que durou poucos segundos. Quando ele se virou, o ladrão já havia partido em disparada, e Yulya estava caída ao chão, ferida.

O ucraniano buscou socorro, que foi prestado por policiais militares do Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas (BPTur). Yulya foi levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Copacabana e, em seguida, transferida para o Hospital municipal Miguel Couto, no Leblon, de onde teve alta no dia seguinte. Apesar de esfaqueada várias vezes, especialmente no braço, as perfurações não atingiram órgãos vitais nem geraram lesões mais graves. Ela permanece no Rio e vai tirar os pontos na próxima semana.

A Embaixada da Ucrânia vem acompanhando o caso, oferecendo apoio ao casal de ucranianos. Os dois chegaram a ter os passaportes levados pelo assaltante, já que os documentos estavam dentro da mochila tomada, mas a identificação acabou sendo encontrada a pouco mais de um quilômetro do local do crime. Também roubado, o computador de ponta da ucraniana foi recuperado durante a investigação.

O casal chegou ao Rio cerca de duas semanas antes do crime, após passarem um mês na Colômbia. Os dois deixaram Kiev, a capital ucraniana, semanas antes da invasão do país pela Rússia, que deu início a um conflito sangrento. Nos planos, após a estadia no Rio, estava também uma viagem para Buenos Aires, na Argentina, que agora depende, entre outros fatores, da recuperação plena de Yulya.

Os ucranianos são designers — ela de produtos, ele de interiores. Kostiantyn é dono de uma empresa especializada em reforma de cozinhas sediada em Nova York, nos Estados Unidos. Além disso, os dois também trabalham com programação de dados, atividade que ambos vêm exercendo durante o passeio pela América do Sul. Ao mesmo tempo, o casal, cujos pais ainda estão em Kiev, também convocou, pelas redes sociais, ajuda para os compatriotas em guerra.

Yulya organizou até mesmo uma campanha que arrecadou fundos para a compra de equipamentos para os combatentes que estão enfrentando os soldados russos. Entre os utensílios adquiridos e remetidos à Ucrânia com o dinheiro da "vaquinha", centralizada em uma conta da própria jovem, que publicou os dados bancários no Instagram, estão luvas, capas, binóculos, facas e termovisores, entre diversos outros materiais.

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