Menopausa: uma nova fase na vida da mulher; conheça os sintomas e as mudanças no corpo

Colaboradores Yahoo Vida e Estilo
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A menopausa marca o fim do período reprodutivo da vida de uma mulher e é definida pela parada definitiva da menstruação, o que costuma ocorrer entre os 45 e 50 anos.

O último fluxo menstrual é o desenlace de um período de transição do corpo feminino em que a produção dos hormônios progesterona e estrogênio vai caindo e se tornando irregular, e a mulher passa a ter ciclos menstruais mais fracos, deixa de ter as regras em alguns meses e pode também ter fluxo dobrado em outros.

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Ao longo do processo de transição, o corpo passa por mudanças que vão mexer com a sensação térmica, com a hidratação, com a alimentação e o metabolismo e até com o sono, podendo provocar mais de 30 sintomas diferentes. Contudo, os sintomas podem ser reduzidos com mudanças na alimentação e no cotidiano ou, se necessário, com tratamento específico.

O fim da menstruação marca também a entrada em uma nova fase de maturidade e estabilidade que vai durar outras três décadas –seguindo a expectativa de vida de 80,1 anos para mulheres no Brasil.

Começa com qual idade?

Assim como o período menstrual não tem idade certa para começar também não existe data no calendário para seu fim. A partir dos 40 anos considera-se normal o aparecimento dos primeiros sinais de redução de progesterona e estrogênio na mulher, antes disso a menopausa é considerada precoce.

A partir dos primeiros sintomas, a mulher vai passar por um processo que pode durar de dois a quatro anos até o último período menstrual. A menopausa é oficialmente diagnosticada após um período de doze meses consecutivos sem fluxo.

Em média, isso vai acontecer por volta dos 48 anos, de acordo com um estudo epidemiológico realizado na América Latina. No entanto, essa data pode ser alterada por questões biológicas e de hábitos. Uma pesquisa realizada na cidade de São Paulo, encontrou que as paulistanas têm sua última menstruação em média aos 47 anos.

Quais são os sintomas?

O primeiro sintoma marcante do período de pré-menopausa são os ciclos irregulares, causados pela diminuição de progesterona. Os sangramentos podem ocorrer durante períodos mais curtos do que o habitual, ou mais longos, ocorrem atrasos e, ao longo do tempo, falhas, isto é, meses em que a mulher não tem ciclo menstrual e depois volta a ter.

Com a progressiva parada dos ovários, os níveis do hormônio estrogênio no corpo feminino caem, causando uma série de alterações. Os sintomas pré-menopausa mais comuns são:

- Ondas de calor ou fogachos

São momentos em que a mulher tem uma sensação de calor que aparece sem explicação e pode levar ao suor repentino.

"Cerca de 70% das mulheres apresentam este sintoma. Vem aquela onda de calor, fica tudo vermelho do tórax para cima. Os fogachos podem ser acompanhados por eventos de sudorese", explica a ginecologista Helena Hachul, chefe do setor de sono na mulher da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Além de acontecer durante o dia, os fogachos são comuns durante a noite e podem atrapalhar o sono.

- Alterações de humor

As mudanças hormonais provocam importante alteração no humor. Principalmente no período de transição, a mulher pode apresentar mais irritabilidade e nervosismo, momentos de mais ansiedade e também sinais de depressão.

Nesse momento da vida, outras coisas podem influenciar e aprofundar as alterações de humor se não forem manejadas de maneira adequada pelo entorno dessa mulher, como a saída dos filhos de casa ou a sensação de envelhecimento.

- Distúrbios do sono

Os fogachos noturnos, as crises de suor durante a noite e a instabilidade hormonal podem piorar as condições de sono, provocando eventos de insônia ou sono fragmentado.

Cerca de 60% das mulheres relatam insônia no período de menopausa, aponta Hachul, especialista em sono feminino. Com isso, a sensação de cansaço ou de falta de energia são outros sintomas que podem aparecer neste período.

- Dores de cabeça

No período pré-menopausa, em que a mulher passa por grande oscilação hormonal, são comuns episódios de dor de cabeça e enxaqueca.

Ao longo do tempo, os sintomas ligados às alterações de hormônios se atenuam e passam a aparecer as consequências da falta de estrogênio no corpo, após a falência dos ovários. Os sintomas tardios mais comuns são:

- Ressecamento vaginal

A redução do estrogênio afeta a lubrificação da vagina e pode tornar relações sexuais dolorosas sem o uso de lubrificantes.

Além disso, pode haver uma diminuição da libido neste período, agravada por outros fatores que podem afetar a autoestima da mulher, como o ganho de peso ou as mudanças corporais.

- Pele, cabelo e olhos secos

A redução na hidratação não afeta apenas o aparelho sexual, mas também resseca a pele, o cabelo e todas as mucosas, como a boca e os olhos. A hidratação externa, com o uso de cremes, e interna, com aumento da quantidade de água consumida, deve ser ampliada a partir da menopausa.

- Mudanças no sistema urinário

Além do ressecamento da vagina, a bexiga fica mais flácida e a mulher começa a precisar ir mais frequentemente ao banheiro, tendo de acordar durante a noite para fazer xixi.

O enfraquecimento dos músculos no assoalho pélvico pode levar à incontinência urinária.

- Aumento da frequência de infecções urinárias

A desidratação, a mudança hormonal e a incontinência urinária são algumas das razões que podem levar ao aumento na frequência de infecções urinárias para mulheres na menopausa. As infecções podem aparecer mesmo em quem não costumava sofrer com este problema durante a juventude.

- Ganho de peso e acúmulo de gordura na barriga

A falta do estrogênio no corpo muda o metabolismo feminino, com uma tendência a aumento do peso caso a alimentação não seja alterada.

Além de quilos a mais, a gordura nesta fase não vai mais se acumular nas coxas, quadris e peito. Sem o hormônio feminino, a gordura se acumula na barriga e pescoço, como acontece nos homens, o que aumenta o risco cardíaco das mulheres na menopausa e pode levar a outros problemas, como a apneia.

- Aumento de colesterol

Entre as alterações mais importantes no metabolismo feminino na menopausa está a mudança no metabolismo do colesterol, com aumento do colesterol LDL, conhecido como vilão, e redução do HDL.

Com a alta das taxas de colesterol, aumenta o risco cardíaco das mulheres nesta fase da vida.

- Perda de ossos

Uma outra consequência da falta de hormônios femininos é a perda de massa óssea, que vai enfraquecendo os ossos e tornando-os mais vulneráveis à quebra.

O Ministério da Saúde recomenda que as mulheres, ao entrarem na menopausa, ou acima dos 60 anos procurem avaliação médica para o exame de densitometria óssea e rastreio da osteoporose.

Boa parte dos sintomas listados acima podem não ser sentidos ou ser reduzidos pelas mulheres no climatério com uma boa higiene de vida, ou seja, alimentação equilibrada e atividades físicas.

Alimentos que ajudam a melhorar os sintomas

Uma dieta com muitas verduras e legumes e pouco açúcar e gordura ajuda a reduzir diversos sintomas ligados à queda do estrogênio e que causam piora da saúde. Diminuir a ingestão de gorduras, por exemplo, contrabalanceia a tendência de aumento das taxas de colesterol por conta da redução do estrogênio.

A ingestão de fibras, de alimentos naturais, como frutas e legumes, e o aumento da ingestão de água ajuda na hidratação corpórea e a diminuir o ressecamento de mucosas. Além de auxiliar a manutenção do peso, lembrando que a obesidade é fator de risco para câncer de mama e aumenta o risco cardíaco.

Há ainda alimentos que ajudam a reduzir os sintomas da menopausa, como o chá de folha de amora ou os derivados de soja, como o leite de soja ou o tofu.

Os derivados de soja também podem ser usados, com indicação médica, em fitoterápicos.

“O mais conhecido é a enisteína, que é derivada da soja. Os fitoterápicos são uma ótima opção. Essas substâncias se acoplam aos receptores de estrogênio e desencadeiam uma certa atividade de estrogênio”, de acordo com a ginecologista Juraci Ghiaroni, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Exercícios físicos são essenciais

A manutenção de atividades físicas também melhoram a qualidade de vida, reduzindo sintomas da menopausa. “O exercício físico ajuda a manter os ossos, ajuda a não engordar, ajuda no bem-estar, ajuda até nos calores”, lista Helena Hachul, da Unifesp.

Os exercícios aeróbicos, como caminhada, natação ou hidroginástica, são preferenciais.

Quanto antes a mulher começar a se exercitar, melhor. Um estudo feito na Unesp (Universidade do Estado de São Paulo), coordenado por Angelina Zanesco, com mulheres nos momentos pré e pós menopausa, mostrou que o início de uma rotina de atividade física antes da menopausa é preventor do desenvolvimento de hipertensão (https://agencia.fapesp.br/atividade-fisica-antes-dos-40-ajuda-a-prevenir-hipertensao-na-menopausa/17863/).

Toda mulher precisa de reposição hormonal?

Nem toda mulher precisa de reposição hormonal e nem toda mulher pode tomar reposição hormonal. O uso de hormônios é indicado apenas para aquelas que têm sintomas que não passam após outras intervenções, como mudança na alimentação ou na atividade física, e que não apresentam contraindicações.

Mulheres com problemas de coagulação, trombose, hipertensão arterial, doenças do coração ou taxas elevadas de colesterol têm contraindicação para a terapia hormonal.

“Nós vamos pesar as indicações e as contraindicações da pessoa para saber se ela pode usar a terapia hormonal. Além disso, temos uma janela de oportunidade para usar esse tipo de tratamento, que é até 60 anos de idade ou dez anos após a menopausa”, pontua Hachul.

Para aquelas que adotam a terapia, é necessário fazer uma reavaliação anual.

Lista de sintomas que podem estar relacionados à menopausa:

Mais frequente ao longo da pré e da pós-menopausa

1. Irregularidade dos períodos menstruais

2. Calores repentinos (fogachos)

3. Suares noturnos

4. Secura vaginal

5. Desidratação da pele

6. Diminuição da libido

7. Distúrbios do sono

Na saúde mental

8. Mudanças bruscas de humor

9. Problemas de memória

10. Ansiedade

11. Irritabilidade

12. Depressão

13. Dificuldade de concentração

No corpo

14. Perda de cabelo

15. Episódios de tontura

16. Cansaço

17. Inchaço (normalmente relacionados a picos de estrogênio)

18. Ganho de peso

19. Incontinência urinária

20. Palpitações

21. Unhas quebradiças

22. Osteoporose

23. Mudanças no odor corporal

24. Alergias de pele

Dores

25. Dor de cabeça

26. Dor no peito

27. Dores nas articulações

28. Síndrome da boca ardente

Outros

29. Apneia

30. Problemas na gengiva

31. Distúrbios gastrointestinais: náusea, vômitos, diarreia ou constipação

32. Formigamento

33. Tensão muscular

Outras fontes: Manual de Atenção à Mulher no Climatério / Menopausa, do Ministério da Saúde; Guia da Menopausa 7ª edição, traduzido pela Associação Brasileira de Climatério