Melatonina: pílula mágica para dormir e emagrecer?

Foto: Getty Images

Por Natália Leão (@natileao_)

Finalmente chegou a hora de cair na cama na sexta-feira à noite. Exausta da semana você fecha os olhos e… nada do sono aparecer. No sábado tira vários cochilos para conseguir sobreviver.

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Já na segunda-feira, o despertador toca desesperadamente e você não consegue acordar. Se essa é a sua - exaustiva - rotina, talvez haja algum problema com sua produção de melatonina. Nunca ouviu falar?

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Melato o quê?

A melatonina é um neuro-hormônio produzido naturalmente pelo nosso corpo e sintetizado na glândula pineal. Sua principal função é regular o sono. Quando a noite chega e a luz cai, os neurônios enviam um sinal para a glândula pineal liberar melatonina, reduzir a temperatura corporal e a pressão sanguínea e você adormecer. Seria muito simples, se vivêssemos como nossos bisavós, nos deitando quando o sol se põe e acordando quando ele nasce. O problema dos nossos dias é que a produção da melatonina é inibida, por exemplo, pelas luzes de aparelhos eletrônicos, por jet lag, por rotinas de trabalho com variação de horário. Tudo isso bagunça todo nosso ritmo circadiano, aquele ciclo vital de 24 horas, carinhosamente chamado de relógio biológico, que diz quando acordar, quando comer e quando dormir.

De farmácia

Como os distúrbios do sono - especialmente a insônia - são muito comuns, o uso de melatonina sintética, aquela comprada em farmácia caiu no gosto de muita gente. Nos Estados Unidos é possível comprar um frasco em qualquer farmácia ou supermercado sem receita.

No Brasil, ela é vendida em farmácias de manipulação como uma alternativa natural aos remédios para dormir. “Algumas pessoas apresentam deficiências na produção desse hormônio e por isso têm muita dificuldade para cair no sono. Noites mal dormidas podem afetar o metabolismo e aumentar os níveis de estresse, assim como diminuir a qualidade de vida de quem sofre desse problema”, explica Bruna Lyrio, nutricionista responsável técnica da Clínica Nutrindo Ideais.

Mas será que todo mundo pode ou deve tomar? A resposta é não! “O uso descontrolado dessa substância pode não só não ter efeito algum, como causar irritabilidade, nervosismo, agitação, insônia, ansiedade, enxaqueca, hipertensão, entre outros. Como seus efeitos a longo prazo ainda não foram totalmente descobertos, ela deve ser tomada com cautela. Por isso, sua suplementação só é indicada quando existe uma deficiência hormonal dessa substância no organismo”, completa Bruna.

E atenção, a melatonina é contraindicada para mulheres grávidas, em fase de amamentação, pessoas com insônia causada por depressão ou ansiedade e para crianças menores de 12 anos de idade.

Mas emagrece?

Bastou alguns estudos pré-clínicos (em animais e em células isoladas) sobre os possíveis efeitos da melatonina para perda de peso para que as pessoas passassem a buscar as “cápsulas do sono” também como “cápsulas do emagrecimento”.

Francisco Tostes, endocrinologista da Clínica Nutrindo Ideais explica que existem evidências de que a melatonina pode, sim, influenciar o peso, mas isso ainda não foi comprovado. “O que se descobriu é que quando há deficiência de melatonina no organismo existe um desbalanço do gasto energético, pode haver aumento de resistência à insulina, intolerância à glicose, entre outras coisas. mas dizer que a suplementação emagrece é especulação”, completa.

Outra hipótese é a de que, quando há deficiência de sono, os hormônios relacionados à saciedade também são afetados. Por isso, sono em dia ajudaria a manter o peso. Mas antes de correr até a farmácia para comprar melatonina, lembre-se: "Não é sumplemento, é um hormônio, e nem sempre mais é melhor. Ela pode trazer problemas se você não precisar dela”, finaliza.