Megan Thee Stallion no Rock in Rio rebola e trava show ao levar fãs ao palco

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Estrela no Grammy do ano passado, a trapper Megan Thee Stallion encontrou um palco mundo, o principal do Rock in Rio, ainda um tanto vazio quando subiu ao palco para cantar. A explicação foi o show de Ludmilla, que aconteceu logo antes no palco Sunset, e as pessoas ainda se deslocavam de um espaço a outro.

Ela começou cantando "Realer", faixa de seu primeiro álbum de sucesso comercial, "Fever", 2019. Mas encontrou um problema –não conseguiu cantar com a roupa que usava, um figurino inspirado nas passistas do Carnaval brasileiro.

Sem parte dos adereços, ela seguiu emendando seus traps energéticos e sujos, passando por faixas mais recentes, como "NDA", deste ano, e mais antigas como "Big Ole Freak", de 2018. "Estou muito feliz de ver finalmente as gatas do Brasil", celebrou.

Apesar da fama recente, e da adequação com o dia pop e dançante, com Ludmilla, Dua Lipa e Rita Ora, a maior parte da plateia não parecia conhecer tanto as músicas da rapper. Com um trap pesado, ela certamente seria mais celebrada num dia com Migos e Cardi B, por exemplo –só para citar dois nomes do trap que cancelaram shows recentemente no Rock in Rio.

Ainda assim, tinha muita gente dançando e aplaudindo a americana. Principalmente em seu maior hit, "WAP", parceria com Cardi B que trata de lubrificação vaginal e causou rebuliço ao irritar conservadores nos Estados Unidos.

Megan Thee Stallion faz um tipo de rap de batidas eletrônicas duras e pesadas, com rimas velozes nos andamentos tradicionais do trap. É música que privilegia graves robustos em detrimento das melodias.Autoproclamada "coach das gostosas", ela fala nas letras de ostentação e sexo sem pudor. Na temática e na estética, lembra o estilo putaria do funk que floresceu no Rio de Janeiro com gente como Tati Quebra Barraco, no palco com Ludmilla minutos antes.

"Se você ama seu corpo, faça barulho", ela disse, antes de cantar "Body". Com Megan dançando e rebolando muito, mais até do que cantando, fica evidente que sua música é feita para se conectar com o corpo.

Ela disse que queria ver como as brasileiras rebolam, chamando suas fãs de "gostosas", e falando com elas durante todo show. Chegou inclusive a chamar mais de uma dezena de fãs brasileiros para dançar com ela no palco, o que travou a apresentação em alguns minutos, entre selfies e diálogos.

A rapper ainda falou sobre homens que querem controlar mulheres e seus corpos, fazendo a plateia gritar "meu corpo, minha escolha", em inglês mesmo, antes de "What's New". Acabou com "Girls in the Hood", "Sweetest Pie" –parceria com Dua Lipa, estrela do dia–, "Her" –house arrasa-quarteirão que é hit no TikTok– e o sucesso "Savage", remixado por Beyoncé.

Se Megan Thee Stallion não chegou a comover muita gente, certamente divertiu outras tantas pessoas, apesar de ter carreira, músicas e obra curtos. E o principal: rebolou e fez rebolar. "Coisa de gostosa", como ela diz.