Covid-19: Quais cuidados pais devem adotar com os filhos após retorno das aulas presenciais?

Lucas Tomazelli
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Foto: Leandro Ferreira/Fotoarena/Sipa USA via AP Images
Foto: Leandro Ferreira/Fotoarena/Sipa USA via AP Images

O governo de São Paulo recorreu da decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que suspendeu, nesta quinta-feira (28), a autorização para a retomada das atividades presenciais nas escolas públicas e particulares em todo o estado de São Paulo. A questão também vem gerando polêmica em diversas regiões do país.

A decisão, de caráter liminar, suspendeu o decreto do governador João Doria (PSDB) que autorizava a reabertura de escolas em qualquer fase do Plano São Paulo. Com a alta nos casos e mortes causadas pela pandemia da Covid-19, todos os municípios do estado se encontram nas fases mais restritivas.

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Em entrevista ao Yahoo!, Marcelo Otsuka, médico consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), posicionou-se a favor da reabertura das escolas no país, ressaltando que a gravidade da Covid-19 no paciente pediátrico é significantemente mais baixa do que na faixa adulta da população.

“Infecção de individuos abaixo dos 19 anos está entre 2 e 3% apenas. A mortalidade nessa faixa é de 0,6%, ou seja, muito menor do que vemos em outras faixas. Não discutimos que os eventuais casos podem ser graves, mas apenas pela gravidade da doença não justificaria não ter aula", afirma o médico.

Otsuka também ressalta que as escolas representam mais do que a atividade dentro da sala. Ele lembra a importância da alimentação que as instituições de ensino proporcionam aos jovens e destaca que grande parcela deles não possui um ambiente adequado para estudar em seus domicílios.

A retomada das aulas, segundo o médico, precisa respeitar uma série de cuidados que não podem ser negligenciados. “As escolas precisam estar preparadas para receber os alunos, com o básico, sabonete, barreiras físicas, entre outros itens. Da mesma forma que todos os funcionários da escola precisam ser treinados para receberem essas crianças da forma mais segura", lembra.

Cuidados tomados pelos pais

O consultor da SBI lembra que as crianças não se comportam, no geral, como disseminadores da Covid-19. Para ele, os pais precisam ter a responsabilidade de cumprir os protocolos de saúde como distanciamento social e uso de máscaras, fato que já garantiria relativa segurança no retorno às salas de aula.

“Sabemos que basicamente as crianças pegam infecção dos adultos. O principal foco para a gente impedir o desenvolvimento da doença nas crianças é que as pessoas ao redor tenham responsabilidade social, algo que, infelizmente, a nossa população não tem tido em vários casos. Mesmo com o início da vacinação no país, as diretrizes sanitárias precisam ser cumpridas. Esse é o maior cuidado que qualquer pai pode ter", explica o médico que também pede a inclusão de professores e profissionais da área da educação em categorias prioritárias de imunização no Brasil.

Otsuka admite que a questão é complexa e deve ser discutida amplamente com os pais. O médico também diz que as crianças que tiverem condições materiais podem seguir no ensino remoto.