MDB entra oficialmente na briga pela presidência do Senado

Ana Paula Ramos
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Reunião da bancada do MDB no Senado (Foto: Divulgação)
Reunião da bancada do MDB no Senado (Foto: Divulgação)

Maior bancada no Senado, o MDB decidiu, em reunião nesta quarta-feira (16), lançar candidatura própria na eleição à presidência da Casa, em fevereiro, mas ainda não decidiu o nome.

O partido liberou os possíveis candidatos a conquistar votos de outras siglas. O nome que conseguir agregar mais votos será o apoiado pelo MDB, que já adianta que vai unido para a disputa, ao contrário do que aconteceu em 2019 quando rachou em torno de Renan Calheiros (MDB-AL) e Simone Tebet (MDB-MS).

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O representante da legenda deve ser anunciado em janeiro do ano que vem.

“Com o maior número de parlamentares no Senado Federal, a bancada está pronta e unida para assumir a responsabilidade e os compromissos que lhe cabem na eleição para o comando da Casa, em 2021. O momento exige bom senso e maturidade política. O respeito ao diálogo e à dimensão das bancadas é particularmente importante para garantir condução equilibrada de uma pauta de reconstrução do país, após período tão difícil que o Brasil enfrenta”, diz a nota divulgada pela bancada.

Nesta quarta, a senadora Simone Tebet confirmou que lançou seu nome na disputa e que agora vai buscar os 41 votos necessários.

Também disputam a indicação na legenda Eduardo Braga (AM) e os líderes governistas Eduardo Gomes (TO) e Fernando Bezerra Coelho (PE).

Simone Tebet defendeu a importância da candidatura do partido para manter a independência do Senado em relação ao Executivo do respeito à regra da proporcionalidade, que leva em consideração o tamanho das bancadas na distribuição de cargos da Mesa Diretora e das presidências das comissões.

“O Senado é uma Casa facilmente manipulada, porque é necessário acordo com poucos senadores para fechar maioria. Sem a regra da proporcionalidade das bancadas, vira um balcão de negócios e o Executivo passa a dominar”, destaca.

“Vamos unir esforços na tentativa de evitar a transformação do Senado em um apêndice do Poder Executivo. A proporcionalidade das bancadas é a única coisa que nos diferencia do balcão de negócios da Câmara. Se perder a proporcionalidade, perde a independência”, alertou.

Ela afirma que sua candidatura tem como objetivos principais o “fortalecimento da democracia” e o “respeito ao diálogo”.

INTERFERÊNCIA

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), tenta emplacar o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) como seu sucessor na eleição que acontece em fevereiro.

No entanto, repercutiu mal entre os senadores o fato de que, antes de o nome de Pacheco ter sido colocado na Casa, foi levado por Alcolumbre ao presidente Jair Bolsonaro.

A atitude acendeu o alerta sobre a possível ameaça à independência do Senado.

O próprio Davi Alcolumbre já recebia críticas de seus pares na condução da presidência da Casa por ser alinhado ao governo Bolsonaro. Somado a isso, a oferta de um cargo de ministro a Alcolumbre em troca de eleger um sucessor governista também irritou os parlamentares.

BUSCA DE VOTOS

O PT já se manifestou que deve apoiar o candidato do MDB. O partido tem seis senadores na bancada e seus líderes avisaram que devem seguir o critério da proporcionalidade.

O Podemos, terceira maior bancada no Senado, tem uma reunião marcada para amanhã sobre o assunto. Nos bastidores, alguns senadores têm restrições a determinados nomes do MDB, mas pode fechar com o partido, dependendo do candidato escolhido.

O Muda Senado, grupo suprapartidário de congressistas, estuda lançar um candidato próprio, porém não descarta apoio ao MDB, também condicionando os votos ao nome apresentado. O grupo reúne 18 parlamentares.