MC Niack diz que evoluiu, flerta com bregadeira e mantém foco no TikTok

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LISBOA, PORTUGAL (FOLHAPRESS) - Trabalho atrás de trabalho. É assim que MC Niack, 18, define sua rotina desde que estourou em 2020 com os hits "Oh Juliana" e "Na Raba Toma Tapão", que o colocaram por três meses no topo das músicas mais ouvidas do Brasil no Spotify e o transformaram no primeiro brasileiro a entrar para a lista Billboard Global 200, de singles, criada em setembro do mesmo ano.

Empolgado com o sucesso, o jovem chegou a escrever uma música por dia durante algumas semanas, lançando inclusive parcerias nacionais e internacionais. Agora, ele programa um projeto de trap (subgênero da música hip hop) e mais três grandes lançamentos com nomes de peso.

Será uma música no estilo bregadeira (versão mais dançante do brega) com Boyzinho, maior referência no ritmo; um funk "bem dançante" com MC Zaac, no estilo dos primeiros lançamentos de Niack; e um funk com MC Jottapê, criada por ambos no último dia 15.

Todas estão em fase de criação ou gravação e ainda não têm data de lançamento. "Vem hitzão", adianta Niak à Folha de S.Paulo. "Melhorei bastante como artista. Aprendi muitas coisas novas que me moldaram. Em questão musical, vejo que trabalho muito mais atualmente, fazendo bastante música. Estou gostando desse Niack de hoje".

Os lançamentos sucedem a estreia do primeiro disco do cantor, no último dia 11, o EP "Choque No Seu Sistema", uma referência à frase que canta em um de seus maiores hits, "Na Raba Toma Tapão". Com cinco faixas inéditas -três delas, parcerias com Tetéu, DJ Topo e Ventura-, Niack contorna o clima de isolamento pandêmico em ritmos dançantes e letras que falam sobre festejar e aproveitar a vida.

"Escolhi essa temática justamente para as pessoas poderem se animar em casa", afirma o cantor. "Desde o começo da pandemia, pensei em fazer músicas justamente pelo que está acontecendo. A galera está sem poder sair de casa e precisa de alguma alegria. E é raro um EP de funk ser lançado, geralmente são só singles, mas quis apostar em estrear várias músicas de uma vez".

Agora, ele calcula estratégias para levar suas novas músicas às paradas musicais, especialmente "Tipo Um Yoyo", faixa que abre o EP e foi criada visando os desafios de dança do Tik Tok. "Muitas das música que venho fazendo são para as plataformas, como Tik Tok ou Instagram, já que as pessoas passam a maioria do tempo na internet", afirma Niack, que também já explorou a temática em letras de músicas como "No Tik Tok é a Garota Sensação".

Mas ele não é o único que segue essa estratégia. Por causa da facilidade em promover mais músicas no streaming, muitos funkeiros apostam nesse meio para se popularizar com maior rapidez e atingir o ouvinte mais novo, que está mais conectado. Até porque, diz Niack, o ritmo pode encontrar resistência entre outros públicos.

"Infelizmente ainda há muito preconceito contra o funk, apesar de ser uma música popular no Brasil. Às vezes, é pelo simples fato dele vir da comunidade", afirma. "Já fui a alguns bailes funk para curtir [...] e agora, como artista, vejo esse preconceito ainda mais de perto. Não sei o que se passa na mente dessas pessoas, parece que vivem em uma bolha".

Ainda assim, o cantor diz acreditar que o funk tem mudado bastante com suas novas vozes, o que também pode transformar a percepção das pessoas sobre o ritmo. Ele cita, por exemplo, MC Marks, que canta funks com letras sobre fé, como o hit "Deus é por Nós".

HOMENAGEM A MC KEVIN

Como artista do mundo do funk, Niack se emocionou com a morte de MC Kevin (1998-2021), que caiu da varanda de um quarto de hotel no Rio de Janeiro no dia 16 de maio. "Não o conhecia pessoalmente, mas me abalou demais. Eu estava relativamente perto dele quando aconteceu, lá na Tijuca", lembra.

"Foi um choque, porque querendo ou não nós somos do mesmo meio. Doeu bastante, chorei muito no dia", continua. Para ele, Kevin deixa um grande legado na música e a mensagem de força para as pessoas seguirem seus sonhos e aproveitarem a vida sem ligar para a opinião dos outros. "Ele era um cara muito engraçado e que vivia de verdade".

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