Mc Carol faz desabafo forte sobre racismo: 'Sempre foi pesado'

Redação Vida e Estilo
Carol de ter sofrido racismo na infância e diz que até hoje tem medo de frequentar alguns lugares (Foto: Reprodução/Facebook)
Carol de ter sofrido racismo na infância e diz que até hoje tem medo de frequentar alguns lugares (Foto: Reprodução/Facebook)

Como vários famosos, Mc Carol usou suas redes sociais para lamentar a morte de Pedro Gonzaga, jovem de 19 anos que morreu após levar uma “gravata” de um segurança no supermercado Extra. Para ela, é nítido que o que aconteceu foi um caso de racismo, preconceito que a funkeira diz notar de longe após passar por tantas experiências cruéis.

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“Eu cresci sofrendo racismo e gordofobia, mas o racismo sempre foi mais pesado”, afirmou no Facebook. A carioca ainda relatou com detalhes algumas situações que passou na infância, como a vez em que estudou em um colégio que não era da comunidade e outras crianças implicavam com seu cabelo e até seus materiais.

Segundo ela, praticamente não havia negros no colégio e seu avô não pedia sua transferência porque o ensino era bom. “Só umas cinco pessoas me tratavam bem naquele lugar”, contou. Tudo ficou pior, de acordo com a artista, quando chegou a época de festa junina.

“Rolou umas perguntas de matemática e português para ver quem ia ser a noiva e o noivo. Primeiro foram os meninos, e o noivo foi um garoto loiro. A noiva ficou entre eu e uma menina loira, mas no final eu ganhei”, diz ela, lembrando que o colega se recusou a ser seu par no dia da quadrilha. “Como eu era a única menina negra da turma, entendi tudo”, lamentou.

Mc Carol ao lado do primo, Dennys, após ser rejeitada por seu par na quadrilha da escola (Foto: Reprodução/Facebook)
Mc Carol ao lado do primo, Dennys, após ser rejeitada por seu par na quadrilha da escola (Foto: Reprodução/Facebook)

Na sequência, a artista afirmou que sempre foi chamada de “macaca” e “cabelo de bombril”, por isso cresceu com medo de brancos. Em 2015, durante sua participação no reality ‘Lucky Ladies’, do canal Fox, ela viu o quanto o racismo ainda precisa ser combatido ao ser expulsa de um táxi.

“Eu estava com uma mulher branca e gringa do lado, a gente tinha que ir de Copacabana para Ipanema. Ela entrou primeiro (no táxi) e eu tive que voltar para pegar alguma coisa. Quando fui entrar, o taxista branco me olhou pelo retrovisor e agressivamente, gritando, mandou eu descer”, lembrou Carol, que há pouco tempo foi confundida na rua de sua própria casa.

“Um amigo mandou um print de uma postagem de um cara da minha rua dizendo que tinha quatro suspeitos negros dentro de um carro de luxo X, da cor Y, e era só eu e meus amigos entrando na minha rua de brancos”, contou. No post, a funkeira continuou falando que seu avô a ensinou sobre a importância de ser dez vezes mais educada e estudiosa pelo fato de ser negra. Além disso, sempre a alertou sobre a possibilidade de ser acusada de roubo em algum momento da vida.

“Chegamos num ponto em que a gente tem que ter medo até de entrar em um supermercado. O que é isso gente? O que está acontecendo no mundo?”, questionou. Na postagem, ela também lembrou de já ter perdido vários amigos negros e afirmou que isso não é coincidência, isso é racismo. “Racismo mata! Não existem chacinas com meninos loiros. Homens brancos de olhos azuis não são presos e mortos porque foram confundidos”, disparou.

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