‘Maternidade não é instinto, é desconstrução’, defende criadora de conteúdo

 Criadora de conteúdo em ensaio de fotos com a filha Liv (Foto: Luana Santos e Mário Alencar @luanaemariofotografia / Instagram @cruzaretha)
Criadora de conteúdo em ensaio de fotos com a filha Liv (Foto: Luana Santos e Mário Alencar @luanaemariofotografia / Instagram @cruzaretha)

Por Janaina Bernardino

“Quando nasce um bebê, nasce uma mãe”. Esse é um daqueles ditados populares que faz uma releitura social da maternidade retratada, muitas vezes, nos comerciais de televisão. Mas isso não condiz com o processo de maternagem real, aquele que acontece todos os dias, longe dos estereótipos e idealizações. Então, como a consciência dessa fuga da tradicional idealização acerca do ser mãe impacta a relação da mulher consigo?

Ser mãe perpassa muitas facetas, mas se olhar com carinho e ter a sapiência de se enxergar como um corpo é um movimento arbitrário às definições sociais enraizadas que colaboram para a ideia da “mãe-máquina”. Se ignora o sujeito que antes da condição de mãe é mulher. Portanto, fazer esse movimento é entender que só dessa forma o tripé maternal - mulher-mãe-filho - irá ‘funcionar’ de forma mais saudável e genuína.

É o que tenta fazer a criadora de conteúdo digital e empreendedora Aretha Cruz, mãe de Liv, de 3 anos. Ela concentra em seu Instagram relatos sobre maternidade e identidade e aponta que ser mãe foi uma dessas surpresas que aquecem o coração, mas também um processo desafiador e pedagógico, vivenciado diariamente.

“Um dos processos que me forja constantemente é me olhar com amor, entendendo minhas limitações e meu potencial. Para mim, não é instintivo, como dizem, mas é algo que aprendo diariamente, enquanto, ao mesmo tempo, tenho a convicção de que nunca saberei o suficiente. Uma desconstrução de quem fui e sou, com os desafios, mas também as alegrias”, avalia.

Aretha é crítica da cultura que vê a mulher como predestinada à maternidade, jogando sobre ela uma sobrecarga que apaga sua autonomia e a coloca como “guerreira”, a famosa “mulher maravilha” ou, melhor, a “mãe maravilha”, sem considerar a possibilidade de que ela prefira vivenciar outros papéis.

“As pessoas tendem a pensar que não somos humanas, que não falhamos. Estão sempre dispostas a evidenciar nossos erros e falhas ou a acreditar que teremos sempre as respostas para tudo o que diz respeito ao ato de maternar. Erramos tanto quanto qualquer outro indivíduo, isso precisa ser lembrado,” aponta, ao condenar o mito da maternidade perfeita e idealizada.

 Criadora de conteúdo em ensaio de fotos com a filha Liv (Foto: Luana Santos e Mário Alencar @luanaemariofotografia / Instagram @cruzaretha)
Criadora de conteúdo em ensaio de fotos com a filha Liv (Foto: Luana Santos e Mário Alencar @luanaemariofotografia / Instagram @cruzaretha)

Por isso, Aretha reforça que também é mãe quando cuida de si, o que inclui ter seus próprios momentos de lazer, como maratonar séries e sair sem se preocupar com a hora de voltar para casa, e seus momentos de descanso, como dormir por horas ininterruptas. “Esses estão no topo da lista”, diz.

Ela conta que o presente perfeito para o Dia das Mães seria justamente horas extras de sono. “Mas é para falar a verdade ou posso ser utópica?”, questiona, aos risos. Aretha ressalta que é difícil dormir tanto com uma criança pequena. Partindo, então, da expectativa para a realidade, o desejo dela se resume a ver a família bem. “Estar com a minha família, vivendo o agora com saúde, já me dá motivos suficientes para ser grata”, frisa.

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