'Mate ou Morra' é retrato de uma Hollywood policialesca e caipira

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FOLHAPRESS - A horas tantas de "Mate ou Morra", um Roy Pulver, papel de Frank Grillo, quase entediado com sua vida lamenta. "Isso não é vida." E não é mesmo. É um videogame. Pois o princípio genial deste filme gerenciado por Joe Carnahan é esse -se a garotada gosta de videogame, o que podemos oferecer de melhor do que filme-game?

Expliquemos -Roy Pulver está preso em um dia, por obra de sua amada Naomi Watts, que o fez ficar encapsulado num determinado dia, com centenas de agentes a mando do coronel Ventor, papel de Mel Gibson, que o matam antes que possa terminar o café da manhã.

Inútil dizer, Ventor é um vilão disposto a dominar o mundo e tal e coisa. O fato é que Pulver deve morrer todo santo dia, dias e dias a fio, cada dia aprendendo a evoluir por mais alguns minutos. Não importa que morra, o dia seguinte é sempre o mesmo dia. Não é vida, é videogame, com a sutil diferença que o personagem e o jogador são a mesma pessoa.

O objetivo óbvio é escapar desse dia, reencontrar a realidade. Pulver vai vencendo todas as etapas, uma a uma. Mas qual a vantagem de sair desse dia infindável?

Bem, Pulver é um herói a serviço do militarismo americano e nessas ele matou muita gente pelo mundo afora e, durante essas jornadas, esqueceu que tinha uma amada, na pessoa de Jemma, e um filho, isto é, uma família. Quando retorna de alguma das inúmeras batalhas a que a vida o obrigou, encontra uma Jemma mais para fria, a dizer a ele que o seu tempo já passou et cetera.

Mas Pulver, malgrado as aparências, é um homem de coração. E de família, como exige a Hollywood contemporânea. Como se vê preso naquele dia infernal, seu objetivo final é reencontrar a mulher e o filho (além de escapar do dia-prisão, claro). Aí sim o jogo estará terminado.

Que mais dizer dessa joça? Que há um bom plano (o primeiro do filme), embora nada excepcional. E que não deixa de ser divertido ver Mel Gibson, o velho porta-estandarte da extrema direita, soltar durante um combate o xingamento "fucking liberals" -malditos liberais, em tradução suave- em direção a seu inimigo.

Mas isso não soma mais de 20 segundos. O resto do tempo ou se é um fanático por games feliz por ver um herói de games em carne e osso (como se houvesse alguma carne e osso, isto é, um mínimo de personagem real nessa história) ou se sofre com paciência.

"Mate ou Morra" é um retrato bem realista da situação hollywoodiana atual. Ou, como escreveu um autor, para os produtores atuais o negócio não é o cinema, o negócio é o dinheiro. É uma pena não para eles, mas para o cinema. Esse imaginário policialesco, militarista e, no fim das contas, caipira que domina os filmes de grande público com essa papinha insalubre e servil, apenas serve para diminuir o cinema como expressão artística e encolher o universo das crianças e dos adultos infantilizados que caem nessa.

MATE OU MORRA

Quando Estreia nesta quinta (16) nos cinemas

Elenco Frank Grillo, Mel Gibson, Naomi Watts, Will Sasso, Annabelle Wallis

Produção EUA, 2021

Direção Joe Carnahan

Avaliação Ruim

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