'Conheci meu eu sexual com a masturbação': mulheres contam benefícios do hábito

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Por Gabriela Navalon

A masturbação não é um hábito comum (infelizmente) para muitas mulheres. Seja por falta de prática, falta de tempo ou por vergonha, o ato não é frequente para cerca de 40% das brasileiras, de acordo com a pesquisa Mosaico 2.0, do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC). Mas cultivá-lo faz bem e deveria ser comum: ter um orgasmo estimula substâncias como a endorfina, que traz bem estar; e a ocitocina, que gera prazer e pode estimular a empatia entre as pessoas. Além de ajudar no autoconhecimento e autoestima.

Para a professora do Departamento de Ginecologia da Unifesp, médica especialista em sexualidade do ambulatório do Projeto Afrodite, Carolina Carvalho, além das razões culturais que fazem com que as mulheres se masturbem menos, há também uma atitude passiva com relação à própria sexualidade.

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“Elas esperam a vontade e o tesão aparecer de repente, mas é necessário um certo esforço. Quando a mulher tem o hábito de se masturbar, ela mantém a sexualidade ativa, pensa mais em sexo e é mais sensível aos estímulos eróticos, o que contribui na sexualidade de uma forma geral”, explica a especialista.

Como, então, fazer com que a masturbação seja frequenta na sua vida? Conversamos com duas mulheres que contam como a prática frequente mudou elas

Descobri como gosto de posso gozar

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“Lembro de ter começado a me masturbar com um travesseiro, mas demorei para descobrir o jeito certo com o dedo. Desde os 10 anos me toco, mas só atingi o orgasmo sozinha com 23 anos. Depois que consegui gozar pela primeira vez, passei a me masturbar mais. Sentia vergonha no início, mas fazia para relaxar antes de dormir. Virou quase um hábito diário, especialmente quando não tenho parceiro fixo. Me masturbar me ajudou a perder a vergonha e a mostrar para o meu parceiro o que eu gosto ou como posso gozar.

“Não gozo com penetração sempre e a prática também me ajudou nisso. Não preciso mais pensar sobre sexo para me masturbar, às vezes estou vendo um filme aleatório e faço. É um processo totalmente fisiológico e acho que todas as mulheres precisam se conhecer nesse sentido. É algo pessoal, cada uma encontra o seu jeito específico. Gosto de passar um óleo no corpo ao ir para a cama, me sentir cheirosa, passar a mão em mim. Alivia o estresse e é superrelaxante. Às vezes, acordo durante a noite e perco o sono, mas até nesse momento o hábito me ajuda e logo volto a dormir”. Natalia Mello, 36, micro-empresária (RJ)

Masturbação pelo menos 3 vezes por semana

“Minhas primeiras experiências sexuais foram com um namoradinho que ficou na minha vida por boa parte da adolescência e acabei descobrindo muito de mim nessa fase. Quando não estávamos juntos me masturbava até para aliviar aquele turbilhão de hormônios. Na época, estipulei que me masturbaria até três vezes por dia. Para quem está se descobrindo sexualmente, acho interessante colocar uma meta, como se masturbar um dia sim e outro não, até que vire um hábito. Hoje, percebo que gosto de sexo e gosto de sentir prazer, então, procuro me tocar quase todos os dias. Quero que meu corpo esteja bem e acho que isso ajuda.

“A masturbação me fez conhecer meu corpo, meu prazer, meu eu sexual. É algo libertador e toda mulher pode experimentar isso, até porque aumenta a autoestima e o senso de auto-suficiência. Para me estimular, penso bastante em sexo e deixo a vontade vir. Nem assisto filmes, por exemplo, uso a imaginação. Por ser algo bem relaxante, costumo fazer mais nas semanas mais difíceis. Depois que meu filho nasceu e durante a amamentação, tive um período bem difícil, não tinha vontade. Foi só depois de ele ir para a escola que as coisas foram voltando ao normal. Mas aos poucos, conforme eu tive mais tempo para mim”. Giovanna Rocha, 23, publicitária (SP)