Massacre de Ludmilla por defender Brunna mostra lesbofobia nas torcidas do "BBB22"

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Ludmilla e Brunna Gonçalves (Reprodução Instagram)
Ludmilla e Brunna Gonçalves (Reprodução Instagram)

Considerada a "planta" do "BBB22", Brunna Gonçalves está no paredão pela primeira vez e foi defendida por Ludmilla, que negou o rótulo dado à companheira e movimentou mutirões para salvar a bailarina da berlinda.

A iniciativa da funkeira de defender Brunna não deveria ser motivo de surpresa: cônjuges, amigos e família sempre puxam mutirões pelos brothers do "BBB22", e famosos tradicionalmente escolhem seus favoritos dentro do jogo e fazem promessas para os fãs tentando salvar alguém do paredão. Nada é mais natural do que a defesa de Lud em relação à sua esposa, mas as redes sociais mostraram que a funkeira e Brunna não são julgadas como outros casais por um motivo muito simples: a lesbofobia.

Cancelamento

Ludmilla começou sua movimentação para salvar Brunna oferecendo um retorno do elogiado projeto Lud Session. O projeto teve duas edições e monetizou no Youtube, trazendo convidados para medleys em arranjos feitos por uma superbanda. Em um deles, Lud se juntou a Gloria Groove para um dueto. Após o lançamento, a funkeira explicou que não mantém uma data específica para novas incursões no gênero, mas que o Lud Session pode voltar a qualquer momento.

Para ajudar Brunna, Lud afirmou que pensaria em voltar com o projeto caso a sister não saia no paredão com Gustavo e Paulo André. Em seguida, a funkeira também prometeu sortear ingressos para a turnê de seu novo trabalho, "Numanice", caso Brunna permanecesse na casa.

Nas redes sociais, Lud foi massacrada pelo público, que chegou a comparar a defesa de Ludmilla com corrupção governamental. A funkeira foi xingada, cancelada e acusada de tentar manipular o "BBB22" a seu favor, como se torcer pela esposa fosse algo contra as regras do reality.

Nenhum casal hetero do confinamento foi julgado de forma tão inclemente. Maíra Cardi não só puxa mutirões em prol do marido, Arthur Aguiar, como criou uma estratégia inteligente para que os dois joguem em dupla, potencializado o jogo do brother dentro da casa. Cintia Dicker, esposa de Scooby, também puxa torcida e comemora a presença do marido na casa, e até mesmo a ex-esposa do surfista, Luana Piovani, acaba movimentando o jogo com sua influência externa.

Quando falamos de apoio de famosos, a história é antiga: no "BBB21", Bruna Marquezine puxou torcida e mutirões pela amiga Manu Gavassi, e jogadores de futebol como Neymar abraçaram a jornada de Babu Santana e fizeram campanha pela permanência do ator. Torcida de pessoas famosas e mutirões pelos brothers sempre foram parte essencial do "BBB22", e nenhum casal hetero foi cancelado da mesma forma por fazer algo simples como pedir votos do público.

Lesbofobia

Em um país homofóbico como o Brasil, fica claro que parte do ódio direcionado a Ludmilla e Brunna vem do preconceito contra lésbicas e pessoas LQBTQIA+. A funkeira já havia se revoltado com o eliminado Rodrigo em um caso de homofobia dentro da casa. O brother fez questão de perguntar, em tom de ironia, se Brunna é de fato casada, sendo que ele já sabe da informação desde o primeiro dia do 'BBB22'. Rodrigo não trata da mesma forma pessoas que têm relacionamentos heteronormativos, caso de Douglas e Arthur Aguiar.

Em participação no "Encontro", Lud afirmou que o brother está desrespeitando a dançarina ao perguntar várias vezes se ela é casada, sendo que ele já sabe da informação. "Me incomodou o fato do Rodrigo perguntar mais de seis vezes se ela é casada, sendo que ele já sabe muito bem que ela está comigo. Tenho certeza que se ela fosse casada com homem ele não estaria perguntando, ele teria acreditado", disparou Lud.

O ódio contra o casal Lud e Brunna foi tão longe que envolveu até mesmo Marcos Mion, amigo da funkeira. O apresentador fez, em tom de brincadeira, um vídeo no qual Lud defendia Brunna por 30 segundos em participação no "Caldeirão". O cancelamento foi tamanho que ele resolveu apagar o vídeo do Twitter.

Em suas redes sociais, Ludmilla se revoltou por não poder fazer algo tão simples como defender a esposa em um reality movido por voto popular.

O que importa nessa situação não é o comportamento de Ludmilla ou a relevância de Brunna para o jogo, e sim a diferença de tratamento heterossexuais e LQGBTQIA+ têm diante do público do "BBB22". Por quê a defesa de Lud causa tanta revolta?

O "BBB22" é a edição do reality com mais pessoas declaradamente LGBTQIA+: Lina, Brunna, Tiago, Vinicius, Maria e Luciano. Desde 2021, o reality se tornou uma plataforma ainda mais visível para discutir violências normalizadas contra tal comunidade: durante a edição do ano passado, buscas por termos como homofobia, racismo, bifobia, intolerância religiosa e xenofobia dispararam cerca de 610% a partir de janeiro, quando o reality estreou.

Precisamos falar sobre lesbofobia no contexto do "BBB22" porque casais como Lud e Brunna são raríssimos na TV brasileira, especialmente com exposição no horário nobre. De acordo com o levantamento "Visual GPS 2021 da Getty Images", a comunidade LGBTQIA+ tem baixíssima representatividade na grande mídia e na publicidade. O relatório mostra que, quando existe representatividade, ela é estereotipada. Nos EUA, 30% das imagens na TV aberta e publicidade retratam gays de forma afeminada, 29% mostram pessoas da comunidade carregando a bandeira do arco-íris, 29% retratam mulheres lésbicas como masculinas e 28% representam pessoas gays como extravagantes.

Acusações de "planta"

O público tem razão ao dizer que Brunna movimentou pouco o "BBB22". A sister já virou piada por não aparecer nas dinâmicas e tretas da casa, só fica no quarto Lollipop e não participa das principais movimentações do jogo. Esquecida até pelos participantes do programa, a dançarina está na Xepa desde a primeira semana e parte do público questiona o que ela foi fazer no reality show da Globo.

Com medo do cancelamento, Brunna já chegou a dizer que prefere ser planta para não correr o risco de sair do reality "queimada". Ao perceber como Brunna estava apagada na opinião do público do reality, Ludmilla começou a se movimentar para salvar a reputação da esposa e estender sua participação no confinamento.

É fato que Ludmilla não pode jogar por Brunna, e por mais que a funkeira se esforce, não foi ela quem assinou um contrato com a TV Globo e precisa entregar entretenimento para o Brasil. A participação apagada da bailarina, entretanto, não justifica o cancelamento enfrentado por Lud, especialmente quando casais hetero fazem a mesmíssima movimentação e não recebem ataques de ódio.

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