Masturbação feminina aos 50 anos e seus benefícios; como quebrar o tabu?

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Rebeca, personagem de Andrea Beltrão, se masturba em cena de
Rebeca, personagem de Andrea Beltrão, se masturba em cena de "Um Lugar ao Sol" (Reprodução/Globo)

A masturbação feminina sempre foi tratada como um tabu pela sociedade, tanto pelos homens, quanto entre as próprias mulheres. Tanto que a cena de Rebeca, na novela “Um Lugar ao Sol”, personagem de Andrea Beltrão, se tocando intimamente no horário nobre da Globo gerou uma grande repercussão nas redes sociais e até algumas críticas, de gente achando que foi desnecessário tal exposição. Por que uma mulher, madura, se tocar e ter prazer é desnecessário?

De acordo com Heloá Helena Guerra Maida, ginecologista e obstetra, com Pós-Graduação em Uroginecologia e Disfunções do Assoalho Pélvico pela Faculdade de Medicina do ABC, a masturbação feminina ser motivo de vergonha e constrangimento é culpa da sociedade machista e patriarcal em que ainda vivemos. “Nos foi empurrado goela abaixo que esse ato era sujo, nojento e só podia ser praticado por homens. Infelizmente, ainda carregamos inconscientemente essas crenças, completamente erradas, por isso a necessidade de abordarmos ainda mais sobre o assunto”, explica.

Para Ana Cláudia Simão, Psicóloga Clínica e Terapeuta Sexual, essa censura foi fortalecida com algumas crenças que nos acompanham há séculos. “A mulher, dentro do sistema patriarcal em que vivemos há mais de quatro mil anos, tem a conotação de santa, de mãe, proveniente muito de uma cultura judaico-cristã. Como se ela fosse assexuada. Nesta crença de que apenas o homem é liberado a usar livremente seu corpo. A mulher é vista como se estivesse pecando. É algo proibido”, diz.

Esta mulher foi feita para gerar filhos e não ter o prazer como objetivo

Milhões!

Conheceu seu próprio corpo e o que te dá prazer é fundamental (Foto: Getty Images)
Conheceu seu próprio corpo e o que te dá prazer é fundamental (Foto: Getty Images)

É indiscutível a importância da masturbação para as mulheres, tanto nos aspectos de conhecimento de seu próprio corpo, quanto daquilo que a proporcionará prazer, sem se anular em possíveis relações com outras pessoas. “Os benefícios são todos. De autonomia sexual, libertação e domínio de seu gozo”, garante Ana Simão.

E não só fisicamente falando, mas também para a autoestima e saúde mental. “A mulher que se masturba e chega ao orgasmo libera dopamina, endorfina e ocitocina, que são hormônios responsáveis pela melhora do humor e sensação de prazer e felicidade”, completa Heloá Maida.

Como se libertar

Como já dito acima, os tabus em torno da masturbação feminina faz com que as mulheres tenham dificuldade em iniciar sua própria intimidade. É Importante deixar claro que não há regras e nem o momento certo para começar a se tocar, e que isso varia de pessoa para pessoa.

“Primeiro, a mulher deve se sentir segura, tranquila e à vontade para iniciar esse processo. Começar comprando um espelho e visualizando sua própria região genital e a aceitando, é superinteressante. Após isso, surge naturalmente a curiosidade em se tocar e sentir cada parte de sua região íntima. Isso é essencial para trazer autoconfiança e segurança para essa mulher”, ensina Heloá Maida.

Os brinquedos eróticos e vibradores também podem ser bem-vindos e bons aliados, de acordo com o que a mulher busca e com o que ela irá se adaptar. “Ajudam na descoberta e na quebra de crenças antigas e conservadoras”, avalia Ana Simão.

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