Masculinidade tóxica: fotógrafa mostra como podemos acabar com isso

Higor Dorta

“Homem não chora”, “rosa é coisa de mulher”, “aja como homem”. Todo menino já ouviu alguma dessas frases ao longo de sua vida, seja de seu pai, de alguma figura masculina próxima ou mesmo da mãe. Essa ideia de definir a masculinidade de forma agressiva acaba fazendo com que essas crianças cresçam repetindo os erros dos adultos e, consequentemente, se tornando mais um machista.

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Com o objetivo de derrubar esses padrões determinados socialmente há tantos anos, a fotógrafa Jessica Amity criou uma bela série para que homens expressem quem são realmente, sem que isso seja sinônimo de masculinidade frágil — uma grande besteira propagada.

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O projeto é intitulado “To Be A Man” (ou ‘Ser Homem’ em tradução livre) e tem como intenção acabar com a masculinidade tóxica. Mas o que é? “Masculinidade tóxica se refere a atitudes construídas pela sociedade [patriarcal] que descreve o papel do gênero masculino como violento, incapaz de sentir emoções, sexualmente agressivo e assim por diante”, descreve em seu site oficial.

Isso reprime os homens a demonstrarem seus sentimentos e eles acabam se entregando a um padrão restrito de atitudes para manter seu papel de “macho alfa”. “Os meninos crescem com a pressão de incorporar esse comportamento de gênero porque é o que a sociedade considera normal. Dito isso, falhar em seguir essas qualidades ‘masculinas’ frequentemente gera consequências, não só para os homens, mas aqueles à sua volta”.

O que Jessica quer dizer é que toda essa repressão para se tornar o que é imposto pode ter impacto negativo na saúde mental do homem. Eles tendem a desenvolver depressão, vício em álcool e drogas, suicídio e agressividade.

Outra questão preocupante é a maneira como objetificam e tratam as mulheres com violência, propagam homofobia, transfobia e até mesmo agressividade contra outros homens. É por isso que seu projeto é importante, pois mostra que nem tudo está perdido e que existem muitos homens dispostos a acabarem com a masculinidade tóxica.

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“Quis criar uma seleção diversa de homens que acreditam que não há problema em ter e expressar qualidades e características que eles ouviram direta ou indiretamente que não podiam ter’/sentir. Espero que essas ideias se espalhem e cheguem até os homens que estão lutando para aceitar que certas coisas como vulnerabilidade emocional e compaixão são pontos fortes, não fraquezas”.

A série conta com entrevistas concedidas por homens ao redor do mundo que assumem quais são os pontos sensíveis que podem ser considerados errados por outros homens. “Minha intenção com essa série não é criar sentimentos contra os homens ou atacar a masculinidade, mas avançar o diálogo que o movimento Me Too (contra violência e abuso sexual feminino) fez ser impossível de ignorar. Quero acender uma luz positiva nos problemas em torno da masculinidade tóxica e saúde mental masculina. Quero mostrar que os homens podem ser aliados e levar adiante a importância de unir ambos os gêneros para desafiar normas prejudiciais”. Confira os depoimentos na galeria.