Máscaras de pênis contra o covid-19: "Para salvar o mundo da caretice"

Máscaras de pênis (Foto: Arquivo Pessoal)

Por Laura Reif (@laurareif)

A pandemia do novo coronavírus mostrou que tem muita gente criativa por aí. Uma delas é a dona de uma marca de roupas e acessórios da Vila Mariana, na zona sul em São Paulo, que foge do convencional. As linhas de camisetas, shorts, brincos, colares e até chinelos são decoradas com uma estampa única de diversos pênis em miniatura feitos à mão. Agora, ela também está produzindo máscaras de proteção com a temática da marca Comfort Pintos. 

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A produtora audiovisual e criadora da loja, Julia Portella, conta que "desenhar pintos" é um hobby, uma forma de brincar e se expressar. Sempre dava presentes como quadros de pênis para amigos, que aconselharam que ela criasse uma marca. O nome surgiu porque quem recebia os presentes alegava que, apesar de serem imagens fálicas, os pênis que Julia desenha são fofos e passam sensação de conforto.  

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As vendas não costumavam ser feitas em larga escala, somente pelo Instagram criado há cerca de dois anos, mas com o tempo livre decorrente do isolamento social na pandemia, ela se juntou a duas amigas (a especialista em pattern design e sócia da Comfort Pintos, Marina Mansur, e a coordenadora de marketing da marca, Renata Sernagiotto) para dar vida ao site

Lá, estão disponíveis, entre outras peças, as "mascaralhas" de proteção contra o covid-19. "Além de ajudar a manter pessoas a uma distância segura na fila do mercado, as mascaralhas também vão ajudar a salvar um pouco o mundo, pois 30% das vendas serão destinadas à marmitas para a população de rua", acrescenta Julia. 

"As marmitas são feitas por mim e por alguns amigos. Sigo recrutando outros, inclusive com doações em dinheiro no caso de amigos mais conservadores que não querem comprar a máscara", conta. As marmitas são recolhidas pelo Movimento de Mulheres Olga Benário, Movimento de Moradia MLB e também pela União da Juventude Rebelião. Depois, são distribuídas para as ações lideradas pelo padre Júlio Lancellotti na Pastoral Povo da Rua, no centro de São Paulo, que está ajudando pessoas em situação de rua durante a pandemia.

Só não conta para o padre que a gente vende pinto para ajudar

Por enquanto são produzidas cerca de 200 marmitas por semana, mas a intenção é aumentar o número com a arrecadação das vendas das máscaras. 

Levando a máscara ao mercado

A reportagem recebeu o kit com três máscaras. Uma roxa, outra branca com estrelas douradas e outra azul e branca. Julia explica que as fez com o elástico um pouco folgado, pois, estudando outras máscaras, notou que ele encolhe conforme as lavagens. Bastou uma voltinha no elástico e ela estava pronta para uso.

Foi interessante sair à rua com o rosto coberto por desenhos de pênis, mas os outros demoram a notar a estampa. "Quando estou com as coisas de pinto, sempre brinco. Porque sempre obtenho uma reação. Aí eu jogo o pinto na conta dos outros, falo que são cactos: 'Você precisa tirar o pinto da cabeça'", conta Julia.

Alguns olhares fixos de senhoras no corredor de frutas e funcionários do mercado denunciaram que a estampa foi avistada, mas o fato gerou pequenas risadas abafadas pelas máscaras dos observadores. Um pouco de humor em tempos difíceis. Julia explica as duas funções das "máscaras pintosas": "Para salvar o mundo do covid-19 e da caretice."