Novo normal? Máscaras de luxo com cristais chegam a custar mais de R$ 1 mil

Sim, ja existe um mercado de luxo para máscaras (Foto: Divulgação)

Por Melissa Santos

Desde o início de maio alguns municípios, como São Paulo e Rio de Janeiro, assinaram um decreto tornando obrigatório o uso de máscara para quem precisasse sair de casa. para evitar o contágio do covid-19. Mas antes mesmo da decisão oficial, o estilista Luddy Ferreira, de Campinas, interior de São Paulo, começou a pensar sobre como poderia se reinventar.

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"Grande parte do meu ateliê é voltado para criação de vestidos de festa. A pandemia fez com que a procura por novos vestidos diminuísse drasticamente, já que não podemos fazer atendimentos pessoalmente, além de todas as festas estarem sendo adiadas", conta o empresário.

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Foi assim que Luddy resolveu usar a matéria-prima que estava parada para criar modelos de porta-máscaras luxuosos. “Esse tipo de acessório já existe nos países da Ásia e tenho certeza que essa indumentária vai continuar sendo usada mesmo depois do fim da pandemia por uma questão de respeito ao próximo. Alguém que for trabalhar doente, vai usar máscara para evitar contaminar o próximo”, acredita o estilista.  

Contra o estigma da máscara

Luddy sentiu na pele o estigma de usar a máscara antes mesmo da pandemia. Enquanto realizava um tratamento para uma doença autoimune, ele precisou usar o acessório por seis meses e recebeu olhares de dó e curiosidade. "Na época, fiquei mal de lidar com o preconceito das pessoas. A peça sempre foi sinônimo de tristeza e medo. Por isso, pensei em ressignificar isso com o brilho. Independentemente do nível social, pontos de luz sempre trazem sentimentos bons. O vírus não gosta de brilho, então apostei nos protetores com essa característica", afirma.

Assim, criou uma minicoleção, divulgou entre suas clientes via WhatsApp e viu a procura pelo acessório bombar. "Meus funcionários estão todos trabalhando de casa desde antes do decreto, já que a grande maioria são senhoras e fazem parte do grupo de risco. Portanto, criei sozinho mesmo com o que tinha no ateliê. Vendi as peças rapidamente e vi que tinha uma oportunidade de negócio", fala.

De R$ 300 a R$ 1.200 reais

O acessório, totalmente feito à mão, tem diferentes modelos e é criado com materiais variados, como zircônia e cristais swarovski. De acordo com Luddy, o modelo mais em conta é o cirúrgico, que custa a partir de R$ 130, e é feita com base nas tradicionais máscaras hospitalares. 

O modelo pantera, que tem um corte mais longe do nariz, é produzido com cristais aplicados em uma placa de silicone – um material mais resistente—e tem preços que se iniciam a partir de R$ 300. Já a coleção conceitual, segundo o estilista, é produzida com crinol, strass, zircônia e swarovski. Por isso, o preço varia bastante –de R$ 350 a R$ 1.200—dependendo da matéria-prima escolhida. 

A diferença de preço acontece por conta do tempo de produção de cada uma das “máscaras”. “As conceituais demoram três dias para ficarem prontas, pois são todas bordadas e feitas à mão. Já as cirúrgicas são mais simples e consigo produzir sete em um dia. Também foquei em agregar valores, como evitar elásticos de má qualidade, que provocam irritação, tendo uma amarração mais confortável sem machucar a orelha e não incomodar quem está usando”, diz. 

“Bombardeio” de críticas

Logo após lançar oficialmente a coleção de porta-máscaras em suas redes sociais, Luddy se deparou com um “bombardeio”, como descreve, de críticas negativas sobre suas novas criações e seus altos preços. “Lancei os vídeos justamente na semana que o governo anunciou a ajuda de R$ 600 para os profissionais autônomos e as pessoas fizeram essa ligação de como um acessório custa o mesmo que uma família terá de sustento por todo o mês”, reconhece o estilista. 

No entanto, Luddy destaca que seu mercado é de luxo e ele continua existindo, mesmo em situações difíceis como a pandemia, basta ver itens que se tornam desejo, como o pijama de R$ 400 usado por Ivete Sangalo em uma live. “Recebi mensagens horríveis, de palavrão até desejo que eu morresse infectado pelo vírus, mas apesar de ficar triste, não deixei isso me abalar, pois sempre acreditei nesse sonho de continuar pagando minhas funcionárias –mesmo de casa—, além de trazer alegria para as pessoas mesmo em um momento difícil”, fala. 

Contratações em meio à crise

Mesmo com as críticas, Luddy o público buscando as máscaras aumentar e se diversificar. No início, o estilista conta que as peças foram mais procuradas por médicas e, posteriormente, por um público mais jovem. “As crianças e adolescentes têm o sonho do lúdico. Mas não tenho apenas um público-alvo. Tenho vendido para mães e filhas, para senhoras e até para homens héteros mais descolados”, diz. 

Seus produtos já foram enviados até para fora do Brasil, como Londres (Inglaterra), Austrália e Nova York (EUA). Esse aumento na procura fez com que ele tivesse a oportunidade de aumentar o quadro de funcionários, mesmo em meio à crise. “Quase dobrei o número de pessoas que trabalham comigo. Cortamos e higienizamos as peças que são mandadas para as casas das costureiras. Minha alegria maior não é ter lucro, mas sim contratar pessoas em um período em que tantas empresas estão demitindo”, diz.

De acordo com especialistas ouvidos pelo Yahoo! sobre o que esperar da moda pós-pandemia, a conclusão é de que a preocupação com a saúde vai impactar no uso de acessórios, que provavelmente vieram para ficar, como luvas e máscaras. E Luddy concorda: “Criei essas peças para ‘me virar’ financeiramente enquanto a pandemia não acabasse, mas hoje sinto que o uso desses acessórios veio para ficar”, finaliza.