Máscara de tricô como a da filha de Justus é eficiente contra covid-19?

Natália Eiras
·3 minuto de leitura
Máscara de tricô protege? Foto: Reprodução/Instagram
Máscara de tricô protege? Foto: Reprodução/Instagram

A influenciadora digital Fabiana Justus, 33, filha do apresentador e empresário Roberto Justus, foi diagnosticada com covid-19 e falou, em vídeos no Instagram na sexta-feira (13), que estava se sentindo uma idiota por ter trocado a máscara cirúrgica que vinha usando por uma de tricô, por tê-la achado “linda e estilosa”. Não podemos dizer se Fabiana foi realmente contaminada com a infecção causada pelo novo coronavírus por conta de mau uso do equipamento de proteção individual, mas o caso dela levantou um alerta: máscara de tricô são realmente eficientes?

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Essa versão do acessório ganhou popularidade principalmente nas redes sociais, onde marcas apostaram no tricô por terem um acabamento estético mais bonito e serem mais “respiráveis”. A tendência foi criticada pelo biólogo e youtuber Atila Iamarino. “Usar máscara decorativa, linda, mas sem barreira física para o vírus, de tecidos como renda ou tricô, é a mesma coisa que usar faixa de Miss como cinto de segurança”, ele escreveu em seu Twitter.

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O médico-infectologista da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Alberto Chebabo, faz coro ao biológo. “A máscara de tricô não serve para nada. Não tem capacidade de filtragem nem mesmo de barreira”, diz em entrevista ao Yahoo. “Dá uma falsa sensação de segurança, porque a pessoa acha que está se protegendo, mas o tricô tem uma porosidade muito grande e a passagem do vírus é muito facilitada.”

Já o médico-infectologista do Hospital das Clínicas de São Paulo, Igor Maia Marinho, diz que a máscara de tricô ainda é melhor do que não usar nenhuma proteção. “Não é a melhor maneira, tanto que você não verá um médico usando-a, mas para o dia a dia é melhor do que nada”, afirma.

Marino relembra o impasse em relação às máscaras que começou em março deste ano, quando, inicialmente, a Organização Mundial de Saúde aconselhou que deixassem o uso de EPI exclusivamente para agentes da saúde. “Porém, percebeu-se que países em que a população já tinha o costume de usar máscaras na rua, como a Coreia e o Japão, estavam tendo um controle maior da contaminação e, desde então, a OMS recomenda que as pessoas usem qualquer tipo de máscara que ofereça uma barreira”, fala o médico-infectologista.

Ambos os especialistas consultados pela reportagem concordam que é preciso, no entanto, tomar certos cuidados para que as máscaras sociais, de algodão e outros tecidos, sejam efetivas. “Elas precisam ter, preferencialmente, três camadas, sendo uma delas com uma trama menor, que faça a filtração”, diz Chebabo. Uma máscara de tricô até seria eficaz se o tecido fosse apenas o acabamento, um artifício estético. “Se for apenas a parte exterior, não uma das camadas, ela será tão eficiente quanto uma de algodão”, fala.

Igor Maia Marinho também aponta que, além de ter um cuidado especial sobre sua composição, é necessário fazer o uso correto da máscara de tecido. “Ela precisa estar limpa, é preciso evitar usá-las quando estiverem úmidas ou rasgadas. A máscara precisa cobrir toda a parte respiratória, ou seja, o nariz e a boca, e ter uma boa aderência, bem colada ao rosto, sem ficar caindo”, enumera o médico. Todos estes cuidados farão a diferença para que você se proteja.

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