Marjorie Estiano diz que vítimas de abuso se sentem fortalecidas com médica de 'Sob Pressão'

Marjorie Estiano na apresentação da terceira temporada de “Sob Pressão”. Foto: AGNews

Por Giselle de Almeida

Prestes a voltar à TV na terceira temporada da série “Sob Pressão”, Marjorie Estiano conta que a identificação do público com Carolina não se compara a nenhum outro trabalho em sua carreira. A partir do dia 2 de maio, a produção, que mostra o cotidiano de uma equipe médica diante de um sistema de saúde pública falido no Rio de Janeiro, traz a dupla de protagonistas, Carolina e Evandro (Julio Andrade), diante de novos desafios pessoais e profissionais.

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“É impressionante como a série é abrangente, o público dela é muito grande, e o local onde ele habita dentro do espectador é muito sensível. Quando ele dá aquele retorno pra você, é com propriedade ele está falando dele, está se identificando com o que está vendo. Isso eu nunca tinha vivido,
uma coisa tão explícita assim”, afirma a atriz, durante apresentação da nova temporada para imprensa, nos Estúdios Globo, no Rio.

O retorno mais forte que a intérprete recebe é de pessoas que viveram dramas parecidos com a médica, como abuso sexual e automutilação. “Elas se sentiram vistas, percebidas e respeitadas. Porque a Carolina não se vitimizava, não era uma pessoa frágil. Ela tinha as fragilidades dela, mas era uma pessoa que estava ali lutando, que estava seguindo. E isso fortalece, motiva e inspira”, analisa.

Carolina (Marjorie Estiano) em cena da terceira temporada de “Sob Pressão”. Foto: Divulgação/TV Globo

Realidade x ficção

Na nova leva de episódios, após o fechamento do hospital Luiz Carlos Macedo, Carolina e Evandro são contratados para trabalhar no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas querem mesmo viajar como voluntários na equipe do Médicos Sem Fronteiras. Mas um caso de emergência muda o destino do casal.

Logo no primeiro capítulo, a médica precisa resgatar um menino com o peito perfurado por um espeto de churrasco dentro de uma comunidade dominada pelo tráfico. Diante da ausência de médicos e com o caos reinando na cidade por causa de uma greve de caminhoneiros, ela vai atrás de todos os recursos possíveis para salvar a vida do paciente.

Saio desse trabalho amadurecida. É uma personagem que me construiu muito mais do que eu a ela, esse olhar de generosidade em relação ao outro“, conta ela, que buscou motivação na vida real para buscar a humanidade necessária ao papel. “Ia constantemente a hospitais buscar não só o lado dos médicos, mas ver a relação com os pacientes. Isso te comove, te faz querer interferir naquilo”, observa.

No início, ela conta, a parte técnica pesava mais. Segundo a atriz, ao longo das temporadas, os desafios de interpretarem uma personagem nesse universo tão vasto e cheio de especificidades foram mudando. “São muitos detalhes, e temos um compromisso grande com a credibilidade. A gente passa o tempo inteiro naquele hospital. Aos poucos, a gente foi se desprendendo, foi dominando, tomando conta e passando a aumentar camadas nos personagens”, diz.