Mario Frias tem boom de novos seguidores no Twitter e pede 'CPI do algoritmo'

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*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  13-12-2021, 17h00: O secretário especial de Cultura Mario Frias. O presidente Jair Bolsonaro, ao lado da primeira dama Michelle Bolsonaro e dos ministros Ciro Nogueira (Casa Civil), Walter Braga Neto (Defesa), Marcelo Queiroga (Saúde) e Gilson Machado (Turismo), durante evento de comemoração do Dia Nacional do Forró e Aniversário de Luiz Gonzaga, no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 13-12-2021, 17h00: O secretário especial de Cultura Mario Frias. O presidente Jair Bolsonaro, ao lado da primeira dama Michelle Bolsonaro e dos ministros Ciro Nogueira (Casa Civil), Walter Braga Neto (Defesa), Marcelo Queiroga (Saúde) e Gilson Machado (Turismo), durante evento de comemoração do Dia Nacional do Forró e Aniversário de Luiz Gonzaga, no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Imediatamente após o anúncio da compra do Twitter por Elon Musk, a ex-cúpula da pasta da Cultura do governo passou a relatar um aumento exponencial no número de seguidores de seus perfis na rede social.

O argumento deles é que Musk libertou o Twitter de uma suposta censura aos perfis de direita, que agora estariam finalmente livres para atingir todo o seu potencial e crescerem organicamente. O Twitter não se manifesta em relação à censura, de modo que não há como comprovar a narrativa bolsonarista.

Andre Porciúncula, que chefiou a Lei Rouanet, afirmou ter ganhado 20 mil seguidores em apenas um dia, e postou um vídeo onde se vê o contador de seguidores crescendo segundo a segundo. Mario Frias, o ex-secretário especial da Cultura, também divulgou imagens mostrando um crescimento de milhares de seguidores em 24 horas.

Já o ex-chefe da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, foi pelo mesmo caminho, celebrando a expansão de seu Twitter e dizendo que seus novos seguidores são "gente decente e limpa, sem fixação no cu nem cabelo verde".

"Usar o Twitter e ser de direita era como tentar correr uma maratona com os dois pés amarrados. A libertação da rede social, da censura totalitária da esquerda, é um fato histórico que marcará gerações", escreveu Porciúncula. Ele e Frias pedem uma CPI para investigar o algoritmo do Twitter, para saber quem estaria bloqueando o aumento de seguidores.

O Twitter afirma que tem analisado as recentes variações na contagem de seguidores de perfis e que "essas oscilações parecem ter sido, em grande parte, resultado de um aumento na criação de novas contas e desativação de outras, organicamente".

A empresa não respondeu, contudo, se havia algum tipo de censura e se a entrada de Musk está relacionada com o crescimento dos perfis de direita, também relatado pelo presidente Jair Bolsonaro, que ganhou 65 mil seguidores em um dia, ante uma média de 4.200 em abril, antes da venda do Twitter.

Especialistas em tecnologia, contudo, duvidam que o crescimento tenha sido orgânico. "Eu não acho que dezenas de milhares de brasileiros decidiram criar novas contas ao mesmo tempo e seguir Bolsonaro porque Elon Musk está comprando o Twitter", afirmou no Twitter Christopher Bouzy, fundador do site Bot Sentinel, uma ferramenta de monitoramento de bots na internet.

Ainda de acordo com ele, dos 65 mil novos seguidores do presidente, quase 62 mil contas haviam sido criadas no dia anterior.

Em entrevista à reportagem, o especialista em monitoramento e análise de redes Pedro Barciela afirma que a movimentação é "estranha". Segundo ele, o volume de interações em perfis como o de Carla Zambelli, Carlos Bolsonaro e Flávio Bolsonaro caiu nos últimos dias. Sendo assim, não há justificativa aparente para o "boom" de novos seguidores.

"A conta não fecha, para dizer o mínimo".

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