Maria Padilha relembra seios à mostra em “Mulheres Apaixonadas”: "Nudez é consequência"

Guilherme Machado
·4 minuto de leitura
Maria Padilha fala sobre o retorno de "Mulheres Apaixonadas"(Foto: Reprodução/Instagram@mpadilhareal)
Maria Padilha fala sobre o retorno de "Mulheres Apaixonadas"(Foto: Reprodução/Instagram@mpadilhareal)

Fãs que estão saudosos de ver Maria Padilha na TV poderão se alegrar em breve. Ela estará na reprise de “Mulheres Apaixonadas”, que estreia dia 24 de agosto no Viva. A atriz fez sua última participação em um folhetim em 2015, quando participou de “A Regra do Jogo”. Ela acabou se afastando das telinhas por conta de seu envolvimento com projetos no cinema e no teatro, mas diz que gostaria de voltar.

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“Eu gosto de fazer televisão. Acho que faço relativamente bem, aprendi a fazer. Quando assisti ‘Água Viva’, que foi meu começo, no Canal Viva, até não achei tão ruim quanto me achava na época. Quando estava fazendo sofri muito, me achava a pior atriz do mundo. A passagem da linguagem teatral para a televisiva foi muito sofrida”, diz ela em entrevista ao Yahoo!.

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Ela fala, inclusive, sobre o orgulho que sente por poder fazer parte das telenovelas nacionais.

“Estou super afim e tenho falado até com colegas que talvez possam me chamar. Televisão tem uma comunicação muito legal e a TV brasileira é muito boa. É um milagre a telenovela brasileira ter aquela quantidade de dramaturgia com essa qualidade . É muito orgulho para qualquer ator brasileiro estar em uma novela”.

Câncer de mama

Maria Padilha com Hilda (à dir.) e Christiane Torloni como Helena (Foto: Reprodução/Tv Globo)
Maria Padilha com Hilda (à dir.) e Christiane Torloni como Helena (Foto: Reprodução/Tv Globo)

Em “Mulheres Apaixonadas”, Maria Padilha viveu Hilda, uma das protagonistas, irmã de Helena (Christiane Torloni) e Heloísa (Giulia Gam). Hilda era uma mulher que levava uma vida perfeita, sem crises, e que carregava sempre um sorriso no rosto, até o dia em que descobriu ter um câncer de mama.

“Foi uma novela bacana. Me lembro que na época foi difícil de fazer. Essa personagem para mim não era muito fácil porque ela era muito tranquila. Sabia desde o começo que ela ia passar por uma barra pesada, mas não sabia qual, e fui instruída para fazer ela bem leve e feliz”, relata a atriz.

Ela fala que achou a personagem um desafio justamente por fugir de um padrão que ela estava seguindo na TV.

“Eu vinha de outras personagens sempre muito malucas, acho que seria mais óbvio terem me colocado na personagem da Giulia, a Heloísa [uma mulher obcecada pelo marido]. Nunca tinha feito personagens assim mais bem resolvidos, tranquilos, normais, e ator gosta de fazer o que nunca fez. Adorei ser a normalzinha”.

Tabu com a nudez

Durante a trama, Hilda precisou fazer um autoexame para identificar que estava com câncer, o que levou a atriz a aparecer com os seios à mostra no horário nobre, algo que teve grande repercussão na época, o que surpreendeu a Maria.

“O mais difícil não é a nudez, é o que você vai fazer na cena. A nudez é uma consequência. Na hora eu nem percebi o que estava fazendo. Quando a cena passou um monte de gente me ligou. ‘De peito de fora no horário nobre’. Mas não esperava aquilo tudo, não tinha ideia, achava que era uma coisa tão pouco sexual, tão clínica”, relembra ela.

“Estava muito mais preocupada com a credibilidade, em saber fazer o autoexame direito, de como eu ia reagir. Estava mais preocupada com a cena do que com o peito. Não foi um problema”, complementa.

Para a intérprete, a abordagem do tema foi não apenas um desafio dramatúrgico, mas também uma experiência de utilidade pública, por falar de um assunto muita vezes tratado como tabu e que ajudou na conscientização dos espectadores.

Ela, por exemplo, participou de campanhas para falar sobre o câncer de mama e sobre a importância do autoexame.

“Parece que a pessoa tem câncer e é culpada de ter câncer. Acho que o Maneco [apelido de Manoel Carlos] queria tirar esse tipo de estigma bobo. Acho que foi muito legal ter colocado esse assunto.”

Além desta abordagem, “Mulheres Apaixonadas” falou também de questões como violência contra idosos, alcoolismo e violência contra as mulheres, um tema que Maria julga ser muito importante revisitar.

“Na quarentena aumentou muito [a violência], então vai ser muito bom [a volta da novela]. Todo tabu que você coloca luz deixa as pessoas mais livres para falarem, denunciarem”

Tempos de pandemia

Maria estava com projetos para um filme e para uma peça antes do início da pandemia do novo coronavírus. No longa, que seria gravado em Brasília, ela vive uma comandante de polícia, algo que ela estava adorando.

Agora os projetos estão paralisados, mas ela segue em análises e conversas de como retomá-los.

“Tem a perspectiva de voltar a gravar o filme em setembro, cheio de protocolos. Mas vou fazer a peça ‘Diários do Abismo’ em um projeto do Teatro Petra Gold. Você faz a peça lá e transmite online. As pessoas compram o ingresso e o dinheiro vai para os técnicos que estão desempregados. Estou com algumas ideias de fazer essa peça online por enquanto”.

Ela também reforça: “Estou doida para descobrirem e distribuírem essa vacina”.