Maria Manoella vive megera de Tchékhov e coitadinha em duas peças no mesmo palco

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Natasha quer destruir as florestas e fazer um canteiro de violetas", diz, em tom sarcástico, a atriz Maria Manoella, sobre sua personagem em "As Três Irmãs", de Tchékhov.

As peças "A Semente da Romã", uma obra inédita de Luís Alberto de Abreu, e "As Três Irmãs", do dramaturgo russo, compõem o díptico teatral dirigido por Marina Nogaeva Tenório e Ruy Cortez, que estreia nesta quinta-feira (14), no Sesc Pompeia, em São Paulo.

De um lado do palco, é encenado o clássico de Tchékhov. Do outro, transcorre a dramaturgia do autor brasileiro, que dialoga com o russo. O público poderá acompanhar as duas simultaneamente ou, se preferir, assistir a uma delas num dia e a outra numa data posterior.

Natasha é casada com Andrei, papel de Luciano Gatti, o irmão das três mulheres que dão título à peça. O programa do espetáculo descreve bem a personagem, lembrando seus "cálculos pragmáticos e utilitaristas, sua visão que abarca apenas o imediato, seu gosto estético que se fixa na superfície, seu desinteresse absoluto pelo passado e seu desprezo pelos mais velhos".

Quem não conhece uma Natasha?

Coube a Maria Manoella não só o desafio de dar vida a uma das personagens mais repulsivas de Tchékhov, mas também o de interpretar Tônia em "A Semente da Romã". A dobradinha marca a volta da atriz aos palcos depois de "Sede", espetáculo que estreou em 2020, sob a direção de Zé Henrique de Paula.

"São personagens antagônicas e complementares. Natasha é manipuladora, desagregadora, tira proveito dos homens. Tônia, por outro lado, é uma mulher muito oprimida pelo casamento. Ela pôs o casamento e os filhos em primeiro plano e foi se deixando de lado", compara a atriz. "Mas as duas têm uma ligação forte com a maternidade."

Além do trabalho de construção das personagens, existe neste caso o desafio de atuar em duas peças que correm simultaneamente no palco. "Tem sido um baita exercício. Por conta da sincronicidade, não podemos perder o ritmo, ninguém pode atrasar", ela conta.

Tanto em "As Três Irmãs" quanto em "A Semente da Romã", Maria Manoella, de 44 anos, tem a oportunidade de contracenar com Walderez de Barros, de 81, uma atriz de trajetória histórica no teatro de São Paulo, duas gerações à frente da sua.

"Walderez poderia se fechar em um 'lugar' sem disponibilidade para os mais jovens. Mas ela é generosa e atenta, joga o tempo todo com os demais atores", diz Maria Manoella.

No cinema, a atriz acaba de participar de "Enterre seus Mortos", filme dirigido por Marco Dutra, baseado no livro homônimo de Ana Paula Maia.

AS TRÊS IRMÃS / A SEMENTE DA ROMÃ

Quando: Estreia nesta quinta, dia 14, às 20h. De qui. a sáb., 20h. Dom., 18h. 3 horas de duração

Onde: Sesc Pompeia - Rua Clélia, 93, Pompeia, São Paulo

Preço: R$ 40

Autor: Anton Tchecov (As Três Irmãs) e Luís Alberto de Abreu (A Semente da Romã)

Elenco: Antonio Petrin, Walderez de Barros, Walter Breda, Ondina Clais, Luiz Carlos Vasconcelos, Miriam Rinaldi, Eduardo Estrela, Lucia Bronstein, Marcos Suchara, Maria Manoella, Luciano Gatti e outros

Direção: Marina Nogaeva Tenório e Ruy Cortez

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