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Maria da Penha: “A gente tem visto juízes e advogados que destratam as mulheres. Precisamos ter gente capacitada”

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A Lei Maria da Penha que tem como objetivo proteger mulheres contra agressões —física, sexual, psicológica, moral e patrimonial — completou 15 anos no dia 7 de agosto e a convidada do Yahoo Entrevista! foi a própria ativista.

Ela reflete sobre as melhorias que a lei de proteção às mulheres recebeu recentemente, e quais os desafios ela ainda enfrenta.

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Maria sabe que além do medo, as mulheres sofrem porque não existem delegacias para mulheres ou aparatos de segurança nos pequenos municípios.

"Não é necessário que a vaidade do prefeito faça com que ele erga um espaço. Onde tem um centro de referência, por quê? Porque a mulher não vai até ali. Porque no momento em que ela for, quando ela chegar em casa o marido já sabe que ela esteve lá.não é? Então tem que ser num local público mesmo, um posto de saúde. E que esses espaços sejam ocupados por profissionais capacitados dentro da Lei Maria da Penha."

E o machismo estrutural não está atrelado a classe social, muito pelo contrário. "A gente tem visto aí juízes, advogados que destratam muito as mulheres porque não foram capacitados, têm a cultura machista dentro de si e se acham o dono da verdade. Nós precisamos ter gente capacitada", afirma.

A Lei leva esse nome, pois em 1983, a biofarmacêutica Maria da Penha dormia quando levou um tiro de escopeta na espinha dorsal, aos 38 anos, e ficou paraplégica . O autor do crime foi seu ex-marido. Eles se conheceram em 1970. Ela fazia mestrado na Universidade de São Paulo (USP), onde o colombiano Marco Antonio Heredia Viveros era bolsista no curso de economia. E não ache que ela sabia que vivia um ciclo de violência física, psicológica e moral.

"Só tomei conhecimento desse ciclo que eu vivi e tudo isso quando o movimento de mulheres começou a dar visibilidade à questão da violência. Não estava pensando que ele tinha atirado contra mim. E a versão que existiu foi só a dele, que ele tinha visto quatro assaltantes que havia lutado contra os quatro no assalto. E ao ouvir vozes na rua, eles resolveram correr para ir embora. Nada foi roubado e eu estava dormindo. E quase morri."

"Passei dois meses hospitalizada no HGF e depois eu fui para o Sara em Brasília e quando eu voltei. Ele me manteve em cárcere privado. Então, percebi que estava ali numa situação que eu precisava voltar para a casa dos meus pais. Não tinha mais condição de ficar naquele local apesar da minha situação . Saí com as minhas crianças, que tinham entre 7, 6 e 2 anos de idade incompletos", conta.

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