Marco Pigossi diz que sentia medo de se assumir gay: "Tomou uma proporção grande"

Marco Pigossi no prêmio National Domestic Workers Alliance em fevereiro de 2019 em Los Angeles, Califórnia. (Foto: Randy Shropshire/Getty Images)
Marco Pigossi no prêmio National Domestic Workers Alliance em fevereiro de 2019 em Los Angeles, Califórnia. (Foto: Randy Shropshire/Getty Images)

Marco Pigossi se assumiu gay em 2021, mas a ideia de falar publicamente sobre a sexualidade apavorou o ator por muito tempo. O protagonista de "Cidade Invisível", série brasileira da Netflix, conta que sentiu receio de como "sair do armário" poderia afetar sua carreira artística.

"Me descobri gay muito cedo e veio uma fama muito grande para mim também", contou Pigossi em entrevista ao podcast "Calcinha Larga". "Tinha o peso da coisa do armário. E tinha a coisa do galã. Sair do armário, para mim, não era para minha mãe e para os meus amigos. Era para milhões e milhões de pessoas".

O artista explicou que tinha medo de perder trabalhos na TV e que por muito tempo se beneficiou do que classificou como "privilégio do armário", quando as pessoas não assumiam que ele era gay e ainda recebia os mesmos privilégios que os homens heterossexuais: "Isso tomou uma proporção tão grande... E me escondi dentro desse privilégio, dentro desse armário, por muitos anos porque eu não tinha condição, tinha muito pânico de qualquer coisa acontecer", explicou. "Era uma coisa que era nacional".

Foi por esse sentimento de culpa que surgiu a ideia de fazer o documentário "Corpolítica", que mostra candidaturas LGBTQ+ nas eleições municipais do Rio de Janeiro, em 2020, e teve a participação da deputada federal Erika Hilton, que é uma mulher trans. "Eu nunca vou conseguir sentir o que a Erika sentiu. Cada um tem o seu processo nesse lugar", disse Pigossi.

"O mais importante foi fazer as pazes comigo mesmo, sabe? E esse projeto está num lugar muito especial no meu coração porque durante toda a minha carreira, no alto do meu privilégio, esse privilégio que tem um homem cis, branco, classe média etc., eu sempre tive no meu coração uma vontade de falar sobre isso, de colocar essa questão. Eu nunca tive uma referência, por exemplo", pontuou.

De acordo com Marco, ele também sentiu o privilégio em seu relacionamento com o diretor italiano Marco Calvani e por serem dois homens brancos são aceitos mais facilmente. Ainda assim, ele ficou feliz com o apoio do público: “Foi uma surpresa, mas... É o padrão, né? São dois homens brancos, bonitos, que podem ter uma casinha... Isso a gente até aceita, né?”, completou.

O documentário estreou em Portugal, no Festival Internacional de Cinema Queer, e passará pelo Festival do Rio, que acontece de 6 a 16 de outubro.